terça-feira, 22 de novembro de 2016

15 ANOS DEPOIS >> Clara Braga

Lembro como se fosse ontem, era janeiro de 2001, 14 de janeiro de 2001 para ser mais exata, e no Rio de Janeiro acontecia a terceira edição do festival Rock in Rio, dez anos depois da segunda edição!

Eu sempre fui apaixonada por música, e esse ano com certeza foi um ano marcante pra mim. Como minha família tinha um apartamento no Rio de Janeiro, aproveitamos as férias para curtir o Rock in Rio, mas a primeira missão já era difícil, eu tinha que escolher quais shows assistir e quais não assistir, pois não poderíamos ficar lá as duas semanas inteiras de festival e nem teríamos dinheiro para ir a todos os shows, principalmente porque eu tinha só 13 anos e não podia ir sozinha.

Entre os dias que queria ir, uma coisa era certa: o dia do Guns and Roses tinha que estar na lista, podia ser Guns e Foo Fighters ou Guns e Red Hot Chilli Peppers, isso eu ainda tinha que decidir, mas que eu tinha que assistir a um show do Guns isso eu tinha certeza!

Fiz minha decisão e no dia do show estava lá cedo. O figurino não podia ser diferente, fui com a minha blusa que tinha uma foto enorme do Axl em preto e branco na frente e o nome da banda atrás!
Peguei sol, passei um calor típico do Rio de Janeiro, mas estava feliz com meu figurino de roqueira! Pra espantar o calor jogavam água, fiquei ensopada e, mais pro fim do dia, peguei vento e passei bastante frio. Por causa da água que jogaram o chão virou lama, e eu lá no meio do povão pulando e ficando toda enlameada. Antes mesmo do Guns entrar no palco a blusa já não era preta, era marrom, e a bermuda que usei nesse dia foi direto pro lixo. Mas a verdade é que não importavam as circunstâncias, a emoção de estar pela primeira vez em um festival de música daquele tamanho, esperando para ver uma das bandas que eu mais amava e que até pouco tempo eu nem imaginava que teria a oportunidade de ver, isso não tinha preço, valia cada bermuda que teve que ir pro lixo, cada blusa enlameada, cada momento de frio e calor extremo, cada copinho de água que eu vi jogarem no Carlinhos Brown e cada música que o vocalista do Oasis cantou fazendo questão de não demonstrar qualquer emoção aparente.

O Guns era a última atração do dia, mas a adrenalina não deixava o cansaço bater! Bom, pelo menos não em mim que mais parecia ter entrado em um armário e ido pra Nárnia, mas meus pais já demonstravam indícios de cansaço!

O show, como era comum, demorou pra começar. E há de se ter paciência para esperar o senhor Axl Rose. Quando o show começou meu coração quase para, lembro de cantar os clássicos com o coração na boca, que show! Pra mim o momento mais esperado era Paradise City, mas eles saíram do palco sem cantar essa! Tudo bem, eu me consolava, todas as outras que eu queria eu ouvi, não tinha do que reclamar! E tinha mais, vai que eles voltam, aquilo podia ser uma pausa dramática, todo artista deve gostar quando as pessoas pedem o famoso BIS! Mas todos que estavam comigo acharam que não, já estava tarde, estávamos todos molhados, sujos, cansados, com fome e com frio, o show acabava por ali mesmo, e fomos pra casa!

No dia seguinte, no jornal, a notícia que eu não queria ter tido: Guns and Roses volta ao palco para delírio dos fãs! O show que já era histórico terminou perfeitamente, a música de encerramento? Paradise City, aquela que eu fiquei esperando para assistir o show inteiro. Preciso confessar, chorei e não foi pouco, estive tão perto de ver e perdi, como pude deixar isso acontecer? 

Anos depois o Guns foi a Brasília, turnê de um CD que eu não tinha gostado e com um Axl que todos criticavam tanto pelos atrasos quanto pela voz, já não cantava bem. Decidi não ir. Alguns anos mais tarde foi a vez do Slash vir. Esse eu não perderia, a única coisa que faltou no show do Rock in Rio além de Paradise City foi o Slash nos seus solos mirabolantes! Mas já que não era possível ver o Slash no Guns, vamos nos contentar em ver o Slash tocando algumas músicas do Guns durante o show do Miles Kennedy, que por sinal manda muito bem cantando Guns.

O que eu não esperava era que anos mais tarde o Guns iria decidir fazer uma turnê com a formação quase original, Duff, Axl e Slash juntos, como tudo deveria ser, cantando os clássicos mais maravilhosos do universo! No momento em que anunciaram o show na minha cidade eu fui automaticamente levada de volta para 2001.

15 anos depois, ao entrar no estádio, senti a emoção que senti ao pisar no Rock in Rio, o coração batendo forte e o olho cheio de lágrimas! Ao cantar november rain embaixo de chuva em pleno novembro, lembrei dos fortes jatos de água que me deixaram ensopada e enlameada naquele Rock in Rio! Quando o Slash fazia seus solos eu tinha a certeza de que essa é a formação da banda que me fez gostar de rock! E no final do show, lavei a alma daquela garota chorosa de 2001, eles fecharam o show com Paradise City, mas dessa vez eu estava lá pra ver tudo bem de perto! 


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2 comentários:

Conceicao Belo disse...

Parabéns Clarinha pela cônica.
Nesta vida, o que se leva são os sonhos realizados.
Beijos

Rafael Vespasiano disse...

Parabéns Clara sonhos tornam-se realidade de uma maneira ou de outra, mesmo que não concretamente. e melhor tu realizaste concretamente, mas promove uma reflexão sonhos que são impossíveis são possíveis, depende do ponto de vista, não fui a nenhum show do guns. mas fui agora! abç