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Mostrando postagens de Agosto, 2020

AMOR, AMARGO AMOR >>> Nádia Coldebella

- Eu amo o Rossano, Adailton! - O homem agitou-se ouvindo a voz dela ao telefone. Sentiu a garganta engrossar, um nó impossível de engolir. Porque agitava-se se disso ele sabia? 

- Eu te usei Adailton. Queria que o Rossano olhasse para mim. - A agitação aumentou e ele, por um momento, chegou a achar que poderia sair do próprio corpo. Vermes poderiam comer meu cérebro agora e eu nem sentiria, ele pensouMas as mãos estavam bem conscientes e fecharam-se, obrigando as unhas a arrancar sangue das palmas. Lembrou-se que já sabia disso também. Procurou, sem êxito, se acalmar e engolir o nó que agora o sufocava. Isso não importa, ele pensou.
- Contei pra ele sobre nós, Adailton, contei sobre tudo. -  Dessa vez, o nó resolveu sair da boca num grunhido rouco:
- Porra, Sheiliane! - O Rossano é meu amigo, ele pensou. Enquanto estava atordoado, sem se importar com o amigo, sua língua adquiriu vida própria  - Sua puta! Puta! Puta! Você dormiu com todo mundo, sua puta vadia! - Porque estava tão bravo? …

CANÇÃO 6 DE 7 | VECCHIO NOVO

Porque acordar e se espreguiçar e ter de olhar para o mundo não é coisa para se fazer sem gastar alguns segundos no questionamento: 
Vale para quê? Encaixa-se onde? Acontece em qual como?
Depois, a breve agonia fica no passado, como se a ele pertencesse há milênios. A realidade pede por conclusão de afazeres, dos que vivem na agonia das urgências e servem apenas para justificar uma existência de números de documentos, agenda falecida nos braços de números de telefones abandonados para todo o sempre. Quilômetros de distância do que se assemelha a nós.
Não de quem... do que, mesmo.
Quem tem outra história. 
Não há atrevimento em se aventurar pelas nossas biografias como se fosse visitante. Turista interessado somente no que invade e se mexe por seu dentro com o respaldo da segurança do prazer. Deleites habilmente definidos pelo código de sobrevivência de quem teme o que avança, agita-se, provoca, enreda de fazer o sujeito que é perder rumo de qualquer verbo capaz de sintonizá-lo no calendári…

SEJAMOS REALISTAS >> Clara Braga

Eu decidi que eu seria uma mãe que não grita! Eu queria resolver tudo conversando, esse é um valor muito importante para mim!
Também prometi para mim mesma que doce seria só depois dos 2 anos e só no final de semana, e essa regra valeria para toda a família, afinal, o exemplo é a melhor forma de educar!
E falando em exemplo, todo dia teríamos um horário para a leitura de livros, juntos ou cada um lendo o seu, o que importa é que ele veja os pais lendo para adquirir também esse hábito.
Televisão seria com tempo contado no relógio, afinal, eu combinei comigo que eu seria o tipo de mãe que não sente necessidade de recorrer a esse tipo de “ajuda”.
Brinquedos seriam em sua maioria pedagógicos, melhor forma de aprender é brincando!
Teríamos um planejamento semanal, sabemos que a rotina é uma grande aliada!
Algumas coisas funcionam muito bem, outras tantas ficam no mais ou menos e muitas outras acontecem quase de forma oposta à que eu imaginava! Mas outro dia, vi uma psicóloga dizer que exi…

o louco e o tempo <<< branco

me lembro
de quando a vi ir para o trabalho com seu jeito elegante e andar firme cabeça ereta e de como desapareceu no final da rua
retorno aos meus afazeres um pequeno conserto aqui um outro acolá nada é desperdiçado preparo uma bela recepção para quando ela voltar
o encanamento da pia - na cozinha - pretendo conserta-lo ainda hoje vejo que preciso também fazer uma boa limpeza muitas panelas e pratos se amontoam a sujeira no chão e as teias nos cantos
ouço na rádio que milhões de pessoas passam fome que existem nove guerras em andamento e que houve mais uma chacina mas nada disso me importa continuo meu trabalho
as paredes poderiam receber uma nova cor mas antes preciso encobrir as rachaduras que elas apresentam penso rachaduras-cicatrizes
findo dia tomo um banho estou limpo e penteado e mesmo vestindo roupas puídas consigo o meu melhor sorriso - aquele ensaiado exaustivamente -  sento-me na cadeira da varanda  e espero pela sua volta
percebo os mesmos olhos - dos mesmos vizinhos- e…