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Mostrando postagens de Novembro, 2016

TRAVESSIA >> Carla Dias >>

Houve dia em que não saiu de casa. Calou-se até diante de si. Quis nem saber quem estava do outro lado da porta a cutucar campainha. Esqueceu-se de comer, beber, banhar. Permaneceu naquele mesmo lugar, durante horas.

Esvaziado de desejos e alegorias, varreu de si os ecos das palavras, que durante ávido tempo guardou naquele canto de si que nem tão bem conhecia. Sabia que ele existia, que evitava confrontá-lo. E então, assim, esvaziado, o tal canto se parece com uma cidade vazia.

Como único ser dessa cidade vazia, nesse dia ele se nega a assistir ao telejornal de todos os dias, de escorregar o corpo no sofá e provocar a sensação de conforto, enquanto observa o mundo ruir naquele lá fora. Ri de si ao compreender a proximidade dos eventos, não importa quantos mares se coloquem entre aqui e ali. Lá fora é sempre do outro lado da janela. Esse falseado conforto é uma forma covarde de se manter distante do que o incomoda.

Nesse dia em que não saiu de casa, depois de um vazio abissal ter tom…

MÁGUINO - final >> Albir José Inácio da Silva

MÁGUINO IMÁGUINO IIMÁGUINO III
(Continuação de 14/11/2016 – Feliz com o convite dos ex-patrões, que poderia dar o impulso que faltava aos seus empreendimentos, Máguino se envolveu em negócios fraudulentos e foi preso pela polícia federal. Abandonado na cadeia pelos empresários, só lhe restava a sofrida companheira). 
O telefone foi desligado do outro lado da linha, a solidão desceu sobre o nosso empreendedor, e ele pensou na sua Jacira.
Tinha gritado com a Jacira quando ela mencionou a possibilidade de ele estar sendo envolvido em alguma trama. Ela não conhecia gente como os Labac, estava acostumada a lidar com  trambiqueiros da comunidade.
- Tem gente que não precisa ser desonesta, Jacira. Entenda isto! – tinha dito.
Mas agora só tinha ela. Não que concordasse com suas desconfianças. Entendia que os Labac não podiam ter seu nome em manchetes policiais. Se nesse primeiro momento não queriam se envolver, era porque tinham de se preservar a empresa. Devem ter sido enganados também, é a…

DESAFIOS DE APRENDIZAGEM >> Paulo Meireles Barguil

 Meus neurônios, de todos os tipos e em várias regiões do cérebro, sofrem de espasmos com intensidade diversa, do axônio ao dendrito, quando escuto ou leio a expressão "dificuldades de aprendizagem". Para mim, não é difícil identificar alguns motivos dessa crença, que, apesar de tantos discursos construtivista e sócio-interacionista, dentre outros, continua inabalável. É-me dolorido, todavia, ver as consequências da mesma em tantos cenários, sobretudo nos escolares.
Ressalto, de modo especial, a tendência de nomear de dificuldade, principalmente a do outro, o fato de alguém não ter desenvolvido alguma habilidade específica. Para mudar esse roteiro, é necessário admitir que se desconhece o que alguém já sabe, igualmente o que e como essa pessoa pode aprender. Essa ignorância decorre de alguns aspectos: i) a impossibilidade de efetuar uma ressonância magnética dos sentires, agires e saberes do outro, sendo a petulância um bom exemplo de quem acredita possuir tal capacidade; …

COMER PRA LEMBRAR >> Mariana Scherma

Era pra ser um almoço rápido e trabalhado no carboidrato: legumes, arroz e purê de batata. Mas foi só dar a primeira garfada que me transportei para o fim da década de 80, criança com pouquíssima memória dessa fase, mas com a memória boa pra comida. Minha mãe sempre fazia purê eu comia com arroz. Repetia. “Tripetia”. O que deveria ser um almoço normalzinho em um dia qualquer da semana fez o maior carinho na alma e me encheu de uma felicidade boba, mas necessária. Na verdade nenhuma felicidade é boba. São esses momentinhos de felicidade boba que enchem o pote da vida. Sorte a minha notar esses detalhes.
Amo comer. Amo um pratão de arroz e feijão bem temperados porque, ah, o cheiro de feijão é muito o cheiro da casa da minha mãe na hora do almoço. Amo o aroma da cebola e do alho sendo refogados porque esse é o cheiro do arroz e, quando o arroz vai para a panela, é porque está chegando a hora de almoçar. Precisa dizer que essa é minha hora preferida? Minha mãe sempre deixa o arroz por últ…

NAQUELA SALA, EU ENTENDI. >> Carla Dias >>

O mundo entrou em colapso. Ele sabe, ele vê. Assiste a tudo, enquanto a vida segue. Como pode o mundo continuar a girar diante de tantas tragédias? Como pode sua mãe continuar a cozinhar almoço e jantar, sua irmã a se dedicar ao curso de violino, o pai a concluir trabalhos de marcenaria? Como pode sua namorada continuar a se perfumar para ir até ali, visitar amigos? E os amigos? Como pode esse grupo de pessoas tão esclarecidas continuar a sorrir e almejar alegrias?

O mundo entrou em colapso.

Ele vê tudo tão claramente, sem intervalos. Seu coração está aprisionado por essa realidade. É quase insuportável perceber que o padeiro continua a lidar com farinha e fermento, o empresário a detalhar estratégias, o professor a educar. Os dançarinos... Como podem continuar a rodopiar suas coreografias por aí?

Quer que as pessoas enxerguem o caos em que vivem. Não compreende como elas se levantam da cama e saem para as ruas e fazem o que vêm fazendo há tanto tempo. Ele aceita que não há rotina no…

15 ANOS DEPOIS >> Clara Braga

Lembro como se fosse ontem, era janeiro de 2001, 14 de janeiro de 2001 para ser mais exata, e no Rio de Janeiro acontecia a terceira edição do festival Rock in Rio, dez anos depois da segunda edição!
Eu sempre fui apaixonada por música, e esse ano com certeza foi um ano marcante pra mim. Como minha família tinha um apartamento no Rio de Janeiro, aproveitamos as férias para curtir o Rock in Rio, mas a primeira missão já era difícil, eu tinha que escolher quais shows assistir e quais não assistir, pois não poderíamos ficar lá as duas semanas inteiras de festival e nem teríamos dinheiro para ir a todos os shows, principalmente porque eu tinha só 13 anos e não podia ir sozinha.
Entre os dias que queria ir, uma coisa era certa: o dia do Guns and Roses tinha que estar na lista, podia ser Guns e Foo Fighters ou Guns e Red Hot Chilli Peppers, isso eu ainda tinha que decidir, mas que eu tinha que assistir a um show do Guns isso eu tinha certeza!
Fiz minha decisão e no dia do show estava lá ce…

DEUS DA GUERRA >> André Ferrer

A bola caiu das mãos do menino e rolou até o canto mais obscuro da praça. Ele, que já conhecia o mundo em termos de seco e molhado, sombra e sol, bravo e feliz, engatinhou e cruzou o canteiro de relva. Sob um emaranhado de galhos, a bola branca se transformara! O arbusto fazia sombra, mas também filtrava uma tinta que pintava a bola de verde.
“Saia daí menino. É perigoso!”, a mãe de repente.
Pois um mendigo ali se abrigava. Um espécime das trevas, que jamais tomava banho e se alimentava da carne fresca das crianças.
“É mentira”, fez o menino. “A minha bola...”
Branca. Novamente branca sob a claridade das quinze horas. Por qual magia ocorrera aquilo? No quarto escuro, que contrariava o dia e tudo o que o dia representava de bom e divino, a bola, os carrinhos, a máscara do Batman, o cavalinho de madeira, enfim, tudo... o mundo inteiro desaparecia! Por que no arbusto – naquele canto proibido da praça, o antro do terrível monstro – havia mais luz do que, à noite, em seu quarto? Ainda por cima…

MEDITAÇÃO >> Sergio Geia

Breve prática
Embora não haja garantia, após aprender com livros e com alguns doutos conhecedores do assunto, escrevo num pequeno papel três coisas fundamentais para uma vida e uma velhice com qualidade: boa alimentação, exercícios físicos regulares, meditação. Incluo também, entre parênteses: “visitas periódicas a médicos”. Infelizmente, depois de certa idade, temos que visitá-los mais do que gostaríamos. Duas dessas coisas os senhores já estão carecas de saber. A meditação talvez seja novidade. Confesso que há muito venho brincando com a ideia; já tentei algumas vezes. Porém, agora, estou disposto a incluir de vez essa prática em meu cotidiano; principalmente, depois das lições sobre o assunto ministradas aos seus leitores pelo doutor Chopra, em Cura Quântica. Fecho a porta do quarto; apago a luz; sento confortavelmente numa cadeira; programo o despertador para 20 minutos e inicio minha prática matinal. Com os olhos fechados procuro me concentrar na respiração; conforme me foi ensinado …

AMOR E REDENÇÃO >> Zoraya Cesar

O dito ‘pobre, mas limpinho’ seria até injusto, se aplicado ao apartamento. Era, perdoem o superlativo - limpíssimo. E de uma simplicidade espartana.
Na sala, uma mesa, duas cadeiras, um sofá onde mal cabiam duas pessoas, e cujo estofado merecia uma troca, uma televisão de tubo. Banheiro e cozinha só continham o absolutamente essencial. Aliás, no apartamento inteiro não se viam enfeites ou adereços, nada de toalha na mesa, quadros nas paredes – descoloridas num soturno tom de branco gelo – ou flores em qualquer canto. Tudo seco como um osso.
Ali vivia um casal.  Vamos nos concentrar na mulher, afinal, ela é a protagonista dessa história. 
Pequena, não gorda, mas rechonchuda – ficava muito bem no uniforme de enfermeira, que mal tirava, por conta dos inúmeros plantões. Devia ter 40 anos, um pouco mais, um pouco menos, impossível dizer pelo rosto, onde as rugas apenas se pressentiam. Seus cabelos louros e cacheados eram curtos, naquele corte prático do tipo ‘lavou, tá pronto’. Os olhos, cla…

CASA DE CHÁ >> Carla Dias >>

Sabe pouco sobre a vida. Surpreende-se com ela frequentemente. Acreditava ter nascido com defeito. Depois, que tivesse entendido tudo errado. Então, compreendeu que leva tempo.

Viver leva tempo.

Não adianta colocar o relógio para despertar duas horas antes para tentar chegar adiantado ao importante. Não adianta colocar o relógio para despertar cinco minutos depois, apenas para aproveitar a espera. Ainda que pareça escoar pelos dedos, deixá-la para trás, aporrinhá-la com sua displicência, enlouquecê-la com a indiferença aos seus desejos, o tempo ainda é dono de tudo.

Da dor ao encantamento. Da tristeza à celebração. O quanto dura e o quão rápido se dissipa.

Quando entendeu isso, passou a gastá-lo com mais propriedade. Compreende que os grandes eventos são oportunidades para cultivar alegria. Porém, alegria para ela também é o silêncio diante de uma paisagem que diga mais que o lógico e ela consiga escutar o dito. Onde possa encontrar inspiração entre os prédios, beleza escancarada em u…

MÁGUINO III >> Albir José Inácio da Silva

(Continuação de 31/10/16 – Enquanto tentava convencer Pedrada a lhe conceder mais uma ligação para os Labac, Máguino lembrou da vida difícil como motorista, da demissão, do trabalho duro para recomeçar a vida e, claro, do convite dos ex-patrões, que lhe pareceu a redenção depois de tanto sofrimento. A voz do mensageiro soou como música nos ouvidos).
Sorriu lisonjeado. Primeiro porque não o esqueceram como chegou a pensar. E depois, teria o prazer de não aceitar de volta o emprego porque agora era empresário e os negócios iam muito bem, obrigado. Mas apressou-se em atender porque não se deixa pessoas tão distintas esperando.
Mas a alegria estava só começando. Indescritível a sensação de voltar àquele lugar, em que tantas vezes foi humilhado, vestindo roupas de marca, sapato engraxado e usando um relógio igualzinho ao do Dr. Simão . Cumprimentou benevolente o porteiro e os funcionários que ia encontrando pelos corredores até as salas da diretoria. Os antigos colegas o olhavam com quas…

SUSTENTABILIDADE (OU 10 < 11) >> Paulo Meireles Barguil

 Era uma vez... Na verdade, foi mais de uma vez. De fato, incontáveis vezes. O querer, o prazer não possuem limites, já dissera Freud, nomeando essa energia de id. O que me satisfaz agora daqui a pouco é sem graça. Soberbos, alguns bradam: "Que venham mais manjares!". A Humanidade construiu inúmeras maravilhas. Quantos de nós as usufruem? Milhões ainda padecem por falta de água e pão. Já não tememos os monstros no final do Oceano. Alguns, sim, receiam o fogo do inferno. Outros se angustiam por não possuírem os males de consumo destinados a raros. Inebriados, muitos gritam: "Todos merecem o banquete!". A tecnologia digital avança, cada vez mais rápida, rumo ao ignorado, desprezando qualquer linha imaginária. O tsunami consumista arrasta a todos, triturando corpos e esmagando almas. Necessário, pois, que existam trincheiras, alcunhadas pelo psicanalista suíço de superego. Sem barreira, a vida, individual ou coletiva, brinca de roleta russa. Há algumas décadas, voz…

ACUSADO >> Carla Dias >>

Não vai se arriscar a dizer palavra que seja para explicar seu silêncio. Que aprendam a decifrá-lo, caso ainda haja algum interesse sobre ele. A dívida é antiga, vem de antes de terem lhe cerzido o destino com invencionices. Foi na conta de um olhar impaciente, uma suposição lançada ao mundo por puro desejo de cutucar o desconhecido, o descuido de reescrever fatos para embelezar monólogo baseado no desejo de chamar atenção de um ao esgarçar a honra do outro.

Honra...

Sorri ao pensar na palavra. Conheceu poucas pessoas capazes de compreender e viver o sentido dela, sem que o desejo por algo ou alguém não tivesse atiçado o nascimento de uma versão mais flexível, para benfeitoria exclusiva de seus autores. Ele mesmo ainda não foi capaz de mergulhar no sentido dessa palavra a ponto de vivê-lo sem se sentir seduzido pelas suas versões. Dedica-se a adquirir tal habilidade.

Talvez por isso tenha oferecido a eles o seu silêncio. Disse nada a respeito, não se manifestou se valendo da tecnolog…

GRAÇAS À INTOLERÂNCIA >> Clara Braga

De onde surgiu a tradição do primeiro pedaço do bolo? Aliás, o ato nem deveria ser chamado de tradição, mas sim dilema do primeiro pedaço do bolo. Se eu fosse fazer uma lista de momentos anuais embaraçosos quase inevitáveis, o momento do primeiro pedaço seria um dos primeiros da lista.
A ideia é que o primeiro pedaço vá para uma pessoa especial que esteve ao seu lado durante aquele ano, certo? Bom, não vejo como não dar o primeiro pedaço para meus pais. Mas só eles já são dois, então não resolve a questão do primeiro pedaço. Também não tem como escolher um e deixar o outro com o segundo pedaço, eles sempre são importantes em doses iguais, não tem como dizer que um é o segundo.
O dilema dos pais se expande para a família, não tem como escolher uma tia e não a outra, uma prima e não a outra, uma vó e não a outra, o irmão e não a cunhada. Enfim, nesse momento decidimos que família é família, eles estão acima da questão do primeiro pedaço, portanto, esquece família e faz a brincadeira do…

CAFEZINHO LITERÁRIO >> Sergio Geia

Alguém começa: “E depois de fazer tudo o que fazem, os dois se levantam, tomam banho, passam talco, passam perfume, se penteiam, se vestem, e assim vão voltando progressivamente a ser o que não são” (“Amor 77” – “Um Tal Lucas” – Julio Cortázar). Uma mulher fala de Hamlet, e reproduz Polônio: “Ainda estás aqui, Laertes? Para bordo! Que vergonha! O vento está soprando na popa de teu navio e só se espera tua chegada. Aproxima-te. Que minha bênção te acompanhe, bem como estes poucos preceitos que confio à tua memória. Pensa antes de falar e pensa antes de agir. Sê familiar, mas nunca vulgar. Os amigos que tiveres e cuja adoção puseres à prova, sujeita-os à tua alma com arcos de aço, mas não calejes a palma de tua mão com apertos a todo sujeito mal saído ainda implume da casca do ovo. Tem cuidado em não entrar em querela, mas, uma vez, nela, faze tudo para que teu contrário sinta temor. Presta ouvido a todo mundo, mas a poucos a tua voz. Escuta as censuras dos demais, porém reserva teu juíz…

SINAIS DESENCONTRADOS >> Zoraya Cesar

Não sou homem questionador. Aceito os acontecimentos conforme se sucedem e acho que espantar-se com os fatos é para os fracos.
Tudo começou depois do eclipse lunar – que ninguém pôde ver por causa da tempestade que destelhou casas, derrubou postes, causou blecaute. Somente no dia seguinte pudemos avaliar os estragos e perceber que todos os gatos da vizinhança tinham sumido. Quando nos demos conta que até mesmo os de D. Crisálida, que viviam presos dentro de casa, desapareceram, criamos um acordo tácito de não tocar no assunto, não levar ao noticiário, nada. Até porque os gatos podiam ter sumido, mas os donos continuavam a ouvir seus miados e a encontrar cortinas rasgadas e sofás arranhados.
Não tenho gatos. E, como disse, aceito as coisas como são. Mas confesso que me surpreendi um pouco ao encontrar um bilhete pendurado no espelho do meu banheiro:
Querido, bom dia. Por favor, não se esqueça de trazer pão e leite quando voltar do trabalho.
Moro sozinho. Não tenho namorada. Não como pão e …

NO BANHEIRO>> Analu Faria

Lá estava eu ansiosíssima para ver Adélia Prado em carne, osso e lirismo, na Bienal do Livro, aqui em Brasília. Eu nem achava que teria uma oportunidade dessas na vida, nunquinha. Tudo bem que eu nunca tinha tentado. Eu poderia ter ido a Divinópolis, que, aliás, fica bem perto da cidade dos meus avós, onde ainda mora um tanto de família minha. Eu poderia ter procurado na internet algum evento em que ela daria uma palestra ou algo assim, lá na cidadezinha mineira, sei lá. Eu poderia ter sido uma tiete mais competente, confesso. Não fui. Talvez por isso eu estivesse ansiosíssima, achando que a vida me sorria à-toa ao me dar de mão beijada uma palestra da Adélia Prado, na cidade onde eu moro, a muitos quilômetros de Divinópolis.
Cheguei cedo. Queria pegar um bom lugar na plateia. Uns quinze minutos antes da hora marcada, eu já estava sentadinha no meu lugar, quando me  bate aqueeeela vontade de fazer xixi. Õ Meu Deus, bexiga é que nem mandato político - funciona nas horas mais inconveni…