terça-feira, 5 de agosto de 2008

GOLEIRA DE CASAMENTOS -- Paula Pimenta

Eu confesso. Adoro pegar o buquê da noiva. Não me entendam mal, não estou louca pra casar, ou acredito em crendices, nada disso. Eu gosto mesmo é da emoção de catar o buquê no meio daquela mulherada desesperada e sair com ele do meio da multidão, como se fosse um troféu. É um esporte meio perigoso, eu sei. Já levei cotoveladas, puxões de cabelo, pisões no pé... e é preciso muito sal grosso no dia seguinte, pra lidar com os olhares invejosos depois do arremate. Mas tem gosto pra tudo... uns gostam de 'skydiving', eu prefiro 'bouquetcatching'.

Curiosa pra saber de onde veio essa tradição de se jogar o buquê, resolvi pesquisar. Descobri que sua origem vem da idade média, quando durante o trajeto de sua casa até o local onde seria realizado o casamento, a noiva recebia flores de todos os que a acompanhavam, chegando ao local da cerimônia com uma braçada de flores. Ele viria a ser disputado por todas, porque ao jogá-lo no momento da despedida, a noiva repartiria, num gesto generoso, a sua felicidade. Seja para ser feliz ou pelo prenúncio de ser a próxima a se casar, o fato é que a tradição pegou.

Já perdi a conta de quantos buquês eu peguei e nesses vários anos de observação e prática, cheguei a uma conclusão. Existe uma técnica para se pegar o buquê. Em 95% das vezes esta técnica funciona, e quando não funciona é porque o buquê veio com defeito. É claro que eu não vou entregar o jogo todo aqui, afinal, não quero que isso se espalhe, pretendo continuar pegando todos os buquês dos intermináveis casamentos que participo. Mas vou dar uma dica (e já revelei a mesma a uma das minhas amigas, ela inclusive pegou o buquê e vai se casar no ano que vem): existe um ângulo de arremesso das noivas. Todas elas jogam o buquê na mesma direção. Se vocês descobrirem esse ângulo, segredo desvendado.

Uma outra coisa muito importante a se reparar é se a noiva realmente está jogando o buquê que ela usou para se casar na igreja (ou na cerimônia). Porque a moda agora é guardar para si o buquê grandão, abençoado por Deus, e jogar para as convidadas um falso, feito só para o arremesso, pequenininho, completamente sem graça e sem o poder de atrair casamento para quem o pegar. Eu me recuso. Só entro na caçada pelos buquês legítimos.

Agora um conselho às futuras noivas para que não desperdicem esse momento tão esperado de suas festas de casamento: é extremamente importante que vocês não percam o “timing” do buquê. Tem um momento certo para a jogada. Se for muito no começo da festa, não dá certo... não é uma hora oportuna quando todo mundo ainda está chegando, o champagne ainda não fez efeito, a preocupação com o visual ainda comanda. No final também não é uma boa idéia, já que as mulheres todas vão estar com os pés doendo, passando mal por causa da bebida, muitas já acompanhadas (e pega mal largar o gatinho recém-conquistado pra caçar o buquê)... O momento ideal é exatamente 2 horas e 30 minutos após o começo da festa. Nesse ponto, todo mundo já está alegrinho e as convidadas já estão soltas o suficiente para ter coragem de pagar o mico (e sem receio de estragar o penteado).

Então, técnicas divulgadas, desejo muito boa sorte a todas as caçadoras de buquês que não freqüentam os mesmos casamentos que eu. Às minhas amigas, que sempre reclamam que eu nunca deixo o buquê pra ninguém, só tenho a dizer que rezem para que todos os buquês que eu já peguei façam efeito logo. Aí eu prometo que divulgo o ângulo das noivas e libero os próximos pra vocês, inclusive o meu próprio. Garanto que se ele não lhes trouxer um marido, pelo menos virá repleto de felicidade.


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3 comentários:

C Letti disse...

Paula querida, eu nunca peguei um buquê. Por constrangimento mesmo, de ficar lá esperando, ehehe. Bobagem minha, bem sei, até porque se eu soubesse dessas técnicas todas, teria me aventurado.
beijo carinhoso procê.

Marisa Nascimento disse...

Vixe, Paula! Eu nunca peguei um buquê! Agora também não tenho nem mais intenção. Deveria ter sabido dos seus truques uns, pelos menos, 15 a 20 anos antes. :)

Menina com uma flor disse...

Paulinha, essa cronica foi ótima. Mas lamento informar que também não jogarei o meu buquê (de tulipas). É amor demais por ele para jogá-lo.
beijos