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DE ONDE VIRÁ A RESPOSTA >> Whisner Fraga

O medo atocaia meus passos que namoram a fuga.

O medo me cerca e os holofotes da cidade balbuciam uma claridade que confunde.

O medo é uma sombra corpulenta a abraçar tudo em volta.

Os amigos procuram no catálogo a garrucha mais eficaz e enfeitiçam a ilusão.

Os amigos, de um minuto para outro, não aceitam mais que o medo assuste, mas a pontaria falha e eles trancam a casa.

Os dedos sapateiam barbaramente sobre a tela de um celular, compartilhando o medo.

Os amigos me acusam de não pactuar com a traição.

O medo entra e se senta, liga a tevê, se ajeita no sofá e me pede uma cerveja.

Os amigos já não reconhecem mais a mentira, mas sabem o preço das coisas. Às vezes desconfiam que o preço das coisas pode ser mentira.

Tenho medo que me enganem e me convençam que é melhor a desordem.

Tenho medo que me arranquem o medo e que o substituam por uma arma.

Tenho medo desse novo diálogo.

Tenho medo que alguns amigos se convençam que a fome é normal e que isso se chama justiça. E que a bala medie as indecisões.

Tenho medo e dele virá a resposta.

Comentários

Luiz Silva disse…
Eu tenho medo que com o tempo não haja cabeças pensantes capaz de escrever uma crônica como essa, porque o medo que é crônico os impedirá de pensar, ler e escrever.
whisner disse…
Luiz, espero que o medo nunca se torne crônico a esse ponto. Obrigado pela leitura!
Zoraya Cesar disse…
Medo. Matéria prima de onde saem todas as nossas decisoes hoje, e nem percebemos que esse medo é tb fabricado, como um anúncio feito para te convencer a comprar esse produto e nao aquele. Pra te convencer q determinadas pessoas têm a soluçao para os seus problemas. Que belezs de crônica, Whisner. Enqto houver gente pensando, escrevendo, falando assim, ainda teremos esperança de que a esperança vença o medo.