ESCONDE-ESCONDE >> Paulo Meireles Barguil

Ela possui muitos nomes: manja, picula, pira, trisca...


Embora ela tenha variações, o principal objetivo é não ser encontrado.


Escolher um local adequado é muito importante, o qual pode ser perto ou longe, conhecido ou não...


Na infância, é importante vivenciar os vários papéis dessa brincadeira e aceitar os sabores de cada um.


Engana-se quem acredita que ela é vivida apenas nessa fase da vida.


Quem não conhece um adulto que usa seu corpo e suas habilidades para (tentar) esconder a sua criança?


Quando crescemos, os esconderijos são manjados: casa, trabalho, igreja, shopping, clube...


Em cada lugar, usamos camuflagens diferentes.


Elas, contudo, são inúteis, pois não impedem de sermos localizados, talvez até facilitem a missão para olhos sensíveis, os quais facilmente identificam disfarces, pois também consideram atitudes e palavras.


Quem não conhece uma adulta que, apesar de exímia fugitiva, espera, secretamente, que alguém a encontre no esconderijo gelado e solitário, no qual mora há tantos anos, e salve a sua criança?

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