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Mostrando postagens de Julho, 2019

SIGNIFICAÇÃO >> Carla Dias >>

Meus pensamentos não querem mal a você. Quem sabe até eles se encaixem nos seus, formando assim uma daquelas conexões improváveis, porém afortunadas.
Quer dar a eles uma chance?
Minha inspiração não se assanha com a vida porque quer ofendê-lo. Ela escorrega pelas ruas dos sentimentos. É temperamental, abusadamente libidinosa. Não é de distribuir ofensas, mas de cometer deslumbramentos.
Quer escutá-la?
Minha crença no outro é iludida diariamente. Ainda assim, não consigo ignorá-la, porque quando acontece de ela ser real –  leal –, a miséria se torna algo que somos capazes de combater. Miséria da fome – de tantas fomes. Miséria da compreensão – de tantas compreensões. 
Quer experimentá-la?
Minhas batalhas em nada têm a ver com a sua derrota. Não construo conquistas nos ombros dos desesperados. Quando o desespero é meu, eu o carrego até ele desistir de mim. Também acontece de eu desistir dele. 
Quer compreendê-las?
Minhas palavras não se combinam a fim de desmerecê-lo. Na verdade, elas …

MÃE EMPREENDEDORA >> Clara Braga

Atenção, atenção! Você está cansado de perder seu tempo com dietas da moda que te fazem perder muito peso rapidamente e ganhar tudo em dobro logo no mês seguinte? Já perdeu as contas de quanto dinheiro gastou com mensalidade de academia que você nunca frequentou e ainda renovou a matrícula quando ligaram oferecendo uma super promoção só para evitar o peso na consciência, afinal, de pesado já basta você?
Pois seus problemas acabaram e essa crônica não é uma propaganda de produtos tabajara, é mais um relato real de uma mãe tentando ser empreendedora e criando a nova modalidade que promete ser revolucionária: CROSSFILHO!
As vantagens do CROSSFILHO são: você não precisa sair de casa para praticar, aliás, dizem até que é mais eficiente dentro de casa mesmo; você não paga mensalidade; e o melhor de tudo, mesmo que você tente, não tem como faltar a aula e simplesmente deixar de praticar.
Nessa modalidade revolucionária fazemos exercícios como agachamento de brinquedos, que nada mais é do qu…

NO MUNDO DA LUA >> Albir José Inácio da Silva

Há cinquenta anos, em meio a chuviscos e ruídos da tv a preto e branco, o homem pisou na lua, mesmo que alguns não tenham acreditado e até hoje não acreditem.
Mas aquelas imagens não assombraram meus olhos infantis, habituados que estavam à série “Perdidos no Espaço”, narrativa pródiga em cenas de planetas distantes, espaçonaves e extraterrestres amigos ou inimigos.
A nave em que viajavam – Júpiter II – era mais avançada que a Apolo 11. O painel, entretanto, era decorado com lâmpadas coloridas, de bulbo – dessas que já não se fabricam mais.
A realidade imitando a ficção ajudavam a me manter no mundo da lua e eu aterrissava raramente e só de passagem pelo ano da graça de 1969. Enquanto o mundo assistia, além da alunissagem, ao recrudescimento da guerra do Vietnã, ao Festival de Woodstock e ao horror do assassinato de Sharon Tate pela família Manson.
No Brasil também, enquanto se comemorava o feito norte-americano, um “grande salto para a humanidade”, e voávamos nas asas da ficção das …

REENCONTRO EM FAMÍLIA >> Cristiana Moura

O PORTEIRO >> Zoraya Cesar

O prédio era antigo, estilo art déco, grandioso, decadente, e Valdo se apaixonou por ele no instante que subiu o primeiro degrau. Sentiu como se nunca mais fosse sair dali. Quem o recebeu foi o zelador, a quem iria substituir.
— E aí, tudo bem? Preparado pra pegar no batente? — perguntou o chefe dos porteiros, olhando-o de alto a baixo. Valdo era pintosão, cara de paraíba macho, daqueles que falam pouco, forte e caladão. Era o tipo certo, pensou. — Entende de encanamento, serviço de pedreiro, essas coisas? Esse prédio é velho, vive dando encrenca. 
— Sei sim senhor, respondeu Valdo, sem mentir, olhando embasbacado a beleza em volta. 
Poucos dias depois, antes de se despedir, o zelador segurou no braço de Valdo, olhou bem pra ele e sussurrou: o segredo para ficar no emprego é a síndica, rapaz, ela tem de gostar de você, entendeu? Ela tem de gostar de você! 
Valdo estranhou, é claro que a síndica tinha de gostar dele, era a patroa! E foi tratar da vida. Já conhecia todos os moradores, …

SOBRE AS PATAS>>Analu Faria

A melhor aquisição que fiz nos últimos tempos foi um par de tênis desses da modinha, confortáveis e sociais. Eu não sou a maior fã de aderir a essas coisas, mas o sapato era uma delícia no pé e bonito demais até para a resistência psicológica (um tanto infantil) de diferentonas como eu. A outra melhor coisa que tive por estes dias - sem, contudo, adquirir, por óbvia impossibilidade  - foi tempo.
Eu moro há duas quadras do trabalho. A uma distância igual fica o supermercado do bairro. Há uma padaria praticamente do lado da minha casa, e uma rede de farmácias abriu uma filial em frente àquele supermercado. Tem também um hospital veterinário a uns 200m daqui, caso as verdadeiras donas deste apartamento (duas gatinhas resgatadas)  resolvam ficar doentes. Tanta necessidade satisfeita com alguns passos e eu nunca havia caminhado pela vizinhança, nem quando precisei  comprar comida ou remédios. Dia desses, porque os sapatos novos já se tornavam os meus favoritos para qualquer ocasião, e por…

SÓ QUERIA ESCREVER UMA CARTA DE AMOR >> Carla Dias >>

Não o culpem... o olhar perdido, a postura de quem não aguenta mais ter de aguentar sabe-se lá o quê. Deve ser difícil ser ele. E aposto que nenhum de vocês gostaria de interpretar esse papel.
Não. Definitivamente, não.
Ele mesmo não gostaria, mas não tem escolha. Esgueira-se por essa biografia distorcida, tendo de engolir o que de fato pensa, porque a vida, o trabalho e o acesso às oportunidades exigem, e ele, assim como eu e você, tem de sobreviver. 
Antes que me esqueça, sou eu novamente, o narrador intrometido.
Contudo, não deduza que se trata de um rebelde sem voz, porque ele alimenta suas silenciosas rebeldias com promessas que irá cumprir, simplesmente por não conseguir enxergar-se no mundo sem cometê-las. Talvez as cumpra num grito, só para provocar os que apostam que ele é vazio de importância. Elas podem parecer insignificantes para você, mas não para ele. Elas alimentam seu espírito com frondosa esperança, daquelas que mudam o rumo de roteiros de vida pré-definidos, e, adi…

ESPERANDO O ÚLTIMO EPISÓDIO >> Clara Braga

Lá estávamos nós tentando comemorar nosso aniversário de casamento/namoro/todas as datas que comemoramos no mesmo dia para não ter problema de esquecer. Sentamos em um café que gostamos muito e jurávamos que estávamos em uma das mesas mais tranquilas do estabelecimento.
Ainda enquanto olhávamos o cardápio, a moça na mesa de trás recebia um homem que se desculpava por ter chegado atrasado. Como eu sei disso? A voz do homem era bem grossa e bem alta. Começaram a conversar e nós ficamos curtindo nosso raro momento a dois. O problema era que toda vez que o homem ia falar, todas as mesas ao redor pareciam ser obrigadas a participar da conversa. E para melhorar, ele tentava convencer a moça a não terminar o relacionamento com seu amigo.
A moça, por sua vez, falava baixo e, no início, não estávamos escutando o que ela dizia. Conforme o tempo foi passando ela foi se alterando e começou a falar alto, afirmando que estava decidida e que nada que ele falasse iria fazê-la mudar de ideia, pois es…

variações sobre tema já escrito (ou vento amigo revisitado) >>> branco

há tempos
éramos tão amigos
mas esta criança cresceu
ela agora se ajoelha e reza
perdeu a amizade com o grande Pai

livrando-me de todos os sonhos
para poder viver a realidade
nem mesmo o canto desse vento
me faz companhia
já não somos tão familiares

muitas eras passadas
em tão poucos anos
neste espaço - que antes era nosso -
vim apenas para me despedir

espíritos e deuses da floresta
percebo que ainda estão aí
pelo vento amigo que balança
as folhas das árvores
sou apenas o homem que observa
e percebe que perdeu o jeito

espíritos e deuses da floresta
sei que ainda estão aí
pelos movimentos quase imperceptíveis
entre os galhinhos e girassóis
sou apenas a criança que cresceu
e acabou perdendo o jeito

vente vento
venta ventando
desarrume meus cabelos
apascenta meu coração

FÉRIA >> Fred Fogaça

Fosse pela féria, às circunstâncias, adiar um Crônica, não faria jus a imediates. Meandra ao que se encavala confuso, que me entrega a cabeça ao espírito mundano, há uma percepção caseira que rodeia ratazaneira pela encrosta dos costumes do tempo. 
Provável, à difusão que me atribuo, ápice da linha meridiana, plena feira sexta da graça de deus, que me avarie de outras discordâncias pouco relacionados a minha empresa.
Porque tenho pouco tempo, e os dias em que debruço às desgraças correm em minha direção.
Me retenho um momento dos entorpecentes suaves dos nossos dias - em que um aparelho móvel é o seu antro. Não olho as casas por dentro a tanto. Não tenho escutado suas histórias o que dizem: qu'eu não tenha me dado a essas ruas, não seja esse um motivo, antes minha lembrança que eram muros. Muros que corriam os quarteirões fugindo dos passantes, amedrontados às ameaças que a noite não guarda pra si.
Qual minha surpresa a realidade é repleta de grades.
Há cores que se repudiam em t…

FLIPANDO >> Sergio Geia

Reservando um espaço oceânico para a literatura na dimensão de minha vida, é óbvio que não poderia deixar de dar uma espiada em Paraty, neste julho de Flip. 
Era uma sexta-feira, mais fria pela manhã, quente ao passar das horas, luz clara que só vejo na estação mais fria do ano, céu cem por cento azul. 
Na Casa Folha, tentei encontrar um lugarzinho à janela para ouvir Ruy Castro que, acompanhado de sua esposa, a também escritora Heloísa Seixas, falavam para uma plateia imensa e interessada. 
O bacana em ouvir Ruy é que ele tem o dom de transformar suas entrevistas ou encontros como aquele em um bate-papo divertido, como se nós fôssemos seus amigos de intimidade. Pode ser um evento como a Flip, uma entrevista para o Metrópolis ou para o Bial, é sempre esse o tom, de boa prosa — só faltou o café? —, papo delicioso como um perfumado bolo de fubá, daria para ficar horas ouvindo Ruy. Abusando de sua memória prodigiosa, certamente ele nos contaria coisas sobre a bossa nova, João Gilberto, …

MONSTROS >> Paulo Meireles Barguil

 Nos primórdios, quando se supunha que a Terra era o quintal do Céu, as entidades divinas eram veneradas, por isso recebiam oferendas com frequência. Antigamente, quando se acreditava que a Terra era plana, os monstros marítimos eram temidos, por isso a navegação se constituía num ato de bravura. Atualmente, quando se sabe que o Sistema Solar está no subúrbio da Via-Láctea, a qual está em algum ponto perdido do Cosmos, os monstros terrestres estão indóceis, por isso não há presentes suficientes para acalmá-los, nem coragem bastante para enfrentá-los. Há algo que podemos fazer?
[Foto de minha autoria. 05 de junho de 2019]

GERMINAÇÃO >> Whisner Fraga

Há uma perplexidade confinada. Um alívio, um véu de audácia, espreita a melancolia difusa. Em ebulição.
O que você está fazendo?
Vem ver o que faço! Apanho a mão de sete anos, que cobra o passeio. No pomar, uma nova muda de murici se espreguiça na sombra. Uma manta de folhas se irradia sob nossos pés. Uma brisa inestancável se apodera dos galhos.
A menina vê um broto e reconhece o desmazelo da vida. A menina se agacha e acaricia a folha moribunda. A menina quer um carinho que dome a repugnância do tempo.
As oliveiras deserdam a estranha revolta dos frutos. [Não querem florescer, Não querem compromisso com ciclos, Não querem o atrevimento da coerência e da lógica.]
A menina revira a áspera ausência da terra. A menina se tinge com o magma da identidade. A menina reconhece a paciência se insurgindo contra a brutalidade.
A vingança coberta por uma camurça de bruxarias, Uma tarde a entrançar tempestades.
Primeiro foi o rasgo, Depois o calcário, O adubo, A planta se encaixa, A planta se es…

TRANSPARÊNCIAS >> Carla Dias >>

Quanto do mundo cabe em você?
Das vigorosas verdades às vedetes-mentiras. Do submundo da pele reverberante, arrepiando-se pela sinfonia de entusiasmos atrevidos, apesar da indiferença de quem a açula. Do desânimo inspirado pelas tardes vazias, que, de repente, é preenchido pela ousadia da ansiedade.
Quer algo mais rebelde do que sentimento a contradizer o esperado? 
Quanto de vida há em você?
Ao descartar as camuflagens, despir-se da diplomacia e andar pela rua da amargura, pés nus dispostos a amaciá-la, até que reste nada da desventura que ela fomenta. Até que a maciez da tristeza teimosa se hospede no seu dentro, como se nele ela tivesse sido parida.
Quanto de liberdade você acolhe?
Apesar das correntes que você arrasta - há uma biografia! - e das frágeis esperanças a pajearem insinuantes invencionices criadas para adornar desapontamentos. Dos olhares desviados, que eram esperanças criando espaço para acontecimento, mas você nem se deu conta. Acredita que eles são insultos da reali…

MINDSET >> Clara Braga

Outro dia, por indicação de uma amiga, fui assistir a uns vídeos de uma coach financeira. Entre informações que não entendi e dicas interessantes, fiz uma descoberta preocupante: não sou milionária por culpa minha! Mais especificamente, a culpa é de um tal de mindset (uma das informações que não entendi direito) que eu não programei para milionária, o meu ainda deve estar no modo “financeiramente ignorante”.
Esses vídeos me levaram a outros (como tudo na internet), e fui descobrindo informações ainda mais preocupantes. Tudo na vida parece ser culpa desse tal de mindset que está mal programado, por exemplo, meus medos são um mindset mal programado. Se eu subo em um lugar alto e fico com as pernas tremendo, é porque eu não falei pra esse mindset deixar de ser frouxo, entendeu?
E se você acha que parou por ai, eu te digo que você está muito enganado, se você souber programar seu mindset bem bonitinho, vai começar a co-criar as coisas. Levei um tempo para entender o que é co-criar, mas a…

SABE OU NÃO SABE? >> Albir José Inácio da Silva

Sabe o Dito - Benedito de batismo, Bindito pra mãe e maldito para os demais - que deve ser a sétima geração desde que chegaram ali. E sabe de maneira muito mal sabida porque ninguém gosta de contar e as histórias misturam os ascendentes.
Sabe o Dito que nasceu livre, mas os primeiros tinham sido cativos até serem alcançados pela bondade da princesa. Há cento e trinta anos carregam essa liberdade e Dito sabe que tem de ajudar a carregá-la porque já nasceu com ela.
Sabe que vieram de muitos lugares depois da liberdade e traziam fome, trouxas, filhos e barrigas. E outros vinham de guerras, crimes, perseguições e ameaças. Fugiam de grilagens, dívidas, maridos, polícias e amores proibidos.
Sabe que foi assim que chegaram naquela pirambeira que ninguém queria, cheia de pedras, espinhos e favas. E continuaram chegando porque cabia todo mundo e todo mundo estava no mesmo barco. E ergueram galhos, caixotes e panos que desafiavam o vento. Carregaram água de barro e ferrugem que nem pra sede ch…

MUDANÇAS E PANELAS >> Mariana Scherma

Foto: Pinterest
Mudar de cidade, de emprego e, consequentemente, de vida não é das tarefas mais simples. Vamos começar pelo fato de chegar em uma casa que não é sua, que você não decorou e não encheu com suas coisas. As panelas são totalmente desconhecidas, o fogão é estranho, a geladeira também, assim como o sofá.Morar com móveis de outros dá a impressão de que a vida não é exatamente sua.
Mas também liberta de algumas coisas. A faxina que, antes era minuciosa, é feita de forma tranquila, sem muito exagero, porque nada é muito seu. Se estiver agradável, já está ótimo! Você está livre do apego com as antigas coisas, a questão é que isso deve ser lembrado constantemente. Cozinhar em panelas estranhas é uma aventura, assim como ter que usar marcas de ingredientes nunca antes vista.
Os hábitos é o que mais pegam. A rotina acaba entrando no eixo, mas alguns prazeres ficam meio adormecidos porque você está se adaptando. Escrever, por exemplo. Eu adorava escrever minhas bobagens (e sumi a…

SOBRE MEU NOVO FLERTE E A COMUNICAÇÃO VIRTUAL ou EU ODEIO O WATSZAPP >> Cristiana Moura

Era sexta-feira à noite, uma ansiedade gostosa daquelas que fazem cócegas no estômago. Um primeiro encontro já já. Não importa o tempo vivido tampouco nossas idades. Primeiro encontro é sempre primeiro encontro, com direito a todas as sensações conferidas como exclusivas dos adolescentes. Vestido preto, colar africano em cores vibrantes concedendo um ar estiloso ao visual quase básico. Sapato amarelo mostarda para equilibrar as cores. Eu estava quase pronta. 
Mas voltemos um pouco no tempo. Minutos antes de começar a me arrumar eu contava sobre o novo flerte e o encontro de futuro próximo à Inez. Ela está em um congresso sendo feliz em Brasília e minha contação se deu via áudios de watszapp. Eu disse que já o conhecia há algum tempo, que nos reencontramos na padaria aqui perto de casa dia desses, que ele é culto, conversa sobre arte, literatura coisa e tal, e que havia me convidado para tomar um vinho o que aconteceria naquela noite.
Quando dei-me conta, Deus do céu, eu havia enviado…

SORTE NO JOGO, NEM TANTO NO AMOR- 2a parte – Uma aventura do Detetive sem nome >> Zoraya Cesar

Link para a 1ª parte: Vivendo desse jogo e sobrevivendo às suas armadilhas há muitos anos, ainda me disponho a correr riscos. Sempre por uma mulher, claro. Como sei que a vida é curta, e, ao que parece, Sabrina também, não perdemos tempo e, naquela mesma noite em que nos encontramos no bar – e em muitas, depois -, fomos para a cama. Eu continuava a investigar de onde provinha o vazamento de informações na empresa de meu contratante. E vou repetir até que não restem dúvidas: espionagem industrial, na vida real, é muito mais suja do que mostram os filmes.

Depois de algumas semanas, concluí que o vazamento não vinha dos empregados, mas, sim, de alguém bem próximo ao meu contratante (ele não acreditou. Nunca acreditam. Entendo. Também sou sentimental). Eu tinha de solucionar logo o caso, tenho um histórico impecável a zelar. Mais uma quebra de sigilo e os acionistas fugiriam da empresa. Não vou cansá-los com os detalhes das minhas investigações, voltemos ao meu envolvimento com Sabrina, mu…