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Mostrando postagens de Setembro, 2016

OUTONO >> Paulo Meireles Barguil

 Uma beleza diferente.

Desconcertante.

Anúncio do fim.

E do novo começo.

Lembranças do que foi.

Esperanças do que virá.

Crianças do que é.


[Parque em Washington D.C., próximo ao Lincoln Memorial]
[Foto de minha autoria. Outubro/1998]

SAUDADE, EDUCAÇÃO FÍSICA >> Mariana Scherma

Eu nunca fui fã de fazer educação física no colégio. Fora da escola, fazia natação, mas lá dentro eu sofria. Existiam as meninas fortonas e atléticas, que jogavam vôlei como o time da seleção. Mas também existíamos minhas amigas e eu, magrelas e que passaram a vida sem conseguir dar uma manchete, seja porque não acertávamos a bola, porque doía quando ela batia no braço ou porque fugíamos da bola no meio do jogo sem pudor de um provável bullying. A gente era sensacional!
Passava a semana pensando na desculpa para o professor: cólica (no colegial, eu menstruava quase toda semana, um caso a ser estudado, não?), dor de barriga, dor de cabeça, mal-estar, o sol está forte... Quando as desculpas ficavam manjadas demais, rezava pra chover, já que a quadra era aberta. Impressionante como São Pedro é fã de esportes ou de dar risada do meu sofrimento adolescente – não chovia jamais!
Todo aquele drama de ser escolhida por último por conta do meu dom esportivo era fichinha pra mim. Meu problema era …

AOS GRITOS >> Carla Dias >>

Comecei esta crônica escrevendo sobre como me sinto em relação ao mundo. Então, perguntei-me a quem isso interessaria? Problema meu se acho que a maioria de nós está possuída pela ideia de que quem grita mais alto é quem ganha. E que, depois de me lembrar disso, só consigo questionar: ganha o quê?

Essa pergunta vem me assombrando.

Então, tentei escrever um conto romântico, para ver se lançava boas vibrações para os apaixonados e o na fila do apaixonamento. Mas daí que a história embarcou no suspense, embrenhou-se na ginástica intelectual necessária para se comunicar com intelectuais que não se conformam com a mania de alguns (incluo-me nessa) de perguntar o motivo disso e daquilo, como se fossem crianças aprendendo significados.

Por quê?
Por quê?
Por quê?

Eles não gostam que interrompam seu momento de escutar a si falar sobre a vida do outro a partir do próprio ponto de vista, independente se o outro, que audácia, seja outro e pense diferente.

Tentei, então, um texto mais amistoso e q…

QUEM É BOM? >> Clara Braga

Em uma sala de reuniões, fechada a sete chaves, os chefes discutem sobre o rendimento dos funcionários. No geral, estão indo todos muito bem, o trabalho está sendo entregue dentro do prazo e a relação entre os funcionários é muito saudável. E quem se destaca? Ah, com certeza quem se destaca é o fulaninho que sempre chega na hora e ainda fica sempre além do seu tempo, é impressionante o quanto ele é esforçado, sempre o último a sair!
Em um outro local de trabalho, aquele cara leva uma bronca, afinal, como ele não consegue seguir o exemplo do seu outro colega? Ele vira noites e noites trabalhando, podemos sempre contar com ele, se ligarmos de madrugada ele vai nos atender e ajudar a resolver o problema.
Na escola o pai exalta o filho para seus professores: ele tirou essas notas pois é muito esforçado, eu mesmo estudei com ele, falei que não admitia menos de 9,0, não deixei nem ele ir para o aniversário da colega que era para estudar e ser o melhor da turma.
Aquelas outras duas tinham a…

NOSTALGIA DA INTELIGÊNCIA >> André Ferrer

Ao lado do cinema, inaugurou-se uma locadora de filmes. Havia Betamax e VHS, o que originou duas seitas fundamentalistas. Corria, então, a década de 1980.

“E.T., O Extraterrestre” (1982), “Os Goonies” (1985) e “A hora do espanto” (1985), entre outros, ainda chegaram a tempo de serem reverenciados na tela grande. O Cine Terracota periclitava. Seus funcionários, todos idosos, pareciam carregar a decrepitude das paredes, cortinas e assoalhos no próprio rosto. Meguinha, o cartazista, já era um doente hepático naquela época, mas ainda reproduzia imagens incríveis em tamanho grande. Seus cartazes e letreiros ainda faziam com que os transeuntes parassem naquela altura da avenida.

Nas imagens imensas, pintadas a mão, que indicavam as atrações atuais e vindouras, as pessoas sempre reconheciam o rosto de alguma personalidade local. Políticos, autoridades e populares apareciam como vilões ou mocinhos, evidentemente, segundo o gosto e a decisão do artista. Meguinha, no entanto, fazia charme. Nunca …

COLEÇÃO >> Sergio Geia

Eu terminava de comer um pedaço de bolo quando apareceram; arrumaram tudo muito rapidamente, e, vencido o alvoroço da chegada, lá estavam eles prontos para gravar. Era uma matéria jornalística para um canal de televisão; o assunto, um tema fundamental para o progresso da humanidade: moedas. Queriam entrevistar a mocinha da padaria, experiente profissional no manejo de moedas. A jornalista, que reconheci dos jornais da hora do almoço, dizia que as moedas tinham sumido do mercado; onde estariam as nossas moedas?, ela perguntava. Pois respondo à senhora jornalista que não sei, não tenho essa informação. Talvez estejam em porquinhas escondidas em cristaleiras, como naquele filme do Suassuna; guardam-se moedas por longo tempo, e, quando resolvem fazer uso da fortuna, elas valem menos que um vintém; ou estejam em sacolas de supermercado que, depois de cheias, serão trocadas no comércio; ou talvez andem fabricando moedas de menos; não sei. O que sei é que infelizmente não tenho moedas aqui; …

MINHA VIDA COM AMELINHA - 1a parte >> Zoraya Cesar

Tudo na vida tem explicação lógica. Até mesmo minha vida com Amelinha. 
Moro sozinho. Vivo sozinho. Não tenho peixes num aquário. Não bebo cerveja com os amigos. Não tenho amigos. As poucas pessoas que me conhecem me têm por conta de misógino e esquisitão.

Sempre fui assim. Até hoje não sei por que casei com Amelinha. Talvez porque sejamos tolos quando jovens. Talvez porque ela fosse bem de vida e eu estivesse precisando de dinheiro. Talvez, sei lá. Carma. Mas eu não acredito nessas coisas. Tudo na vida tem uma explicação lógica.

O fato é que casei, na esperança de ter uma vida tranquila, financeira e emocionalmente. Sou químico, preciso de sossego para fazer meus estudos e experimentos. Casando com Amelinha consegui estabilidade financeira para montar meu laboratório  em casa e dar continuidade ao meu doutorado. Só não consegui paz de espírito.

Amelinha era carente. Carente, exigente, ciumenta, explosiva. Alternava momentos de ternura enjoativa com cenas de ciúme mexicanas. Não era bipol…

BRASIL NOVO X BRASIL VELHO>>Analu Faria

Parece estar havendo um embate entre um Brasil Novo e um Brasil Velho, ultimamente. O Velho, em crise de meia idade, invejava a juventude do outro. O Novo, adolescente, estava metendo os pés pelas mãos e tinha a audácia de achar que estava certo. Alguém deveria pará-lo. Mais: cortar-lhe os cabelos, à marra, arrancar-lhe os pôsteres da parede do quarto, revistar a mochila ao chegar em casa. Afinal, quando era jovem, o Brasil Velho não podia ter cabelos longos, não tinha dinheiro para comprar pôsteres e mochila era artigo de luxo. Na cabeça do Velho, cabia ao novo o "respeito" de não ostentar tudo isso.

É claro que o Brasil Velho podia usar essa fase para fazer coisas inofensivas de tiozão, como comprar um carrão, pintar os cabelos, fazer um mochilão pela Europa. Mas não: o Velho sente uma certa alegria em arrancar o sorriso do rosto do Novo. Como se assim ele, Velho, fosse parar o tempo. Como se não fosse envelhecer mais. Como se fosse para o ciclo da vida. Long live the king…

PROTAGONISTA >> Carla Dias >>

Só que tem o espírito rebelde, de rebeldia melindrosa e bem relacionada, daquela leva de espíritos que não levam desaforo pra casa. Seu espírito precisa gritar alto pelos seus desejos e murmurar quando necessário entregar suas fraquezas.

Tal espírito, vergado ao destempero da rebeldia, tem experimentado da polirritmia que cabe aos corações partidos aprenderem a suportar, assim como da desolação de quem passa fome e não é de comida. Porém, também as delícias fazem parte desse ser rebelde reverberante, como a de mergulhar fundo em qualquer emoção inspirada pelo afeto.

Todos os dias, seu espírito se coloca, declara suas ambições e arrebatamentos, evoca a compreensão de quem ainda não entendeu que, espírito rebelde feito o dele, às vezes, parece que vai sair do corpo e ganhar o universo. Transformar-se em luz cortando o céu noturno.

Nem tudo é passional e catártico. Também é exaustivo ter espírito feito o dele, porque é preciso saber controlá-lo quando seus impulsos o traem. Aquietar esp…

GÊMEOS BIVITELINOS >> Paulo Meireles Barguil

 Mendell era jardineiro e não cozinheiro, pois, ao invés das suas pesquisas sobre plantas híbridas, teríamos herdado algumas receitas de sopas e saladas. Não estou dizendo, esclareço logo, que aquelas são mais importantes do que essas. A relevância de umas e de outras é proporcional, direta ou inversamente, aos afetos do sujeito degustador, motivo pelo qual, cada vez mais, avalio como sensato reconhecê-los e respeitá-los. Enquanto Ciência, a Genética, derivada do vocábulo grego geno, que significa fazer nascer, é oriunda do início do século XX, sendo Mendel considerado seu pai. A mãe, até hoje, não foi noticiada... Durante séculos, a Humanidade, de forma intuitiva, envidou esforços para melhorar plantas e animais de acordo com suas necessidades. Mendel sugeriu que as características das plantas decorrem de uma dupla de elementos, nomeados, atualmente, de genes. Não me alongarei nessas considerações, seja porque são escassos meus conhecimentos nessa seara, seja porque sua paciência p…

O ZEITGEIST PIROU >> Mariana Scherma

Esses meus últimos dias têm sido turbulentos. Tudo me afeta loucamente. Um pepininho vira um pepinão, que desencadeia mais outros minipepinos. Vou resumir: na minha infância, o Sérgio Mallandro tinha um programa com um quadro chamado Porta dos Desesperados. Às vezes, saiam coisas boas. Às vezes, só saia mesmo um homem fantasiado de gorila enlouquecido. Digamos que todo dia eu abro essa porta e todo dia vem o homem-gorila. Aí um dia eu vi uns cabelos brancos e surtei. Ando estressada demais, um fato.
Conversando com uma amiga, ela também anda encarando demais o gorila. Minha vizinha e sua filha, idem. Outras amigas também. Meu namorado foi assaltado. E olhando de uma forma mais macro, o brasileiro anda recebendo muita visita do gorilão (ou você acha que aumentar a jornada de trabalho para 12 horas vai sanar a crise? Hmpf...). É como se o mundo estivesse surtado. Na aula de filosofia/história, falamos de zeitgeist. A impressão que eu tenho é que o zeitgeist pirou e se recusa a ir ao psiq…

OS AMANTES >> Carla Dias >>

Dialogar com a intimidade dos desejos, alcançando o sentimento com frenesi e descomedimento. É que desejo entrelaçado ao amor não manda recado quando o espírito terminou o ensaio e aguarda a performance do corpo.

Direto ao palco, por gentileza.

Revolucionar o sentimento ao esmiuçá-lo, saber dele os cantos e as incertezas, embrenhar-se na sua opulência em busca da sua finalidade. Que sentimento é bruta flor, necessita do fino trato do reconhecimento para manter água na boca de um pelo outro.

Democratizar os espaços: movimentos corteses aliciados por abraços ambiciosos, catalisadores da energia domesticada com o fim de mantê-la quieta, no canto que lhe cabe, incapaz de induzir os comportados a cometerem o deslumbre dos enlouquecidos por abraços.

Exigir que a língua oficial transite pela terra do silêncio, ocupada que anda em reconhecimento de território. Que o território corresponda a contento.

Patrocinar longas trocas de olhares. Dizem por aí que há magia nesse feito, é um tal de dele…

DE NOVO O TAL DO AMOR >> Clara Braga

Ah, o amor! 
Quem nunca sorriu, escreveu, cantou, gritou, chorou, sofreu, dançou, desistiu, abraçou, duvidou ou começou um amor? 
Amor é o tema mais antigo, mais piegas e, ainda assim, rende boas histórias. Quem diria, depois de tanto tempo o amor ainda consegue até ser polêmico!
Um cara foi lá e escreveu sobre o amor, o seu amor! Fez logo uma declaração daquelas de deixar qualquer um suspirando! Abriu seu coração e falou do amor que sentia, amor com direito a jazz como trilha sonora, com direito a viagens dos sonhos, fone de ouvido compartilhado, com poesia, versos, tudo muito singelo e delicado, muito sincero.
Claro, falar de amor é difícil, afinal, existem mil formas de amar, por isso mesmo, houve quem conseguisse sentir o que o tal escritor estava falando, compartilhou da leveza das suas palavras e se emocionou. Mas também houve quem achasse que esse amor de cinema, quase de conto de fadas, não fosse amor verdadeiro, e se incomodasse.
Não demorou muito e um outro foi lá e também …

FELLINI, AGORA EU TE ENTENDO >> André Ferrer

O lugar mais democrático de qualquer cidade costumava ser o cinema. Lembro-me de que o Cine Terracota se transformava num caldeirão. Antes e depois das sessões, fatos curiosos aconteciam por causa do choque entre as diferenças. Na entrada ou na saída, presenciava-se ou, na pior das hipóteses, protagonizava-se algum esbarrão.
Na verdade, o organismo citadino era bastante medíocre. Os espíritos que o animavam tinham dois polos bem definidos. Um risco no chão era feito e, a partir daí, qualquer antagonismo só dependia do lado escolhido. Em Terracota, esse jogo foi e sempre será pautado por duas cores: o preto e o branco. Já no cinema, quando a projeção começava, ninguém era diferente. Riso, tensão e medo nos igualavam durante o filme. O incômodo era suspenso até o acender das luzes.
A cidade onde eu nasci é um lugar esquecido pelo bom senso. Terracota pode crescer e até virar uma metrópole. Suas ruas podem se atirar ferozmente sobre as plantações vizinhas e as reduzir a lembranças imprecis…

PITAGUÁS >> Sergio Geia

Um canto ressoa da parabólica; estão enfileirados como se fossem um pelotão militar. Revezam-se na melodia esfaqueando o silêncio da manhã; a modulação é própria e lembram uma sinfonia. A visão suave me faz lembrar Zé Vicente, um amigo capixaba apaixonado por passarinhos. Uma vez, numa praça, em meio ao trânsito e barulho da cidade, ele parou um instante e disse: “Pitaguás”. E continuou: “Não ouve? Eles conversam, Geia. Conversam sim! O que é gorjeio pra nós é conversa pra eles. Pitaguás”. E dizia aquilo com uma comovente emoção. “Pitaguás...”. Eu parei; ouvi. Era uma cantoria alegre. “Ora, são bem-te-vis!” Lembro-me de que um deles estava em cima do sinal: dorso pardo, barriga amarela, duas faixas brancas (uma na garganta, outra no alto da cabeça), cauda preta. Ficamos um tempo a observá-lo com regalo. Expliquei a Zé Vicente que o nome bem-te-vi está intimamente ligado ao som que ele emite: “bem-te-vi”, muito próprio e encantador. “Pitaguá”, ele respondeu. “Pitaguá...” Brinquei: “Os be…

PARÊNTESES >> Zoraya Cesar

A vida é cheia de parênteses. Em toda história tem sempre um ‘senão’, um ‘mas’, um ‘porém’. Dizem que o diabo mora nos detalhes. Eu acho que ele mora nos parênteses. 
Quando o conheci, caí de amores na hora. E por que não cairia? Arturo era italiano, charmoso, inteligente, divertido, bom amante.  Por que eu – ou qualquer outra – não ficaria encantada? (Porque, dentre todas, eu deveria ser mais esperta).
Não levo homens para dormir em minha casa antes de levantar algumas informações – gosto de saber com quem estou saindo. Mas, às vezes, como diz meu chefe, o Diabo pega a gente distraída. Apaixonada por Arturo, em pouco tempo ele dormia comigo, sem que eu fizesse minhas averiguações. (Dormir é força de expressão. Passávamos a noite quase toda acordados, em nossos jogos eróticos).
Nada tenho em casa que possa revelar o que realmente sou. E, mesmo perdida de amor, por força do hábito menti que era analista de contratos na seguradora de meu pai. E Arturo? De onde saía o dinheiro para pagar no…

RAZÃO E SENSIBILIDADE>>Analu Faria

O que nos torna humanos não é a capacidade de raciocinar. Isso, bem grosseiramente, um robô sabe fazer. Esse ajuste fino que nos coloca como seres que criam obras de arte, programam em HTML, aprendem uma nova língua, têm empatia, se compadecem etc., é a capacidade de ser razoável.
O lado ótimo desse imbróglio político todo é que ele está nos mostrando quem são os humanos. Se você cedeu às paixões da sua ideologia - de direita ou de esquerda - e se esqueceu que é preciso ser RAZOÁVEL, meus parabéns -  mesmo com tanta gente te ensinando a ter empatia, a falar outra língua, a programar, a criar, a se compadecer, você conseguiu a proeza de se igualar a um primata qualquer que não os da nossa espécie. Ou a um robô. É um trabalho e tanto!
Eu até entendo que a uma reação deva corresponder uma reação. O problema é que esse costuma ser o argumento dos mal intencionados, para justificar um monte de merda. Tem gente de esquerda e de direita muito bem intencionada, que acaba se lascando porque a…

BOA FLEXIBILIDADE PARA VOCÊ >> Carla Dias >>

Lembro-me de um documentário que assisti sobre as pontes mais suntuosas do mundo. Fiquei impressionada com toda tecnologia aplicada nelas. Falo de antes da ponte da China, aquela de vidro, na qual jamais colocaria os meus pés, pois tenho um medo ferrenho de altura. E também certa fascinação, mas não o suficiente para me lançar em tal aventura.

A imagem que me deixou mais perplexa, no tal documentário, foi ver uma ponte de concreto dançar a valsa do vento. Havia tanta flexibilidade nela. Senti um misto de fascinação e terror. Como pode algo tão seguro, tão pesado, tão bem fixado, render-se dessa fora ao vento?

Sim, eu assisti ao documentário e tive acesso às explicações técnicas sobre como construir pontes capazes de suportar a força do vento, inclusive ventos capazes de balançar pontes de concreto como se elas fossem a namoradeira da varanda.  Ainda assim, impressionei-me de forma que não tem volta. Ali eu me dei conta de que ser flexível é uma questão de sobrevivência.

Todas as vezes…

O CRONISTO >> Paulo Meireles Barguil

Tendo em vista os acalorados debates sobre gênero, talvez tenha chegada (ou passada) a hora de ser abolida a configuração atual de substantivos e adjetivos de dois gêneros.

Nem meu ofício, nem meu lazer estão relacionados às letras, sejam elas consoantes ou vogais.
Considerando, todavia, que tanto meu ofício, como meu lazer são vislumbrar o que ainda não se materializou, apresento minha proposta.

Doravante, as palavras terminadas em a serão femininas.

De agora em diante, os vocábulos concluídos em o serão masculinos.
Proponho a criação de léxicos terminados em e ou i, caso esses já existam, para contemplar as pessoas que não se identificam com esses dois gêneros, bem como também aquelas que se identificam com os dois e, ainda, quando o gênero é desconhecido, em virtude da situação, podendo, portanto, se referir a cada um.
O artigo precedente destas palavras será o i, pois a e o estão impedidos.
Quanto ao e, ele já é muito ocupado.
Acho mais prudente guardar o u para outra oportunid…

ZERO EM SUPERAÇÃO >> Mariana Scherma

Não sou de fuxicar a vida dos casais famosos e ficar especulando relações. Mas também não sou um alien e acaba acompanhando alguns. Cada relacionamento é um mundo próprio, nada é como parece ser, mas, sei lá, sou fã de alguns casais. Exemplo: quando Brad Pitt começou a namorar Jennifer Aniston achei a perfeição. Eles sempre combinaram. Nunca vou esquecer o episódio de Friends em que Brad participou – estava na cara que tinha tudo a ver e ele estava feliz da vida. Mas aí veio a Angelina Jolie (insira aqui seu emoji de raiva)... E já era. Até hoje eu evito filmes da Jolie (com exceção de O Turista porque tem o Johnny Depp e Veneza). Peguei birra. Jennifer já superou há tempos, Brad e Angelina tem 487 filhos. Mas peguei birra. Não superei.
Marcelo Novaes e Letícia Spiller são outro casal insuperável. Eu os adorava naquela nova, acho que era Quatro Por Quatro. Eles tiveram filho, foram felizes, separaram e pronto: nunca mais esqueci. Apesar de esses dois eu não acompanhar tanto, nem sei co…