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Mostrando postagens de Maio, 2019

IMPRESSO NO CORPO>> Cristiana Moura

Era um evento lindo — Festival Internacional de Arte de Rua de Lyon. Eu estava eufórica de tanta
beleza! Grafites adentrando-me o corpo todo pelo olhar. Cores e formas doando -me sua vitalidade.
Havia três tatuadores de plantão no festival. Sempre pensei que tatuagem há de ser algo muito pensado. Vejam bem, não é uma decisão banal. Fiz minha primeira tatuagem após os quarenta anos de idade. Decidi a imagem que queria em minha pele e, Tereza Dequinta desenvolveu. Gostei, mas ainda queria mais movimento. Ela a refez e ,de repente, foi como se Tereza tivesse entrado em meu pensamento e transformado meu sonho em gestos leves gravados em linhas — arte para minha pele.
Mas era um festival. A experiência de intercâmbio pós juventude a criar uma bruma leve nas possibilidades temporais dos possíveis. Sou impulsiva. Mas não para tatuagens. Estas a gente cria devagarinho como a obra de Tereza em minhas costas.
— Vou fazer uma tatuagem! — Pois vou filmar tudo — disse Shana, uma recém amiga e ót…

OS ESPERANTES >> Zoraya Cesar

O restaurante funcionava no último andar de um prédio comercial – prestigiadas bancas de advogados; cassinos clandestinos para clientes classe AA; agências internacionais de detetives; médicos que cobravam mais de três mil reais a consulta; start ups de informática high tech; filiais de empresas off shore e outros movimentadores de dinheiro, nem sempre legais -, e ficava aberto 24 horas. Sua decoração era requintada, em tons escuros de madeira, mármore, ferro batido. As toalhas e guardanapos eram de linho, louça da Wedgwood, copos da casa Bormioli Rocco. Mais clássico, impossível.
Poucos sabiam de sua existência, parecia a fachada de um grande escritório. Mas era como um clube - com o já citado restaurante, sala de leitura e descanso, biblioteca - e dos mais reservados, frequentado apenas por sócios indicados por outros sócios. 
E quem eram essas pessoas? Se dissermos "qualquer um que...”, estaríamos incorrendo num erro de definição. Ninguém naquele clube poderia ser classificado c…

BRASÍLIA>>Analu Faria

Nesta cidade, povoada por espaços vazios e carros Ninguém sabe se fazemos o que fazemos por vocação ou por tédio
A moça escreve uns poemas
Com dois mil adjetivos em cada estrofe
(Me dá sono no terceiro verso)
Um diabo criar ausências com enfeites

Todos aqui têm concreto nos olhos. É tudo muito bonito, não fosse a falta de gente na rua. Parece até que um bruxo, ou um daqueles anjos tortos, do Drummond, esconde os vivos nas frestas por onde passam as curvas de Niemeyer. Nesta cidade de ideias grandes, que difícil talhar no monumento a simplicidade eficiente, o aconchego sem muito dengo o saber do caminho longo, o alívio do sorriso aberto. E dá-lhe drops de humanidade nos viadutos: "Mais amor, por favor". (O coração da cidade, enfim, bombeia. A seca de julho não nos mata este ano).

O ETERNO >> Carla Dias >>

O eterno dura o tempo do desejo. 
Quando não se alimenta esse desejo, morre o eterno, lamentando ter sido iludido pelo efêmero. Engana-se quem acredita que desejo é algo que se mantém por conta. Talvez, no primeiro momento. No segundo, já pede por certa dedicação para manter a fluência. Na maioria dos casos, morre de inanição. Alimentar desejo demanda tempo, que é uma das moedas mais valiosas da contemporaneidade, e atenção.
Andamos apegados à arte da distração.
Tornamo-nos distraídos contempladores de vazios.
Como este que encaro, um copo de água na mão, uma ruga de desamparo na testa, uma agonia reverberante melindrada por silêncio indigesto. Encaro sem enxergar, ansiosa para que acabe logo esse mergulho em slow motion que ofereço ao que em nada me interessa.
Não me importo mais com espectadores. Não valso mais para satisfazer cultivada necessidade de me tornar necessária ao olhar deles. Não temo mais que me esqueçam em um canto de achados por acaso e perdidos por escolha.
Não sei …

CADA UM COM SUA EMERGÊNCIA >> Clara Braga

Recentemente tive um problema de saúde e precisei ir à emergência do hospital. Emergência é sempre um saco, muito cheia, sem o especialista necessário e você leva mais de hora para ser chamado para ficar dois minutos olhando para a cara do médico.
E dessa vez não foi diferente, esperei 1hora e 40minutos até ser atendida e não precisei ficar nem 5 minutos com a médica. Ela me avaliou e mandou logo para a sala de medicação. Como a sala estava muito cheia ela pedia que os pacientes entrassem sozinhos e os acompanhantes aguardassem de fora olhando pela enorme janela de vidro que havia na frente da sala.
Lá fui eu, entrei e fiquei conversando por mímica e whatsapp com minha mãe que ficou olhando pelo vidro. Minha mãe é sempre muito tranquila, se sentou de forma que eu só via sua cabeça, quase se perdendo entre a quantidade de pessoas que aguardavam em pé e coladas no vidro.
Vinte minutos se passaram e nada da minha medicação chegar. Conforme o tempo ia passando, as pessoas lá fora parecia…

poema 47 >>> branco

ela chega de maneira imperceptível
como se nenhum mal - ou bem - fosse causar
uma vez retira-nos a inocência
outras
oferece-nos a magia

a mão que atira a pedra
é a mesma que acaricia em perdão
o dedo que puxa o gatilho
é o mesmo que aponta a direção

ela nos traz amargas - ou doces - lembranças
de acertos - ou erros - cometidos no passado
uma vez deixa-nos em desassossego
outras
oferece-nos a felicidade por um sorriso recebido

os olhos que transmitem o ódio
são os mesmos que permitem chorar
a boca que ultraja e fere
é a mesma que nos deseja paz

ela tem o rosto esculpido em pedra
e de flor teimosa nascida no asfalto
uma vez é a frieza do mármore
outras
uma tarde feliz de verão

o coração que não retrocede
é o mesmo que sente remorso
a mão que assina a sentença
é a mesma que escreve um poema

ela chega de maneira imperceptível
desde o mais recém-nascido dos dias
uma vez nos deixa passivos
outras
em revanche

a alma condenada
é a mesma que está liberta
a pena do assassino
é a mesma do inocen…

VERDE DESESPERO >> Fred Fogaça

Tenho adornado minha casa com urgência. Atulho os cantos de flores e folhagens e cubro o chão de tapetes, escondo as rugas da estrutura com fotos e artes amigas; troco as lampadas frias, muito claras, e privilegio as luzes indiretas. Interrompo passagens livres com cortinas e anteponho às portas, detalhes pendurados na madeira. Faço estantes, crio espaços, embalo os sinais de velhice dos móveis com estampas, apostando o aconchego no espaço que diminui entre as camadas com que cubro a realidade. Mas, longe disso, as paredes rugosas não negam em seu verde certo desespero.

Não estou preso a casa, há sempre opção. Mas a esse ponto da minha solidão por esses cômodos, não são mais só concreto, ferro e madeiras, já partilho o aluguel com as minhas memórias. Não há questão moral que desqualifique alguma falta de sorte,  mas como poderia abandonar os fantasmas de tão fiel outrora? Ainda há questões práticas: com o tempo você se expande em partes que não cabem no seu corpo. Como me desfaria de…

O MENINO >> Sergio Geia

Era o último da fila. 
A padaria, naquela manhã ensolarada de domingo, bombava. De repente, vi o menino chegar à porta, entrar e parar na frente daquele que pagava o seu desjejum:
— Vô, o senhor me leva pra assistir Vingadores: Ultimato? Me leva, vô? 
Era um garoto de pouco mais de cinco anos, que na sua tenacidade eloquente, como se assistir ao filme fosse a coisa mais importante de sua vida, e ainda que fosse novato no uso das palavras, dirigia-se ao avô com olhar de espanto, força, vigor. 
E como o avô sequer respondia, limitando-se a cafunés esparsos em sua cabeleira, ao tempo em que prestava atenção à moça do caixa que enumerava os componentes da conta, ainda completou:
— Vô, no Vingadores: Ultimato tem o Homem Aranha, vô! O Homem Aranha é bom! Me leva, vô, no cinema, pra assistir os Vingadores: Ultimato? 
Pobre vô, pensei, na minha inocência de quem não sabe nada da vida. 
Na certa tinha coisa mais importante a fazer. Talvez achasse que a tarefa seria mais indicada para os pai…

A VIDA NÃO É UMA EQUAÇÃO >> Paulo Meireles Barguil

  Apesar de sabermos que a vida não pode ser controlada, fazemos o possível para que ela siga por caminhos que nos sejam agradáveis. Planejamos o que gostaríamos de fazer nas próximas férias, apesar de ignorarmos se estaremos vivos amanhã; aconselhamos, mesmo quando não solicitados, as pessoas a agirem de determinada forma; orientamos os filhos, a despeito de eles nos fazerem caretas internas, quando não são externas!; amarramos a planta num esteio, para ela não crescer torta. As nossas intenções são as melhores possíveis, pelo menos acreditamos nisso e bradamos com estrondo, mas os resultados podem ser funestos, principalmente quando eles aparecem e não há nada para remediar. Nunca saberemos, a priori, os resultados das nossas ações.

Talvez, nem a posteriori!

Ademais, é impossível determinar se elas foram as únicas responsáveis pelo ocorrido...

O mamoeiro era novo e frágil e decidi atá-lo numa escora para que ele não vergasse com a ação do vento. O tempo passou, ele ficou mais for…

EU NÃO SOU O FRANCISCO! >> Paulo Meireles Barguil

Há mais de uma década, adquiri de uma operadora uma linha telefônica. Durante os primeiros anos, era raro receber uma ligação errada. E, então, não sei bem quando, começaram me contactar: — É o Francisco que está falando?

— Não. Esse número não é dele. — Você o conhece? — Não. Sou proprietário desse número há vários anos. Eu, tolamente, imaginei que, após alguns meses, essa situação iria cessar. Qual nada! Agora, eu recebo, semanalmente, mensagens de diferentes origens me convidando a negociar débito: Cartório Leapoldino, Chorachuelo, Inativos S/A, NETI, Pedrapeva,  Prefeitura de uma cidade... Ah, não pense que as ligações cessaram. Contra elas, adotei uma atitude drástica: não atendo quando o número é desconhecido. Ou seja, para algumas pessoas, eu também não sou o Paulo! [Crônica referente a 26 de abril de 2019, a qual não foi inserida nessa data porque eu esperei, inutilmente, o Sergio Geia, que é o Editor do Crônica do Dia, me escrever para saber o motivo de eu não ter publicado…

DE ONDE VIRÁ A RESPOSTA >> Whisner Fraga

O medo atocaia meus passos que namoram a fuga.
O medo me cerca e os holofotes da cidade balbuciam uma claridade que confunde.
O medo é uma sombra corpulenta a abraçar tudo em volta.
Os amigos procuram no catálogo a garrucha mais eficaz e enfeitiçam a ilusão.
Os amigos, de um minuto para outro, não aceitam mais que o medo assuste, mas a pontaria falha e eles trancam a casa.
Os dedos sapateiam barbaramente sobre a tela de um celular, compartilhando o medo.
Os amigos me acusam de não pactuar com a traição.
O medo entra e se senta, liga a tevê, se ajeita no sofá e me pede uma cerveja.
Os amigos já não reconhecem mais a mentira, mas sabem o preço das coisas. Às vezes desconfiam que o preço das coisas pode ser mentira.
Tenho medo que me enganem e me convençam que é melhor a desordem.
Tenho medo que me arranquem o medo e que o substituam por uma arma.
Tenho medo desse novo diálogo.
Tenho medo que alguns amigos se convençam que a fome é normal e que isso se chama justiça. E que a bala medie …

DINÂMICA DO AMOR INEXISTENTE >> Carla Dias >>

Bebe dele as desculpas esfarrapadas. Aceita dela as frequentes desfeitas. 
Encontram-se na sala de estar para discutir pendências. Nunca foram bons com as verdades, tampouco com aquelas que se embrenham em sentimentos. Acontece de verbalizarem ofensas descabidas. 
Há o quando se toleram e o quando assumem seus papeis de antagonistas. 
Apreciam-se no silêncio, porque nele é admissível abrandar o outro. Amam-se à distância, que dessa forma é possível ignorar o que os irrita um no outro. 
Permanecem juntos, cada um no seu abismo. 
Soletram prioridades vazias. Decoraram frases com as quais se movimentam pela rotina. Há dias em que se encontram nas decisões compartilhadas. Outros, nas urgências tecidas pela vida. 
Não que falte afeto. Não que falte respeito. 
É que entre eles sempre esteve o vazio. 
Apreciam profundamente a ausência um do outro. Seguem sendo quem não são em benefício de ninguém. Gastam vida na conexão que nunca tiveram. 

Quase sempre, sentem saudade de quem nunca foram ju…

MULHER COMUM >> Clara Braga

Sempre admirei muito minha mãe, minhas avós e todas as mulheres da família. Para mim, todas se encaixam no estereótipo que é massivamente exaltado em datas como dia das mães: trabalhadoras e batalhadoras que conseguiram administrar todas as obrigações enquanto ainda cuidavam de seus filhos.
Sempre que diziam que as mães é que são verdadeiras mulheres maravilhas eu concordava sem pensar duas vezes. E digo mais, tomei esse estereótipo como um objetivo a ser alcançado quando me tornasse mãe.
Eis que meu filho nasceu e eu percebi algo que deveria ser óbvio, mas como não é tão romântico quanto ser a mulher maravilha as pessoas fingem que não veem: por trás da imagem de super heroína existe uma pessoa comum, que provavelmente está muito cansada, que fica frustrada por não dar conta de todas as atividades que precisa cumprir, que abriria mão de todos os títulos para ter mais tempo com a família e, porque não, mais tempo para si, só para si!
Com a proximidade do dia das mães, de novo começa…

PAI, PERDOA-LHES - final >> Albir José Inácio da Silva

(Continuação)
Quando ouviu pela primeira vez a promessa de liberação de armas, não teve dúvidas, decidiu ali o seu voto. E fez campanha, distribuiu santinhos, ensaiou mesmo alguns discursos em nome do direito à legítima defesa para os que viviam ameaçados, “já que os bandidos tinham armas e o cidadão de bem, não!” E veio a vitória e a posse. A vida ia mudar, teve certeza.
Mas estava demorando a mudar. Ainda em Janeiro, Amâncio perdeu o emprego. Lá também começaram a chamá-lo de Amanco e ele explodiu. “Por sorte”, pensou, “já tinha juntado o dinheiro para realizar o sonho”.Não um revólver qualquer, raspado, comprado da mão de criminosos – criminosos que mataram seu pai! Queria uma arma honesta, com registro, autorização, que não precisasse esconder e de que pudesse se orgulhar como faziam os antigos com o relógio de estimação.
Nem por um momento, Amâncio achou que teria problemas na aquisição. Puxava do bolso, orgulhoso, uma carteira profissional com várias anotações de trabalho e nen…

NÃO CULPE OS SIGNOS >> Mariana Scherma

Imagem: Vanity Fair
Geminianos são duas caras. Leoninos se acham. Piscianos são chorões. Aquarianos são esquisitos. Sagitarianos são bagunceiros. Arianos são briguentos. Taurinos são comilões. Virginianos são organizados. Capricornianos são mão de vaca. Librianos, indecisos. Os escorpianos só pensam em vingança. Cancerianos fazem drama para tudo. Ou não. Nem sempre tudo é culpa do signo.
Por muito tempo eu fui condicionada a pensar nas pessoas e nos signos antes de qualquer coisa. Quase um preconceito, sabe? Na minha primeira entrevista de emprego, me questionaram qual era meu signo. Fiquei pensando que eu poderia ter dito alguma coisa errada só por falar “Sagitário”. Acabei sendo admitida e, depois disso, os signos entraram na minha vida. Nossa, tinha que ser de Leão mesmo. É porque ela é de Libra. Deus me Livre aquarianos. Essas foram frases que saiam da minha boca e de pessoas ao meu redor. Mas a real é que eu nunca fiquei muito confortável com elas. Pra mim, dizer que alguém é rev…

OLHA O TREM! >> Cristiana Moura

Ele parece deslumbrar-se com tudo. São muitas as exclamações acompanhadas de olhos arregalados:
— O Trem, o trem! 
— Olha a casa! 
— O boi, mamãe o boi! 
Ele percebe que estou a olhá-lo e retribui o meu sorriso. O menino fascina-se por tudo, dentro e fora do trem. Eu, que outrora admirava paisagens, encanto-me pelo seu deslumbramento — o menino e o trem.

LEVE>> Analu Faria

O cheiro do pão quentinho, saindo do forno, mesclado ao do café novo, me lembram que quebrei a regra das "10 coisas para não se fazer antes das 10 da manhã num feriado chuvoso". Aliás, as melhores listas do mundo cabem na leveza de um dia de folga como este: "3 filmes do expressionismo alemão que você precisa ver"; "top 5 amigos com quem puxar conversas sobre o nada pelo Whatsapp"; "2 paqueras para quem vale a pena se insinuar", "7 desculpas infalíveis para justificar que você, hoje, não sai de casa".
Dia desses meu pai me disse que não é bom ser assim, gostar de ficar sozinha. "Tá certo, tá certo", concordei, usando uma das "5 frases feitas que mais funcionam para acalmar os pais".  Também menti para a minha mãe, quando disse que nos fins de semana em que fico muito tempo sem sair eu acabo me forçando a fazer alguma coisa na rua. Essa está na lista das "10 falsidades que não devem ser ditas à mãe", mas, …

LUGARES ONDE NUNCA ESTIVE >> Carla Dias >>

Acabei de ganhar um chiclete. Não qualquer chiclete. É um chiclete que foi trazido de Israel. O presenteador, quem o trouxe da sua viagem, disse que era muito bom. Ele estava certo. O chiclete israelense é uma delícia. Ele veio com uma figurinha, lembrando-me de quando não faltava chicletes na minha bolsa, tampouco figurinhas que acompanhavam chicletes.
Há muito tempo eu não mascava chiclete delícia, nem dobrava e redobrava figurinha de chiclete.
Há muitos anos, eu ganhei uma garrafa de vinho. Um amigo o trouxe dos Estados Unidos e havia algo especial a respeito dele, pois se tratava de um afeto que temos em comum. O vinho era da The Dreaming Tree Wines, de Sean Mckenzie e Dave Matthews, da Dave Matthews Band. Quem me conhece sabe que adoro a banda, acho a música deles demais e viajo léguas com as letras do Dave.
Entrei em uma viagem qualquer e decidi que só beberia aquele vinho quando conhecesse o Dave Matthews. Claro que, com o tempo, e o delírio no seu devido lugar, troquei por qu…