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Mostrando postagens de Maio, 2013

O TOM >> Carla Dias >>

A vida é assim...




Quando menos esperamos, faz com que esbarremos em uma situação, ou encontremos pessoas que, ainda que estejamos no nosso momento mais egocêntrico, diminuto no quesito gentileza, despertam-nos para um cenário inexplorado por nós, mas que certamente carece da atenção, até mesmo, ou talvez principalmente, dos distraídos de plantão.

Hoje eu teria vários assuntos para alimentar esta crônica: corre-corre danado no trabalho, problemas para me comunicar com os atendentes de clientes do plano de saúde, desejo gritante por cappuccino e pão de queijo, os episódios finais de temporada das minhas séries preferidas, receber a notícia de que talvez a Dave Matthews Band se apresente no Brasil, em dezembro.

Acontece que, ontem à noite, às voltas com a minha insônia de estimação, e passeando pela internet, li um post de um amigo de um amigo, de quem conheço um pouco do trabalho como compositor e cantor. O post, por si só, já me comoveu e me fez pensar em poesia. Porque eu tenho dessa…

EU FARIA ISSO? >> Clara Braga

Outro dia estava conversando com uns amigos e um deles contou sobre um lugar, não me lembro qual, no qual as pessoas quando chegam cedo no trabalho, estacionam distante da entrada, afinal, chegaram cedo, têm tempo para caminhar tranquilamente e chegar sem pressa. Dessa forma, as vagas próximas da entrada ficam vazias para as pessoas que chegam atrasadas, então elas estacionam perto e não precisam caminhar muito, apenas entram e já começam a trabalhar.
Claro que o comentário geral foi: nunca que isso aconteceria aqui em Brasília. Poderia até acontecer em algum lugar no Brasil, mas em Brasília, que já não tem vaga em lugar nenhum e você tem que improvisar estacionamentos? Jamáis!
Realmente, tá difícil algo do tipo acontecer por aqui, mas eu fiquei pensando que a gente tem mania de dizer que seria ótimo se algo desse tipo acontecesse, mas nunca vai acontecer, mas não pensamos no porque esse algo nunca aconteceria. O que precisamos mudar para que isso aconteça? Nós podemos fazer nossa pa…

AMÊNDOAS DOCES (CONTINUAÇÃO) >> André Ferrer

A primeira parte foi publicada em 13/05/2013. ACESSE. Boa leitura!

Diante da janela, tendo desejado que o sol perfurasse as densas e escuras nuvens exatamente como acontecia, Dolores Pilar se lembrou de que todas as mulheres da sua família descendiam de uma personalidade natural da Espanha, uma velha bruxa moura nascida no califado andaluz de Granada, último reduto árabe na Europa. Feliz, Dolores Pilar repetia consigo mesma: “Eu consegui!” Triunfante, concluiu que cada uma das peças necessárias tinham sido movimentadas com regularidade e perfeição. Inclusive a chuva que, a princípio, ela julgara um imprevisto, acabou se transformando no toque especial de toda a história; sem a chuva, o visitante ficaria na empresa, retido pelo verdadeiro cão de guarda que era Vilma, a esposa.
Dolores Pilar tinha conseguido.
Antes de acordar, ela já sabia. Todas as medidas a serem tomadas eram do seu pleno conhecimento e a manipulação dos elementos que a cercavam, enfim, tinha funcionado. Cada passo na …

O VALOR DAS COISAS >> Whisner Fraga

Uma mulher que caminha de saltos altos em seu apartamento, incomodando o morador do andar de baixo. Um senhor que briga muito com a esposa, acordando a criança no quarto de cima. Isso tudo em um prédio de classe média-alta de uma cidade na grande São Paulo. A história acaba assim: dois assassinatos e um suicídio e um bebê de um ano e meio chorando sem ter ideia do que acontecera.

Um rapaz vem do curso noturno que frequenta em uma universidade. Está perto de casa e fala ao celular. De repente um homem de capacete se aproxima e lhe pede o telefone. Ele entrega o aparelho e logo em seguida leva um tiro fatal. A moto está aguardando o criminoso, que foge calmamente da cena, certo da impunidade.

Fatos assim são rotina nas grandes capitais: São Paulo registra dez latrocínios todos os dias. Os motivos, muitas vezes, são banais. “Um dia de fúria”, comenta o delegado a respeito do primeiro caso. Diante das notícias que fazem o prazer dos jornalistas, temos medo de sair de casa. Na rua Guyanazes…

ERRO DE CÁLCULO >> Zoraya Cesar

Cidinha era apaixonada pelo patrão - assim como todas as demais empregadas da firma, que sonhavam em conquistar Dr. Roberto, com seus ombros largos, sua voz profunda e grave, um sorriso de anúncio de pasta de dentes. Caráter, esse ninguém conhecia direito. Se comia de boca aberta, se tomava banho todos os dias, se atropelava ciclistas, se jogava lixo no chão, ninguém sabia. Mas que era rico, bonito e mais importante que tudo, solteiro, ah, isso todo mundo sabia. 
Ela sonhava com o dia em que o Dr. Roberto a convidaria para ir à sua sala e a tomaria em seus braços, declarando-se perdidamente enamorado. Mas Cidinha tinha noção de que o chefe era muita areia pro seu caminhãozinho. Aliás, ninguém ali, em sua opinião, teria condições de amolecer o coração dele; nem mesmo a gerente, D. Sonia, que, apesar de fina e elegante, de falar línguas e ter o 3º grau completo, já passara há algum tempo dos 40 e usava óculos, estava fora do jogo. E Cidinha, definitivamente, não queria ficar solteirona…

SOBRE AMAR O MAR >> Fernanda Pinho

Eu não sei quando eu me dei conta de que amava o oceano Atlântico. Mas arrisco dizer que o amor veio no DNA, já que tanto meu pai quanto minha mãe são apaixonados pelos mar (a ponto de quando eu era pequena acreditar piamente que nas madrugadas das férias de verão minha mãe virava sereia).
Não é espantoso, portanto, que eu sempre tenha sido tão devotada a essa imensidão azul. Eu amo mergulhar no mar, dentro das minhas possibilidades de quem nunca aprendeu a nadar. Amo o cheiro salgado do mar e o sal impregnado na pele após o mergulho. Amo a eletricidade que percorre o corpo após o primeiro toque de uma maré nos meus pés. Amo olhar para o mar, de preferência à tarde quando está tudo quente e dourado e meu único compromisso é navegar pelas minhas ideias.Amo a vibração alegre e relaxante que o Atlântico estende sobre as cidades que têm o privilégio de serem banhadas por ele.
Amo e estou me sentindo culpada. É que depois de quase três décadas desse amor exclusivo acho que estou amando …

DO COMEÇO AO FIM DE NÓS >> Carla Dias >>

Começa simples, ainda na infância das emoções, quando as brincadeiras são realmente divertidas, porque a nossa capacidade de dialogar com o sorriso ainda não está presa às amarras dos acontecimentos da vida adulta, e ele acontece quando quer. Não que, com o tempo, tenhamos de perdê-la de vez, essa percepção que nos permite sorrir porque é bom, brincar porque o corpo tem de se divertir para alegrar a alma. É apenas uma questão da vida que acontece: na infância as emoções são soltas, permite-nos a ousadia espontânea, até mesmo a ousadia de amar sem julgar. E antes de nos apresentar às prisões da vida adulta, elas nos ensinam a arquivar sensações para que, quando nos faltar vocabulário emocional, revisitemos o início de nós mesmos e nos reconheçamos capazes de mais gentilezas do que andamos distribuindo.


Então, transforma-se... Transforma-nos a partir do nosso olhar. Sentimos o que enxergamos, mas nem sempre o olhar desnuda verdades. Às vezes, o olhar pinta por cima da verdade, como se …

MUITO CUIDADO!! >> Clara Braga

Para a alegria de muitos e revolta de outros tantos, CNJ aprova o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Para mim, o Brasil deu um grande passo positivo. Reconheceu que não pode ser contra a felicidade das pessoas. Mas muito cuidado, muito cuidado mesmo, com o que vocês forem ler daqui para frente. Principalmente aqueles que não estão muito a favor do que foi decidido.

         Ninguém vai ser obrigado a casar com pessoas do mesmo sexo! Atenção!!! Você, que quer continuar casado ou quer casar com pessoas do sexo oposto, você ainda é livre para fazer isso! Se você não quiser ir ao casamento de pessoas do mesmo sexo, você também não precisa, pode ficar em casa, assistindo televisão e ninguém baterá na sua porta te questionando o porquê de você não ter ido. Ah, melhor do que isso, ninguém vai te bater na rua, brigar com você, te ameaçar de morte, te olhar torto ou te fazer nenhum mal por você manter o seu casamento heterossexual.

          Pode parecer absurdo eu estar di…

X-TOUCINHO >> Mariana Scherma

Dia desses estava fazendo hora numa livraria e resolvi abrir um livro com “300 palavras em português – para estrangeiros”, a ideia do livro era facilitar a vida dos gringos ao falar “por favor”, “obrigado”, “quanto custa”, essas coisas de turista. Acreditei nisso até chegar ao bacon. Sabe como o livro ensina o pobre gringo a falar bacon? Toucinho. Isso aí, toucinho, sendo que bacon funciona muito bem no Brasil. Eu nunca pedi um x-toucinho. Você já? Foi aí que percebi que zombar o bem-intencionado turista era a função mais certa pra definir o livro.
Na hora, me lembrei de uma amiga que foi fazer intercâmbio em Sidney, na Austrália. Quando os amigos, cada um de uma parte do mundo, peguntavam como se dizia “oi, tudo bem?” em português, minha amiga explicava que era “e aí, o que que tá pegando?”. Obviamente, depois ela passava mal de rir ao recordar eles tentando falar essa expressão que, nossa, a gente usa todo dia... Só que jamais. Está um pouco no DNA do brasileiro fazer graça, contar p…

DO TOCA-DISCOS ÀS RUAS >> Carla Dias >>

Escutando Gracefully, do Vintage Trouble, no repeat.


Disseram-lhe, tantas vezes que não houve como não decorar, que essa coisa de gostar anda démodé, não rende futuro ou prazer. Que o ser humano nasceu para deflorar oportunidades, esbaldar-se em projetos concretos e definitivamente importantes para a evolução. E quanto mais essa evolução envolver poder, melhor.

Como seus pais cansaram de lhe dizer – aos berros e safanões – essa busca dele é tão tola. Se já o era quando ele ainda era menino, e tinha direito à ingenuidade, agora lhes parece um escandaloso atestado de incapacidade. E a vergonha que seus familiares alimentam por ele já não dói como doía quando ele era mais jovem, inexperiente em se valer da indiferença para proteger o que sempre lhe foi mais caro.

Quando começaram a chamá-lo destrambelhado das ideias, ele aprendeu que as pessoas sentem certo prazer em definir o outro, ainda que estejam completamente enganadas, que nada saibam sobre ele. Mas não se rendeu à tristeza que na…

ELES ESTÃO ENTRE NÓS >> Clara Braga

Semana passada, na minha crônica de terça, disse que não acreditava que vidas inteligentes viriam me buscar e me levar para um lugar com pessoas mais evoluídas do que as doidas que estão nos cercando nesses últimos tempos. Mas só para garantir, estava pensando em deixar sempre uma malinha prontinha só com utensílios de necessidades básicas, para seguir com eles, caso necessário. Eis que essa semana chegou até mim, para meu conhecimento, um vídeo muito curioso, e como eu não acredito em coincidências, decidi compartilhar esse momento com vocês.
O vídeo está disponível no youtube para aqueles que quiserem uma informação mais completa sobre o assunto, e se trata de um relato do ex-ministro da defesa do Canadá, afirmando com toda convicção que já existem mais de quatro espécies de alienígenas vivendo entre nós. E isso não é tudo, ele afirma saber que grandes poderosos do governo norte americano trabalham e tomam suas decisões com o total auxílio desses seres extraterrestres.
Minha preocu…

AMÊNDOAS DOCES >> André Ferrer

Ribamar ficou quieto. Ele costumava reclamar durante a visita mensal. Agitava-se todo enquanto falava da empresa, do baixo desempenho nos últimos trinta dias e da dificuldade que era manter uma filha na universidade. Naquela manhã, calou-se. No horário previsto, ficou onde estava, pálido e surpreso, metido num terno cinza; terno elegante, escurecido nos ombros por causa da chuva. Ele tinha sofrido um súbito impedimento depois que abriu a porta. Como de costume, entrou de uma vez no quarto da dona da casa, prendendo-se, naquela manhã, entre um jovem rapaz que ele jurava ter visto antes e Dolores Pilar.
“Este é o Cláudio. Lembra-se dele? Cláudio trabalhava na sua empresa. Muito bem. Agora é o meu ajudante aqui em casa e lá embaixo no café. Como já te falei: o valor da mensalidade aumentou.”
Ribamar observou o rapaz, tirou a carteira do bolso e apanhou o dinheiro em silêncio.
Deitada de bruços, o dorso à mostra, Dolores Pilar sorria. Estava feliz de verdade. Sinceramente feliz e relaxada em…

A BLITZ >> Whisner Fraga

Como se diz em Minas, não vamos nomear os bois. Até porque alguns bovinos, ao contrário do que atesta a ciência, falam e, como era de se esperar, escoiceiam. Não digo que não aumentarei, caluniarei ou mesmo inventarei alguns trechos do episódio, mas tudo é com uma intenção razoavelmente boa: a de melhor divertir meus leitores. Não sei se o autor das peripécias que relatarei lê jornais ou blogs e se esta crônica chegar aos ouvidos dele, já peço desculpas antecipadamente por qualquer melindre e se o texto agradar, peço ao amigo que me ligue para que eu possa lhe confidenciar o número de minha conta, para uma gorjeta qualquer.

Digamos que voltasse de uma festa que ocorrera nas cercanias de um sítio, em Uberlândia. Havia tomado umas tantas e outras mais. Ao todo, o volume de álcool lançado para dentro do estômago devia ser suficiente para tontear uns quatro cachaceiros de profissão. Não acho nem um pouco bonito o que ele fez, aliás recrimino veementemente essa atitude, mas o fato é que ele…

FLORES PARA UMA MULHER [Ana Gonzalez]

Quando a moça subiu as escadas da porta de entrada do ônibus, perturbada, não sabia o que fazer. Como passar pelas pessoas que se acotovelavam pelo meio do corredor? Ela tinha nos braços um grande maço de flores.
Daí que quando me propus a segurar o ramo, ela gostou porque teria tempo para resolver o que fazer. Enquanto eu o segurava, ela foi falar com o cobrador. Desceria pela frente do ônibus? Não haveria outra solução melhor ou possível. Insistir em ir por lugar tão cheio seria prejudicar as flores. Seria incomodar e provocar reações insuspeitadas nas pessoas já bastante apertadas entre si. Mais um ramo de flores? Nem pensar.
Quando me vi estava, no balanço do ônibus, equilibrando um buquê generoso de beleza e amor. Eram rosas vermelhas e pelo meio delas, folhagens e outras flores pequenas e brancas. Foi assim que durante o longo percurso até o destino da dona, mantive o ramo no colo. Agradável sensação de leveza e perfume. Deu tempo para conversar um pouco. Chegando pela manhã ao lo…

O GOSTOSÃO >> Zoraya Cesar

Sempre que Kleber mirava-se no espelho suspirava de satisfação com sua própria imagem, qual Narciso desavisado. Via músculos trabalhados e fortes, cabelo cortado seguindo a última tendência da moda entre os jogadores de futebol, peito largo, sorriso de dentes brancos e reluzentes. Como resistir a tamanha beleza?
As poucas rugas e o leve grisalho nas têmporas davam o tom certo de respeitabilidade que as mulheres mais jovens procuram em homens mais velhos, segurança, força, estabilidade financeira. Ele transpirava isso tudo, as mulheres farejavam. Andavam atrás dele como perdigueiros atrás da lebre, dizia o irresistível Kleber aos quatro ventos, um verdadeiro galã de novela das oito, acreditando-se um Tarcísio Meira (sei que existem novos galãs, que Tarcísio Meira sequer trabalha em novelas atualmente, que a maioria de vocês nem o conhecem, nunca o viram mais gordo, mas não me culpem. São as palavras e impressões do Kleber, não minhas).
Dizia fazer sucesso com mulheres de todas as idad…

PRIMOS DE PRIMEIRA >> Fernanda Pinho