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Mostrando postagens de Agosto, 2008

GUERREIROS E ANJOS DA GUARDA >> Eduardo Loureiro Jr.

Há tempos e tempos, os deuses viviam no meio dos homens. Zeus, Atenas, Apolo... nos apareciam com alguma freqüência, agiam entre nós, ora com seus superpoderes, ora com manifestações que poderíamos chamar de humanas, como orgulho, inveja, ciúmes.

Há tempos os deuses se fixaram no céu em pedras e fogo -- as luas, os planetas, as estrelas, as constelações -- como se tivessem desistido de interferir nesse nosso mundo.

Mas e se não for bem assim? E se a inércia -- o movimento previsível dos astros -- for apenas uma aparência, uma ilusão? E se os deuses continuam interferindo sem que nós nos demos conta disso, sem que nossos olhos percebam seu veloz e luminoso movimento?

De vez em quando, ocorre-me ver de relance alguns de seus lances. Durante esse mês de agosto, por exemplo, aqueles e-mails dizendo que Marte apareceria tão grande quanto uma lua no céu pareciam indicar que o Deus da Guerra, auxiliado pelo galhofeiro mensageiro dos deuses, Mercúrio, estava querendo marcar presença, mesmo que a…

DIA DO PSICÓLOGO [Maria Rita Lemos]

Em 27 de Agosto de 1962, a lei 4119 regulamentou a profissão de Psicólogo no Brasil, estabelecendo critérios legais e civis para seu exercício.

Faz pouco mais de um século que Wilhelm Wundt foi o primeiro a encarar a Psicologia como ciência, no seu laboratório em Leipzig, na Alemanha. As idéias de Wundt, porém, não progrediram muito por estarem ainda muito ligadas ao fisiologismo. Entretanto, a partir de seu pioneirismo, muitas fundamentações teóricas se desenvolveram, como a psicanálise, o gestaltismo, o behaveourismo, a análise transacional, e mais modernamente a psicologia comportamental cognitiva. Embora cada escola aborde o ser humano conforme sua ótica, todas estão preocupadas com o estudo das angústias, conflito e equilíbrio emocional dos indivíduos.

Desde a regulamentação da profissão, há 46 anos, o dia 27 de Agosto passou a ser comemorado pelos profissionais da área, representando o compromisso dos psicólogos com uma sociedade mais justa, mais humana, igualitária e empenha…

ENTRE CAIXAS >> Leonardo Marona

Há uma sensação de alívio quando se trepa e não se goza. Algo semelhante a uma mudança repentina que no fundo não sucede. Na verdade eu havia me mudado apenas para poder não ter casa alguma, não pertencer a nenhum lugar, apenas para não esperarem mais por mim, ou talvez já nem esperassem mais e essa era a verdadeira questão: eu precisava me livrar dessa dúvida, ter um lugar só meu para poder abdicar dele.
E nos vemos subitamente em meio a caixas úmidas de papelão. Algo como se tivéssemos finalmente nossos pavores organizados segundo os padrões que inventamos e na verdade não cumprimos nunca porque não nos interessa o que sabemos. O tédio está no que se sabe, naquilo que dizemos aos outros com ares disfarçados de louvor. No fundo aprende-se com o melhor do mal original e se faz bom-proveito, na bacia infinita de lágrimas compartilhadas.
O quadrado onde, de forma exata, couberam minhas tralhas dava de frente para um vão central, comum aos piores cômodos dos piores apartamentos do edifício…

INTERIORES >> Carla Dias >>

Neste instante, talvez em outro, quem sabe? Minha existência confronta a serenidade. A intranqüilidade faz desconfortável a estadia neste universo novo em folha; envelhecido pela pressa com a qual seus habitantes constroem seus palácios, seja no mais requintado da alvenaria ou na emenda dos apodrecidos sarrafos.

Pense nela como a mulher que sabe que desejo nem sempre casa com realização. Quem não acredita que podemos tudo, pois tudo é sempre a mais, é extra, é o que não nos cabe. Ela acredita que o que nos cabe é um tudo disfarçado de fragmentada realização, então prefere saborear isso ao excesso impregnado de significativas perdas.

Mansões ou favelas comungam, atiçados um pela sorte do outro. O rico que esperneia para não empobrecer. O pobre sapateia para não engolir de vez a miséria. Há dores em cada lar desses, assim como há alegrias.

Pense nele como quem desvenda desfechos, correndo sempre atrás de uma nova oportunidade. Quem não se conforma com limites, joga-se ao imprevisível como …

O TEMPO, O ESPAÇO E O ABSURDO >> Eduardo Loureiro Jr.

Existe o tempo, o espaço e o absurdo.

O tempo é uma pessoa que acende e apaga ininterruptamente um interruptor enquanto outra pessoa canta uma música que acende e apaga palavras:

Eu sou um vaga-lume
que brilha e também se apaga.
O escuro vai fugindo
por onde meu lume vaga.

O espaço é estar acima, do lado, entre ou mesmo distante.

Absurdo é lembrar de uma pessoa que não se vê há vinte anos, da qual não se tem a menor idéia de distância... lembrar apenas porque aquela pessoa lhe ensinou a fazer uma dobradura de papel e você está fazendo essa dobradura agora.

O tempo-espaço é sentir-se próximo mesmo sem se estar próximo apenas porque se esteve próximo num momento anterior. É guardar para sempre uma presença que não existe mais.

O espaço-absurdo é estar perto sem poder tocar, tocar sem poder entrar, entrar sem poder perder-se, perder-se e ter que se achar.

O absurdo-tempo é estar em qualquer então, sem máquina, apenas com o sentipensamento.

Tempo-tempo é este momento.

Espaço-espaço é o abraço.

Absurdo…

AS MENINAS DA GINÁSTICA [Ana Coutinho]

Sempre me impressiono com essa coisa de Olimpíadas. Fico achando que se o nosso corpo permite aquilo tudo, é impossível que eu não possa dar uma cambalhota.

No entanto, esse ano, mais fortemente, tenho pensado nas meninas da ginástica olímpica. Entre todos os esportes esse me toca mais profundamente, por conta do que ele exige.

Ok, fomos feitos para ser fortes, fomos feitos para ser rápidos, fomos feitos para ser peixes até, mas não, não fomos feitos para ser equilibrados como aquelas meninas. As mocinhas, tão jovens, ficam firmes sob um fio de navalha, uma linha apenas, tão fina, tão pequena, e mantém-se de pé. Algumas tremem, outras, de forma absolutamente impressionante, conseguem ficar imóveis, intactas, frias como uma pedra de gelo, racionais como uma árvore, mudas e firmes como eu, em toda minha vida, nunca consegui ser. Nem por um instante. Talvez porque eu tenha nascido nesse país quente e borbulhante, onde ninguém fica mesmo muito parado. Inclusive elas, as ginastas brasileira…

Essas coisas inomináveis >> Leonardo Marona

O objeto central da crônica de hoje é muito comum. Muitos cronistas superiores foram especialistas no tema, mas, mesmo assim, há que se falar, e o diabo de se escrever é esse: qualquer idiota pode fazê-lo, bem ou mal.
Falarei de um tema amplo, interminável, pois que permanece um mistério insondável por milênios. O tema sobre o qual discorrerei é ralo como areia nas mãos de imperadores e proxenetas. Pessoas sem espírito são capazes de fazer o sinal da cruz ao se depararem com certos exemplos do tema abordado hoje. Podemos explicar chacinas, parricídios abissais, mas o objeto sobre o qual escreverei permanece intacto diante dos nossos olhos, como de resto são o Triângulo das Bermudas, a Caixa de Pandora e o Senado da República.
Gostaria de tecer palavras carinhosas sobre o incrível e anatômico objeto a que me refiro, mas a verdade é que tenho medo dele, porque vim dele, ou seja, porque ele sempre será anterior a mim ou a qualquer homem; e antes dele apenas o vazio hipotético.
Este objeto t…

MINHA LISTA >> Carla Dias >>

Eu não nasci para listas...

Não fiz lista de mocinhos que beijei, quando era adolescente. Lia a lista das minhas irmãs e amigas, o que não deixava de ser interessante, até porque depois conferia a cara dos moçoilos lá na escola e ficava pensando se também eu os beijaria.

A lista de livros que devia pegar na biblioteca municipal se desfazia assim que eu botava os olhos nas prateleiras. Eram tantos que a lista ficava na bolsa. Voltava pra casa com, no mínimo, três exemplares. Nenhum deles estava na lista.

Fazer lista para ir ao supermercado é algo que me proponho a consertar. É que sempre faço, nunca uso e volto pra casa com itens faltando e outros sobrando. Tenho esperança de, dia desses, render-me ao valor da lista de supermercado, até para diminuir as idas e vindas carregando sacolas ecologicamente incorretas.

Obs.: Incluir na lista de supermercado uma sacola ecologicamente correta.

Acredito que a lista mais popular é a do que se deseja realizar durante a vida. Eu fiz uma quando ainda son…

LISTA DE FINAL DE SEMANA >> Eduardo Loureiro Jr.

1. Ver São Paulo, cidade que eu não visitava há 15 anos, de cima.
Observação: As coisas sempre parecem melhores vistas do alto: há mais água, mais verde, mais cores. De cima, toda cidade é maravilhosa.
Lembrete: Nunca trocar uma janela por um corredor, mesmo se estiver com pressa de desembarcar do avião.

2. Abraçar Inês após um ano.
Observação: Por mais que se mantenha o contato, a proximidade e até a intimidade por telefone ou e-mail, não há nada como o todo da pessoa em nossa frente e ao nosso redor.
Lembrete: Nunca passar um ano inteiro sem ver as pessoas muito queridas.

3. Visitar o Museu da Língua Portuguesa.
Observação: A palavra, no escuro, falada, tem o poder de tocar o coração feito os dedos tiram sons das cordas do violão.
Lembrete: Levar outras pessoas a lugares de encantamento.

4. Conhecer o som das vozes da palavras de Debora e Ana. (Ou: Ver a forma de ser da luz de Debora e Ana.)
Observação: Por mais bonitas e bem empregadas que sejam as palavras, as pessoas que as embelezam e b…

O LIMITE E A PELE [Sandra Paes]

O desejo de comer bolinhos de chuva numa tarde de nuvens espessas me levou à cozinha. Preparo a massa, me deslumbro com o misturar de gemas ao leite e me recordo com gosto dos tempos de gemada quente, com o conselho de que faz bem pra saúde.

A arte de cozinhar passa por memórias, ativa e abre o portal dos mistérios, aguça o feminino em mim e me leva sempre a cantar qualquer coisa ou vez por outra me surpreender com canções que mais parecem composições do momento. Claro, a criatividade nao tem limite. Rola numa dança solta, ritimada, feliz como bailarina que ensaia os próprios passos, sem se ocupar de platéia ou aplauso.

Momentos mágicos. Todos esses que vivem antes e depois do aha. A gente não os segura, apenas vivencia e vez por outra compartilha, e quando acontece, o júbilo e o riso estão sempre juntos.

Massa pronta, hora de preparar o óleo quente e começar a sonhar com histórias de Narizinho e Tia Anastácia.

Pego os primeiros bolinhos e os coloco com cautela na panela. Olho atentament…

HOMEM-COTOCO >> Leonardo Marona

Ali está ele, sobrando em calças velhas, espalhado pelas calçadas da cidade em que não há mais tempo, catando latas e pequenos bibelôs ou pedaços de coisas quebradas.
O homem de poucos membros principalmente sorri. Só existe desespero nos que são vaidosos a ponto de sentirem que têm muito a perder. O homem-cotoco magistralmente sorri, pois dificilmente perderá mais alguma coisa, e nem a vida é mais alguma coisa. O homem-cotoco sorri porque não está na disputa imbecil pelo tempo. Ele está dissolvido no cimento entre carros e restos de macarrão que as pombas renegaram.
O homem-cotoco sorri, eis a cena deplorável. O homem-cotoco, apesar de tudo, é mais feliz do que você e eu. Ele não tem pelo que existir e, portanto, tem direito a uma felicidade sublime, posto que não é uma felicidade material. A felicidade do homem-cotoco desnuda o homem de fé. Nada poderia ser mais cristão que a felicidade do homem-cotoco. Um homem que passou por uma provação e por isso pode sorrir como quem tem direito …

ELE >> Carla Dias >>

Despe-se da identidade, da indelicadeza do sobrenome; e se acredita nas saídas, também delas desdenha, já que permanece estático, o corpo aninhado no sem-tempo. Quem se atreve a decifrá-lo, acaba mancomunado com a poesia que se revela no seu semblante esmiuçado por êxtases, mágoas, ilusões, alegrias.

Sob a pele sequiosa por deleites há estradas miúdas que se cruzam no rubor das faces. Nelas a assimetria do reconhecimento embeleza uma das versões da verdade: viver também é sofrer a sós.

E catalogar imprevistos, porque entregar-se a eles com certo zelo o faz imergir a própria alma numa dança desengonçada, que mesmo muitos pensem ser um insulto à graciosidade, torna-se impecável aos olhares mais curiosos.

Torna-se cena de filme preferido.

A sós – mas à vista de quem possa desejá-lo -, transgride o fascínio ao enevoar virtudes. Zera a lista de qualidades, como mercadoria que já não está em liquidação, então adoece de depósitos, mostruários, vitrines; embebeda-se dos olhares dos miseráveis que…

Falta de assunto é um problema [Claudia Letti]

Quase que não escrevo minha crônica desta semana por dois motivos: falta de assunto mesmo, no duro, e por uma série de problemas e probleminhas que me impediram de sentar aqui e começar a pensar escrevendo. Falta de assunto poderia ser mais um problema se eu não considerasse alguns problemas como contratempo -- que é como costumo chamar a maioria dos meus problemas pra não deixar morrer a Pollyana que treinei por anos a fio.

Até porque o que não tem remédio remediado está, como diz o ditado. Problema é o que não falta na vida da gente, até mesmo quando é vendido como remédio, como se vê. E tem gente com todo tipo de problema e problema pra todo tipo de gente. Conheço quem adore um, trata feito animal de estimação ou planta rara que precisa ser hidratada e adubada todos os dias. Deus o livre se o problema morre, a pessoa padece de falta e alguns não conseguem nem disfarçar o luto, tamanha dor da perda. Também há aqueles que gostam de resolver problema, "Tem problema aí? Deixa comig…

O CONTADOR DE HISTÓRIAS >> Eduardo Loureiro Jr.

— Edu, você é um contador de histórias!

A frase — que me surpreendeu — foi dita por uma colega de trabalho após eu relatar uns acontecimentos da festa de aniversário da noite anterior...

O poeta, também colega de trabalho, diante de uma prova de múltipla escolha, compôs: A ou B? C ou não C? E se for D?

Todos riram, baia após baia do ministério. Foi quando a colega disse:

— Você é um contador de histórias!

E eu fiquei pensando por que ela disse aquilo se eu fui uma criança tão tímida e se meu falar sempre me soou tão desinteressante.

Talvez a colega tenha dito aquilo porque eu fiz uma pequena introdução sobre o momento da festa em que o poeta recitara seus versos de brincadeira. Ou talvez porque eu arrematei o relato dizendo: "Foi D, e o poeta se fodeu."

— Você é um contador de histórias!

A frase ficou girando no meu juízo e me lembrei de meu pai, esse sim um contador de histórias.

Ontem, quando me recebeu em sua casa para o final de semana do dia dos Pais, ele não deixou que eu dorm…

DIA DOS PAIS, TEMPO PARA FILHOS [Maria Rita Lemos]

Conta a lenda que, certa vez, um pai chegou do trabalho tarde, cansado e irritado, quando seu filho de 5 anos perguntou: - Pai, quanto você ganha por hora de trabalho?

- Mais ou menos oito reais por hora, se considerar o salário mensal. Mas por que essa pergunta?

- Não é nada, não, estava só pensando... , respondeu o menino.

Passaram-se alguns minutos, e o menino voltou ao assunto, quando o pai já se preparava para entrar no banho.

- Pai, você me empresta três reais?

Preocupado e tenso por problemas no trabalho, o pai respondeu: - Por que você não disse logo que queria dinheiro? Para que vir com essas perguntas bobas? Não percebeu que eu só quero descansar? Enfim, se é para me livrar de aborrecimentos, toma logo aqui o dinheiro que você precisa, e vai ver televisão, porque tenho que tomar banho e jantar.

Algum tempo depois, já mais relaxado, o pai voltou a perguntar ao filho, que cochilava no sofá:

- Mas por que é mesmo que você me pediu esse dinheiro?

- É que eu tinha juntado cinco re…

Jantar, foder e dormir >> Leonardo Marona

O governo estava sendo pressionado pelo partido, que estava sendo pressionado pelos dissidentes do partido, que estavam sendo pressionados pelos dissidentes radicais do partido, que estavam sendo pressionados por suas mulheres, filhos e amantes, que também estavam sendo pressionados por um babaca qualquer de jaleco, com cabelos saindo pelas orelhas. Era mais ou menos esse o panorama sócio-político durante os últimos duzentos anos.
Lins vinha de carro ouvindo rádio, insatisfeito com o trabalho, pensando na sensação que teria ao despejar óleo fervendo no ouvido do patrão, farto da fumaça seca e cinza dos carros, das caras murchas por trás dos volantes, tirando meleca e cutucando a orelha com o dedo mínimo. Figuras apáticas e resignadas. Como Lins. Como vacas. Todas dependuradas ao volante, procurando um pouco de paz na observação do nada. A cada volta do trabalho, Lins sentia-se como se estivesse com um rato faminto lhe subindo pelas bainhas das calças, até roer-lhe a virilha, arrancar-l…

PESSOALIDADES >> Carla Dias >>

Pessoas peculiares, algumas excêntricas, até, freqüentam minha vida, desde sempre. Muitas das que encontrei se tornaram minhas amigas.

Verdade seja dita: eu adoro os excêntricos, geniosos, complicados. Escutar o que eles têm a dizer; seguir a linha de raciocínio deles, me influencia a questionar o convencional.

Um desses meus amigos, um guitarrista muito talentoso, é dos mais inspirados. Não sei se pelas histórias em quadrinhos que adora ler ou porque a sua visão sobre a vida e o ser humano é realmente tragicômica, como é a versão oficial que vivenciamos diariamente.

Uma amiga muito querida é das que não medem palavras. Diz tudo o que pensa, sem peneirar. Normalmente, isso incomoda muito quem não a conhece, mas quem se detém um pouquinho mais em quem ela é; quem pára para escutar o que ela tem a dizer, compreende que esse incômodo que ela provoca pela sua sinceridade descarada e pronunciada, é justamente o que a torna uma pessoa dedicada a ajudar o outro, sem julgá-lo.

De um amigo eu inve…