Pular para o conteúdo principal

MEDITAÇÃO >> Sergio Geia

 
 

Breve prática
Embora não haja garantia, após aprender com livros e com alguns doutos conhecedores do assunto, escrevo num pequeno papel três coisas fundamentais para uma vida e uma velhice com qualidade: boa alimentação, exercícios físicos regulares, meditação. Incluo também, entre parênteses: “visitas periódicas a médicos”. Infelizmente, depois de certa idade, temos que visitá-los mais do que gostaríamos.
Duas dessas coisas os senhores já estão carecas de saber. A meditação talvez seja novidade. Confesso que há muito venho brincando com a ideia; já tentei algumas vezes. Porém, agora, estou disposto a incluir de vez essa prática em meu cotidiano; principalmente, depois das lições sobre o assunto ministradas aos seus leitores pelo doutor Chopra, em Cura Quântica.
Fecho a porta do quarto; apago a luz; sento confortavelmente numa cadeira; programo o despertador para 20 minutos e inicio minha prática matinal.
Com os olhos fechados procuro me concentrar na respiração; conforme me foi ensinado pelo senhor Pierre Neruda, a quem visitei em seu consultório, preciso ser testemunha de minha respiração; apenas observá-la, e nada mais; a cada inspiração e expiração, associo o movimento ao meu mantra...
Se o senhor estiver em Ubatuba e desejar comer uma pizza delicada, saborosa e de excepcional qualidade, sugiro que procure a Pizzaria São Paulo, cujo proprietário é filho do Lino, do Bardolino, cujo estabelecimento ladeia a pizzaria, cuja família é proprietária de um armazém no mercado de São Paulo.
Se o senhor estiver em Ubatuba e desejar curtir uma boa praia, onde possa descansar, beber e comer dignamente, passear pela areia e banhar-se num mar calmo e limpo, sem enfrentar estrada, sugiro que vá ao Perequê-Açu.
Se o senhor estiver... Dou-me conta; volto. A sensação, às vezes, é de um flutuar macio, mas o pensamento me desloca para outro lugar. Noto, e imediatamente volto ao ponto inicial.
Querida Zoraya. Peço perdão pelo atraso, mas a vida corrida acaba por nos afastar de tudo quanto é belo e bom, e hoje, somente hoje, pude concluir a audição de sua delicada obra. Confesso que foi minha primeira experiência nesse novo ramo que a tecnologia moderna nos apresenta, e apreciei; sim, muito apreciei. A qualidade de seus contos é superior; a delicadeza com que sua voz nos oferece personagens ambíguos, decentes, indecentes, cruéis, frios, as vicissitudes da vida pinceladas com delicadeza e habilidade por suas mãos...
Volto; volto com a ideia da carta que escreverei à escritora Zoraya Cesar, com minhas humildes impressões sobre seu audiolivro “O Porteiro e outros contos urbanos”, cuja audição recentemente terminei.
Segundo o senhor Pierre, a prática efetivamente se resume ao ato de sempre voltar ao ponto inicial quando pensamentos nos levam para outro lugar. E, por ser assim, de uma simplicidade tosca, muitos acabam por não levá-la a sério.
Fico passeando do respirar ao pensar, do pensar ao respirar, muitas vezes; o barulho do João indo pra lá e pra cá, a quentinha que pedirei pro almoço, o canto dos pitaguás, Didi Wagner, o horário da cabeleireira, até que o despertador toca. Penso que mais pensei, mas não importa; sinto-me bem, muito bem. 

Ilustração: universomistico.com.br

Comentários

Zoraya disse…
Meditação é tudo de bom, Sérgio, e tenho certeza que com essas 3 atitudes suas idas ao médico serão cada vez mais esparsas!
E você nao sabe o quanto fiquei FELIZ de seu pensamento ter flutuado em minha direção durante um momento tão sublime como é o meditar. E mais feliz ainda em saber que você nao só gostou do audiolivro como também ainda encontrou palavras tão bonitas para descrevê-lo. Mas agora vc está perdido, vou querer te dar os outros tb...
E vou repetir até vc acreditar: suas crônicas estão cada vez mais bragueanas e, agora, com uma pitada de algo que ainda nao sei identificar. Talvez uma pitada de Sergio Geia, um mestre das delicadezas...
Carla Dias disse…
Sergio, já tentei meditação e acabei numa conversa muito íntima com as questões que deveria resolver, listas de afazeres, mensagens a serem enviadas. Ainda assim, espero, dia desses, conseguir meditar. Adoraria fazer algo que aquietasse minha mente, nem que fosse por alguns minutos. Beijo.
sergio geia disse…
Grato mais uma vez, Zoraya. Sabe, Carla, a gente precisa disso. Beijo.

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …