ESCONDE-ESCONDE >> Paulo Meireles Barguil

Ela possui muitos nomes: manja, picula, pira, trisca...


Embora ela tenha variações, o principal objetivo é não ser encontrado.


Escolher um local adequado é muito importante, o qual pode ser perto ou longe, conhecido ou não...


Na infância, é importante vivenciar os vários papéis dessa brincadeira e aceitar os sabores de cada um.


Engana-se quem acredita que ela é vivida apenas nessa fase da vida.


Quem não conhece um adulto que usa seu corpo e suas habilidades para (tentar) esconder a sua criança?


Quando crescemos, os esconderijos são manjados: casa, trabalho, igreja, shopping, clube...


Em cada lugar, usamos camuflagens diferentes.


Elas, contudo, são inúteis, pois não impedem de sermos localizados, talvez até facilitem a missão para olhos sensíveis, os quais facilmente identificam disfarces, pois também consideram atitudes e palavras.


Quem não conhece uma adulta que, apesar de exímia fugitiva, espera, secretamente, que alguém a encontre no esconderijo gelado e solitário, no qual mora há tantos anos, e salve a sua criança?

Comentários

Albir disse…
Interessante, Paulo, sua reflexão. A palavra hipócrita significava originalmente "ator", sem conotação negativa. Atualmente a hipocrisia nos obriga a negar que vivenciamos papéis.
Zoraya Cesar disse…
uau, Paulo, que crônica pra lá de interessante (como disse Dom Albir) e delicada! Amei o desenrolar de tudo e o final. Esssa ja está entre as minhas preferidas!
Paulo Barguil disse…
Agradecido, Albir e Zoraya, pela presença revelada. :-)

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