sábado, 25 de dezembro de 2010

NOITE LUZ [Debora Bottcher]

Na noite mais iluminada do ano, normalmente, as famílias se reúnem, trocam presentes, abraços, fartam-se em guloseimas e alegrias.

Fora a correria peculiar, tumultos em shoppings e supermercados, é a época da renovação: antecipando o futuro, faz-se planos e aumenta a ansiedade sobre os sonhos. Nossos desejos se acentuam — e também as determinações. Com olhos espiando através da janela do tempo, o otimismo abre asas e a crença em coisas boas se instala pelas brechas: há que se ter esperanças!

É também um período em que, mesmo sem querer, a gente repensa acontecimentos e atitudes e, eventualmente, o perdão se faz entre os que estão estremecidos. Há uma aura no ar que convida à harmonia: prevalece o bom senso e tenta-se manter a paz.

Nem sempre é possível. Todos nós já assistimos a natais em que as pessoas, por um lapso exagerado de bebida ou mau humor, derramam sua amargura entre os demais: desenterram 'ossos' e os despejam na mesa. Está quebrado todo o cenário de boas intenções.

Não é novidade também que muita gente se entristece, parecendo percorrer o caminho inverso. Perdem-se em lembranças — geralmente as ruins — ou agarram-se ao que lhes faz falta, enumerando numa imensa lista tudo aquilo a que tinham se proposto e deu errado, acentuando suas sensações de incapacidades; pensam insistentemente em quem partiu — de um jeito ou outro — e já não mais está.

Pessoalmente, lembro do meu pai — com saudade, não com tristeza. Lembrar dele com o segundo sentimento seria contraditório a tudo que vivemos a seu lado, inclusive nos natais: ele adorava as noites de dezembro, quentes e cheias de expectativas. Ele adorava, especialmente, a ceia: a mesa decorada, a toalha colorida, velas vermelhas, a casa cheia, luzes piscando. E muito o que comer e beber... Brindar...

Desejo que na noite de Natal todos tenham erguido suas taças — de vinho, refrigerante, água ou champanhe —, para festejar encontros, celebrar junto aos que estão presente, alegrar-se pelos seus — pelos que estão/estavam com você. Que tenham comemorado vitórias, as muitas conquistas. Desejo que o esquecimento do que pode turvar o olhar tenha sido prioridade na noite-luz.

Que cada um tenha se deixado ser feliz — nada mais. Centralizado a atenção nas pequenas coisas, na simplicidade. Que tenham rido e sorrido — e mais ainda: feito rir e sorrir. Tomara todos tenham se desarmado emocionalmente e chorado de emoção — lágrimas de alívio, de saudade, amor. Que tenham dispensado a dor. Pelo menos na noite dourada, que tenhamos deixado a leveza transbordar...

Que o Natal tenha sido uma noite feliz!

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Um comentário:

albir disse...

Debora,
que a leveza da noite transborde para todos os dias que se seguirão.
Beijos.