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Mostrando postagens de Abril, 2021

O LIVRO DOS CARREGADORES - 4a e quase última parte >> Zoraya Cesar

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Resumo dos capítulos anteriores: O Carregador, antes de morrer, conseguiu clamar por ajuda, enquanto o demônio que o roubara fugia. Quando a Dama dos Portais veio buscar o desafortunado Carregador, não veio sozinha. A invocação fora ouvida. E agora, o ser celestial que atendera ao chamado se encarregaria de recuperar o objeto roubado e vingar a morte do pobre homem. Mas ele precisaria de ajuda. Ajuda especializada. Lucrécio Lucas dormia o sono dos exaustos. Poderia dizer que dormia o sono dos justos, mas isso seria um chavão imperdoável. E mentiroso. Pois seu sono era mesmo o dos exaustos. Viera da cerimônia de cremação de um confrade, irmão de armas, de derrotas, de vitórias, de vida! Enquanto os companheiros cantavam ' Ich hatt einen Kameraden ' Lucrécio Lucas se acabava em lágrimas. Claro que sabia – e sabia por saber, não apenas por acreditar – que a morte é só mais uma passagem, que o parceiro estava vivo de outra forma, blábláblá, mas, que diabos – com perdão da imprecaçã

FAZER? OU DESFAZER... >> Carla Dias

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Sabe não sobre o que falar. Dizer palavra para quê? É tanto tanto faz que muito daquilo no qual acreditava que sabia – de verdadeiramente saber – caiu de amores pelo desdito, amparando-se em banalidades açucaradas, arrancadas de desejos rejeitados, arranjos desnecessários, buscas de perder tempo.  Anda com desapego ao que nem era apego, mas importância condenada à condição de descartável, aquilo sobre o que o tudo há muito sabia, até segurar a mão do desentendimento e se assumir desentendido. Sabe nem sobre o sentir, que emoção anda essa coisa equivocada, não importam as verdades que a amparem. Que benquerença – na genuinidade do seu despudor – deu de ficar ensimesmada, temerosa que anda de ser enviada aos arrabaldes da vadiagem e lá se perder, minguada, sedenta, em um para sempre de frenesis e ranhuras. Fazer o que se benquerença é essa coisa-fragilidade, que se recolhe nas esquinas da sofreguidão, quando tiram dela a certeza de não ser apenas uma desculpa para prazeres breves e

Rita e Samira >> Alfonsina Salomão

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Um amontoado de construções verticais. O que se passa por trás de cada buraco? O que ilumina cada lâmpada acesa? O que esconde cada lâmpada apagada? O que queima o fogo de um incêndio? Queima casas, queima corpos. Queima lares, queima almas. Queima sofás, mesas, vidros de perfume, folhas de caderno, tapetes e saboneteiras. Queima a mão da escritora, queima o sonho da menina. Queima os pecados. Consome os desejos. Incendeia as fantasias.   Um incêndio anônimo. Como começou? Não se sabe. O que queimou? Apenas se imagina. Quem ficou? Sobrevive. Quem se consumiu com o fogo foi bruxa na fogueira. Antes, hoje e depois, fogo nas feiticeiras.    Queimar o mal pela raiz. Purgar os pecados. Consumir a carne para aliviar o espírito. A mulher quer fogo. Precisa do fogo. É fogo. Ele, medíocre na sua posição de homem, passivo na postura de Adão, desde tempos imemoriais. Adão, cresça ou desapareça.    Dói ser consumida pelo fogo? Arde. Quando o corpo arde, a mente sossega. No interior das labaredas,

DISCRETO GALEIO >> Sergio Geia

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  Ah, palavras! Tão belas, doces palavras.    Uma palavrinha solta, que deita preguiçosa no coração do texto, eu nunca a vi. Mas como é capaz de deixar a manhã mais dourada, as árvores sorridentes de sol, vejam só.    Já havia findado a minha caminhada matinal; já havia tomado o meu café preto, com queijo e pão; já havia me entregado a uma boa e suave meditação.    Estava sentado no sofá, largado, ouvindo clássicos que escorregavam pela caixa de som, sendo comido pela preguiça matinal de um sábado pandêmico. De repente, ela me aparece aos olhos:    “ (...) um discreto galeio” .    Ah, que delícia de galeio é esse, pensei comigo.    Fui ao dicionário, que Ousana, íntima dele, já chamava de “pai dos burros”, isso lá atrás:    Galeio: 1. Ato ou efeito de galear; 2. Movimento rápido e repentino do corpo para um lado ou para trás; requebro.    Sim, claro, o galeio ressurgiu tímido, mas belo lá do fundo, das danças dançadas e quadrilhas brincadas.    E os sinônimos balançar, impulsionar o

ESTOU >> Paulo Meireles Barguil

Sextou! Bestou. Testou... Festou! Estou? Gestou. Restou Gostou?

UMA ILHA >> Carla Dias

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Amabilidades não o ganham. Aceitou, há muito tempo, a animosidade dos próprios sentimentos. Tem aversão às palavras arrastadas, engatadas a um tom de voz acolhedor de quem acolhe ninguém. Elegâncias não o rendem, tampouco honrarias, apesar de gostar do raso de conforto que elas concedem ao seu corpo pagão, um abrigador de desejos que ele sabe, são saciados às lascas. Não renuncia às lascas, nem mesmo às lascas das lascas. Tem entendimento sobre o que rareia, feito seus cabelos, ainda que tente convencer, a uma plateia desinteressada, de que há muitos fios a ancorar sua juventude e não importa que seja à custa da própria capacidade sedutora de renegar o quase fenecimento dela. Pois é dos que não gostam de afetuosidades irreverentes, daquelas que se amparam em uma sinceridade que necessita de longas pausas trazidas à vida, com o fim de dramatizar a questionável importância dele. Evita devaneios que o levem para além dos imóveis que conhece desde sempre, cômodos por eles frequentados, dos

QUEM ME DEFINE SOU EU? >> Clara Braga

Quem define que somos quem somos?! Claro, se você disse que você mesma define quem é, eu concordo com você, deveria ser assim! Mas, convenhamos, socialmente não é exatamente assim que acontece! Antigamente, era comum definir uma pessoa pelo seu diploma! Ter um diploma não era para qualquer um, e era comum encontrá-los pendurados na parede das casas das mães e avós! Não pensem que estou desmerecendo os diplomas, eu mesma tenho muito orgulho do meu. Mas o acesso à informação e os formatos das formações se diversificaram tanto, que nem sempre a pessoa que mais entende de um assunto é aquela com diploma na área! Outra forma de definir uma pessoa, era através daquilo que era sua fonte de renda. Você pode ter formação em dança, mas se trabalha com publicidade, então você é publicitária! Mas e tudo aquilo que as pessoas fazem e não são fonte de renda? Por exemplo, eu escrevo aqui há 10 anos e tenho crônicas publicadas em 2 livros, mas confesso ter dificuldade de me auto denominar escritora po

DE RISOS E DE LÁGRIMAS >> Albir José Inácio da Silva

  Num tempo em que não se podia falar das besteiras que assolavam o país, Stanislaw Ponte Preta escreveu o FEBEAPÁ – o Festival de Besteiras que Assolam o País.   Falava de besteiras suaves, cotidianas, sua ironia não tocava em nervos expostos como tortura e assassinato, mas dava uma ideia do que acontecia nos subterrâneos. Mostrava a ponta do iceberg da loucura em que chafurdávamos.   Era assim que Stanislaw ridicularizava a “redentora” - como ele chamava o golpe de 64 - com amenidades tão amenas que mantinham o censor distante, embora desconfiado.     E todos riam, por exemplo, do sargento que prendeu o prefeito por discordar da opinião de um soldado. O ridículo da situação mascarava a truculência do gesto.   O nosso ridículo hoje caberia em qualquer FEBEAPÁ, com a diferença de que não faz ninguém rir porque não advém do gênio criador de um sucessor de Stanislaw, mas das manchetes, pronunciamentos oficiais e realidade das ruas.   Eu não tenho livros do Stanislaw,

A GENTE VAI LEVANDO >> Sandra Modesto

  As pessoas não estão bem. Quase todas.    Não adianta “tapar o sol com a peneira”.    Porque a garganta dói na alma.    O grito escapole ao amanhecer.    Parece uma canção desvairada.    Dilacerada e plena na madrugada tentando se equilibrar em um pole dance .   E nem pole dance eu nada sei.    Escuto alguns passos fazendo zigue-zague nos meus sonhos.   Acordo sem saber o que sonhei.    Algumas notícias me chegam.    Que estranho! Percebo a frase mais digitada nessa louca pandemia: “meus sentimentos”. “Meus parabéns?" Raramente.    Em oito Estados brasileiros o número de registros de óbitos é maior do que o de nascimentos. Minas Gerais é um deles.    Às vezes dá uma canseira de Brasil.    Pensei em não escrever meu texto de domingo. Uma ideia aqui, algumas palavras em algum lugar, e o meu corpo falando por mim. Hoje é quinta–feira.    Ontem, eu perdi uma amiga da época da graduação em Letras.    O que me machuca é ler o número de vítimas em Ituiutaba e interpretar.    Ali estã

BARULHO >> Carla Dias

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Sempre foi de ficar de longe, percebendo arredores, contemplando gestos que, na correria do diariamente, passam despercebidos. Ficar de longe, não se enturmar com o acontecimento, é praticamente a sua profissão, mas também já lhe rendeu apelidos não muito amáveis, que finge não o terem ferido tão profundamente quanto o fizeram. Do que gosta mesmo é de dia de feriado no meio da semana. As pessoas dormem até mais tarde e a cidade fica vazia por mais tempo do que uma quarta-feira comum permitiria. Quarta-feira que é feriado faz com que ele pule cedinho da cama, para escutar o silêncio em dia de semana que, normalmente, berra buzinas e aforismos. Aconteceu em uma quarta-feira de feriado, quando saiu para um passeio, às seis horas da manhã. Sabia que teria tempo para uma longa caminhada solitária, antes que a cidade acordasse de vez e fizesse barulho de feriado. Porém, bem lá no fundo, ele sabia que queria mesmo era espiar, e assim o fez: ponta dos pés, muita cautela para não ser descoberto

UM PEQUENO - TALVEZ LONGO - DESABAFO >> Clara Braga

Há um tempo, eu estava em um aniversário de alguém da família do meu marido. Estávamos em uma mesa grande, com vários casais e uma moça que estava sozinha. Toda hora, alguém passava e perguntava com surpresa onde estava o filho e o marido dela. Quando ela dizia que o marido havia ficado em casa com o filho para que ela pudesse curtir o aniversário com mais tranquilidade, ninguém acreditava. Logo, maternidade/paternidade tornou-se o assunto da mesa, embora só nós duas fossemos mães. Em um certo momento, um rapaz disse que jamais seria pai, pois era muito egoísta para ser pai (palavras dele). Ele complementou, disse que não tinha vontade de abrir mão das saídas para bar com amigos, não abriria mão do churrasco com a galera e não se imaginava ficando em casa com o filho para a esposa sair, como o marido da moça em questão havia feito. Poucos comentaram e ninguém disse pensar como ele, mas tanto eu quanto a moça que estava curtindo sua noite de folga falamos que era importante ele assumir

Conceição >> Alfonsina Salomão

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Conceição cogitava: será que é permitido mostrar os pés em público? Sabia que quem usava véu, além de cobrir os cabelos, tapava também braços e pernas. Mas e os pés? Na mesquita ela tirava os sapatos antes de subir no tapete pra rezar, mas era diferente... lá estava entre mulheres. Os homens rezavam no tapete em frente, a uns bons metros de distância, e jamais se retornavam para observá-las. É verdade que não havia muitas pessoas na orla. O dia estava nublado e o restante do grupo estava no calçadão, caminhando contra a intolerância religiosa. Pouco antes ela tinha observado, curiosa, alguns homens deixarem a multidão e se dirigirem para a água. Percebendo a interrogação nos seus olhos, Samira, carioca filha de sírios, lhe explicou que eles foram fazer as abluções para rezar, pois já estava quase na hora do zênite. Conceição ficou observando o bando de longe, pensativa, alheia ao alvoroço dos manifestantes. Além dos muçulmanos, estavam ali representantes de todas as religiões que se se

O SLAYER >> Fred Fogaça

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Eu vou realmente escrever alguma coisa sobre esse protagonista porque devo desinstalar o jogo muito em breve, e então sabe deus quando sai algum outro jogo e eu volto a pensar sobre isso. O personagem sem nome protagonista do Doom, aliás, nem é único nessa lista de interesses. Existem uns pares de personagens que passam uma narrativa longuíssima sem dizer uma única palavra - e eu me pergunto se funcionaria na ficção e devo dizer: sem essa do narrador onisciente saber do que o personagem pensa; em Doom , ninguém sabe o que o Doom Guy pensa. Tem outra coisa, ele usa um capacete, existe um olhar muito breve no reflexo do seu visor que não diz muita coisa, é um aparecimento raro. Claro que isso abre uma maneira alternativa de construir o personagem: ele anda devagar, naquele balanço de corpo que não chega ser num ritmo malandro , mas definitivamente não é um Caetano passeando no Leblon, é um meio termo, ele não anda como se fosse dono do lugar, mas entra no recinto como se não tivesse m

O PASTOR >> Sergio Geia

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  Eu o encontrava em caminhadas, nos esbarrávamos, ele me dava bom-dia e seguia.    Alto, cabeça erguida como um general, cavanhaque austero, seguia com o corpo reto, sem qualquer menção de querer dobrar o tronco à frente, num desalinho esquisito. A voz sempre empostada, os passos sempre largos, ajustados, parecia daqueles homens acostumados a atividade física, a longos quilômetros de corrida, a inalcançáveis horas de abdominais e polichinelos.    Um militar, sem dúvida. Talvez aposentado, mas militar. Sempre tive comigo essa vaga impressão, mas outro dia veio a surpresa.    No facebook , um culto transmitido ao vivo. No alto de seu púlpito, vestindo uma camisa polo listrada de azul e branco, a voz sempre empostada, meu companheiro de caminhadas falava a seus seguidores sobre Jesus e Pedro, e a controvérsia teleológica sobre o verdadeiro fundador da igreja. É um pastor, pensei.    Não tive ainda a oportunidade de comentar com uma tia que frequenta a mesma igreja sobre o fato, mas out

ESCONDE-ESCONDE >> Paulo Meireles Barguil

Ela possui muitos nomes: manja, picula, pira, trisca... Embora ela tenha variações, o principal objetivo é não ser encontrado. Escolher um local adequado é muito importante, o qual pode ser perto ou longe, conhecido ou não... Na infância, é importante vivenciar os vários papéis dessa brincadeira e aceitar os sabores de cada um. Engana-se quem acredita que ela é vivida apenas nessa fase da vida. Quem não conhece um adulto que usa seu corpo e suas habilidades para (tentar) esconder a sua criança? Quando crescemos, os esconderijos são manjados: casa, trabalho, igreja,  shopping , clube... Em cada lugar, usamos camuflagens diferentes. Elas, contudo, são inúteis, pois não impedem de sermos localizados, talvez até facilitem a missão para olhos sensíveis, os quais facilmente identificam disfarces, pois também consideram atitudes e palavras. Quem não conhece uma adulta que, apesar de exímia fugitiva, espera, secretamente, que alguém a encontre no esconderijo gelado e solitário, no qual mora há

NEVE NEGRA - PARTE 5 >>>> Nádia Coldebella

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 A fuga da princesa "- Anand . Anote. Essa criança agora têm nome. Depois chame a criada. Eu preciso me casar".   A princesa Anand crescia e não havia, em todo o reino ou em qualquer outro lugar  mulher, fosse criança, adulta ou velha, presente ou passada, cuja beleza pudesse se comparar à sua. Ninguém.  A não ser Angèlle.  Angèlle era envolvida, de algum modo, por uma aura de mistério, que ofuscava a efervescente beleza juvenil da princesa. Quando a feiticeira andava, parecia etérea, um anjo, um ser elemental; Anand, ao seu lado, parecia arrastar-se. A filha era uma criança para o rei, alguém que deveria se submeter ao seu poder sem questionar. Porém, mesmo sendo marido e amante, mesmo tendo sentido o toque de sua pele, este homem tinha pela esposa uma devoção tipica dos adoradores e a tratava como um ser impalpável e muito acima de sua própria humanidade. Nem a feiticeira nem a princesa, no entanto, pareciam ter conhecimento do que os olhos alheios observavam. Angèlle era m

A CRIADORA DE HISTÓRIAS >> Carla Dias

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  Para Zoraya Cesar Imagine: Você lendo um livro que lhe faz sentir de um tudo, com uma trama que toca tão fundo, de deixar pessoa insanamente feliz. Em outros momentos, triste pra valer. Não importa o quão imprevisível seja o personagem principal, fato é que ele lhe conquistou, desde o início. Já no primeiro capítulo, você compreende que a leitura será uma jornada difícil, que levará a punhados de dúvidas e amontoados de destemperos, mas também a um sem-fim de afeto. Amor é construído dessa forma: página a página. Assim, eles decidiram aparecer, mesmo sem a Criadora de Histórias pedir. Na verdade, ela queria mesmo era o silêncio que somente a ausência deles é capaz de oferecer. Queria se sentar na varandinha apertada do apartamento, aquele pedacinho de espaço que dá vista para uma imensidão de horizonte, que ela não se cansa de apreciar. É assim, do que julga espelhar a insignificância da sua existência, que ela mergulha no universo dos infinitos. Os personagens, por mais desalentados

ANGELUS >> Albir José Inácio da Silva

  A Ave-Maria era ouvida onde se estivesse porque os rádios de todas as casas tocavam. Os meninos então sabiam do chamado das mães e as mães sabiam que era hora de chamar. Os pais chegariam perguntando “e os meninos? As mães mais bravas por causa dos pais mais bravos chamavam seus filhos da rua primeiro. Rua era qualquer lugar fora das paredes, não fora dos muros, porque não havia muros. Não havia despedidas, boa-noite, adeus. Só continuação, amanhã me devolve, depois eu pago, vamos no rio amanhã? Sem ternuras na fala, só providências que mãe doente precisa da ajuda de todos: “Não vai querer cana-do-brejo? E quebra-pedra? Lá em casa tem muito.” Se Dona Dalva ia morrer, só perguntando em casa pra nossa mãe se ela escapa. Dos pais falava-se pouco. Sabia-se menos. Trabalhavam. Avisavam-se os mais distraídos: "Cara se manda, teu pai acabou de passar". Tudo isso enquanto durava a Ave-Maria. E todos se benziam no início na rua e no fim já em casa. A esquina ficava vazia e n