Pular para o conteúdo principal

LISTA DE FINAL DE SEMANA >> Eduardo Loureiro Jr.

Lídia Cerqueira1. Ver São Paulo, cidade que eu não visitava há 15 anos, de cima.
Observação: As coisas sempre parecem melhores vistas do alto: há mais água, mais verde, mais cores. De cima, toda cidade é maravilhosa.
Lembrete:
Nunca trocar uma janela por um corredor, mesmo se estiver com pressa de desembarcar do avião.

2. Abraçar Inês após um ano.
Observação: Por mais que se mantenha o contato, a proximidade e até a intimidade por telefone ou e-mail, não há nada como o todo da pessoa em nossa frente e ao nosso redor.
Lembrete
: Nunca passar um ano inteiro sem ver as pessoas muito queridas.

3. Visitar o Museu da Língua Portuguesa.
Observação: A palavra, no escuro, falada, tem o poder de tocar o coração feito os dedos tiram sons das cordas do violão.
Lembrete: Levar outras pessoas a lugares de encantamento.

4. Conhecer o som das vozes da palavras de Debora e Ana. (Ou: Ver a forma de ser da luz de Debora e Ana.)
Observação: Por mais bonitas e bem empregadas que sejam as palavras, as pessoas que as embelezam e bem empregam ainda são muito mais.
Lembrete:
Transformar agradecimento e admiração em amizade.

5. Andar no Parque do Ibirapuera.
Observação: Os pés e o olhar sabem escolher melhor os caminhos. A cabeça pode descansar e brincar com palavras, inventar versos, conceber crônicas.
Lembrete: Nunca mais sair para caminhar preocupado com a hora de voltar.

6. Cantar com meu caro amigo Fabiano na Bienal do Livro.
Observação: O canto do conto do centro do peito não carece de ensaios. Criança é todo aquele que responde perguntas simples ("Você já esteve muito, muito, muito, muito alegre?") e sorri antes mesmo de respondê-las. A vida é mais bonita com improvisos de amor.
Lembrete: Certificar-se de que no mesmo horário, e a 20 metros de distância, uma banda de rock não estará tocando.

7. Comprar, depois de folhear, o livro "O Cancionista".
Observação: Comprar pela internet é quase sempre mais prático, mas certos livros são como quase todas as pessoas, a gente não pode julgar pela capa, tem que tocar, abrir, cheirar, folhear ao acaso, procurar por algo que nos seduza e fechar só com a certeza de abri-lo logo, logo, num espaço mais íntimo.
Lembrete: Providenciar comprovação de meu estado de professor para obter descontos ainda melhores na compra de livros.

8. Escrever a crônica do dia de domingo.
Observação: A crônica só se escreve mesmo na hora. Concebe-se uma, várias até, em pensamento, mas aquela que é escrita é uma conspiração - revolucionária - dos dedos com o sentimento.
Lembrete: Nunca esquecer o que sempre digo aos leitores: crônica é um tanto de verdade e outro tanto de invenção.

Comentários

Marisa Nscimento disse…
Eduardo,dá para fazer também uma listinha considerável substituindo a cidade por Curitiba, sabia? *assobiando disfarçadamente e convidativamente aqui* :)
Com a sede de mundo que eu tô... Marisa. :)
Cristiane disse…
São Paulo é uma delícia (para os que passam...). Também tive um "pousar" por lá, assim como o seu. Não cheguei pelo alto, mas por terra mesmo. Também tive um encontro com a Débora e com a Ana (não sei se as mesmas que você terá)e conheci, ainda, a Mari e a Thaís e outras luzes especiais.

São Paulo me deixou saudade. Saudade daquelas pessoas, saudade da cultura que transpira de suas salas, praças, bairros e cantinas. Ah, as cantinas italianas!

Bom estar lá para você também.

Abraços,
Ah, Cristiane... passei tão pouco tempo! Tive que deixar as cantinas, as Máris e as Thaíses para outra oportunidade.
Carla Dias disse…
Eduardo... Quero estar na sua próxima lista paulistana! Desculpe o furo.
Fábio Barros disse…
Bienal do livro em São Paulo? Visita ao Museu da Lingua Portuguesa? Eita inveja...

Um passeio legal que fiz em São Paulo foi andar da Av. Paulista até uma cantina italiana no Bexiga, num domingo de tarde.

Um abraço!
Debora Bottcher disse…
Ah! Eduardo... Vc nem imagina como ficamos felizes, eu e Ana, de fazer parte dessa lista - tão concorrida, ja que além de SP ter tanto pra ver, o tempo ainda era pouco.
Foi um privilégio te encontrar, também conhecer o tom e a voz das suas palavras, do riso, o brilho dos olhos - e conhecer Inês, claro. :)
Um beijo.
Carla, desconfio que você sempre estará nas minhas listas. :)

Dica anotada, Fábio, dessa vez percorri a paulista de carro. Da próxima, caminharei e depois comerei uma pizza.

Debora, que seja o primeiro de muitos encontros.
Kinha disse…
Eduardo...amei sua lista e seus lembretes e aproveitei para ler mais de você.
Aproveito para me desculpar por não ter visto seus comentários à minha crônica do Dia da Mulher...e te dizer que eu, que adoro logos papos, acordos e até bolodórios com amigos queridos, acho que de vez em quando o silêncio é o melhor acordo a ser feito.

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …