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Mostrando postagens de 2019

vida no aquário >>> branco

bem acho que todos sonham com um futuro melhor em partir do presente para buscar a felicidade
você e eu não somos diferentes também queremos céus serenos voos de brigadeiro fazer boas trocas feridas por curas solidão por alegria dor pelo bem-estar calor sufocante por brisa um amanhã por todos os ontens
sonho com tudo
olhando para o sofá o aparelho de tv racks e carpetes da sala de estar
hoje  eu poderia estar mais feliz e demonstrar isso dando voltas voltas e voltas neste espaço limitadamente sem fim balanço o meu corpo e o levo entre o castelo o escafandro  e as folhas verdes de plástico escondo-me atrás da pedra branca para poder sonhar mais um pouco enquanto nenhuma novidade acontece nesta minha vida no aquário

artwork : sonnie












COISAS CAEM >> Fred Fogaça

Hoje caíram no chão: o coador de pano para café com seu suporte de plástico, duas colheres, dois copos de plástico, um pedaço de mamão, cascas de três bananas, a vassoura, água, duas folhas rasgadas e um marca página junto, algumas sacolas de mercado e, infelizmente, um copo de vidro; algumas nunca são pegas. São nove da manhã, o dia se arrasta.

A SANDÁLIA >> Sergio Geia

No canto da calçada ele vê a bituca de cigarro, o galho seco da sibipiruna, a garrafa de cerveja longneck, a caixinha vazia de Big Mac; no meio do jardim, um homem coberto por trapos dormindo. Passam muitos e não percebem que ali, no canto da calçada, há também uma sandália. Não percebem o andrajoso — ele pensa —, vão notar uma sandália? 
Depois, metros adiante, uma imagem ainda fraca lhe aparece: é lilás; como poderia ser branca, vermelha, marrom, até rosa, ele argumenta, mas é lilás, e novas imagens vão se sobrepondo a outras. 
Embora ele tenha dito uma sandália, o que ele quis dizer mesmo foi um par de sandálias, e não um pé de sandália. Foi isso que ele quis dizer. Foi isso que você entendeu? Essa sua eterna mania jurídica de explicar tudo tim-tim por tim-tim, mas insiste nisso para você entender o que dirá agora. 
Está em pé um pé, encostado na borda do jardim, como se olhasse tudo do alto, general de brigada, leão da montanha. O outro pé está ao lado, esparramado, cabeça pra ba…

PROMESSA >> Paulo Meireles Barguil

 No intento de conseguir algo, a pessoa promete.

Quem fala de modo solene, em alto e bom som, invocando até os genitores, é confiável?

O que é dito em cochicho, sussurro e gemido é crível?

Quem ouve tem o direito de acreditar ou de duvidar.

Algumas vezes, para se resguardar de eventual prejuízo em virtude de não cumprimento do dito, o compromisso é registrado: direitos e deveres para os envolvidos na transação. Não basta, contudo, aplicar sua assinatura. É necessário que ela seja autenticada!

A folha escrita atenua o peso da incerteza, mas não a elimina.

E o que não é passível de ser colocado no papel?

O jeito é confiar no outro, sabendo que ele, assim como você, pode ser, a qualquer momento, abduzido por desejos intrauterinos ou inomináveis... [Eusébio – Ceará]

[Foto de minha autoria. 06 de dezembro de 2019]

A MENINA QUE RI >> Whisner Fraga

a menina descobre que é volúvel.

a volubilidade imprevista do tempo.

a menina não quer nada que já não seja dela.

e isso dói.

a menina se dedica a buscar alentos e percebe que isso é bom.

sabe que viver consigo é esse duelo.

às vezes desaba, mas logo a distração lhe mostra que é melhor se levantar.

a menina tateia evidências e quer o mapa das coisas.

o mapa da benquerença.

o mapa da euforia.

mas o mundo só lhe entrega um rumo bifurcado.

a menina prende os cabelos, enlaça os olhos do pai e há ali proteção e brutalidade.

a menina tem amigos e nenhum se importa.

depois se cala, porque o silêncio é uma vastidão.

A SÓS >> Carla Dias

Eu poderia dizer as frases certas, usando palavras adequadas. Até mesmo pronunciar poesia na sofreguidão da felicidade. Envolveria Deus no prelúdio, para que as decisões sofressem de divindade.
Eu poderia lhe dedicar o meu universo, do momento que antecede meu despertar ao suspiro que protagoniza meu adormecer, restando-me viver em nome da feitura desse compromisso.
Seria nem sempre amável, que eu sei que sofro de desatino. Conversaria com as paredes, que elas têm me esclarecido um tanto de coisas escondidas. Atravessaria a rua, olhos fechados, no vermelho, só para chacoalhar a rotina e assustar o sossego.
A verdade se vê diminuta nos palcos desse meu fascínio, que prefiro inventar acontecimentos, deslizes, machucar minhas certezas em vez de gestar indiferença, para então orná-la com falsos sorrisos. À vida eu dedico o mais longo, cáustico, inspirador, vívido suspiro.
A você eu dedico o pensamento mais íntimo.
E outras tantas intimidades, como a de beber água no mesmo copo, abraçar s…

CACHORRINHOS QUASE HUMANOS >> Clara Braga

Observei que ultimamente o termo “pais de pets” tem se popularizado, e eu acho isso muito legal! Eu mesma me considero mãe de pet, tenho uma cadelinha linda que é uma super companheira da família, principalmente do meu filho.
Mas uma coisa me preocupou em relação à algumas pessoas com quem conversei nos últimos dias. Não foi uma ou duas, foram algumas várias pessoas que compartilharam do mesmo pensamento. Todas disseram que decidiram ter um cachorro ou um gato para ver se levavam jeito para serem pais e, então, decidirem se teriam ou não filhos humanos!
Lembrei do dia que minha cadelinha chegou em casa: coloquei água, ração, deixei um brinquedinho à disposição e fui trabalhar. Então, lembrei de quando meu filho chegou: choro de 3 em 3 horas, peito rachado por causa da amamentação, pacotes e mais pacotes de fraldas e para sair de casa parecia que estávamos de mudança. Lembrei das cólicas que minha cadela nunca teve, das febres altas e viroses que ela nunca experimentou, dos quilos de …

O MARTELO DO BEM - Oitava parte >> Albir José Inácio da Silva

(Continuação de 18/11/2019)
Antes de encerrar a reunião, Penha deu instruções aos que trabalhariam nas barraquinhas da festa, advertindo-os de que, além de orações e trabalho, precisavam contribuir financeiramente porque salvar almas custa dinheiro. Lembrou, ainda, que todos devem estar vigilantes porque são soldados na guerra do bem contra o mal.
A Festa
Déti estava animada com a festa, Margô, deslumbrada. Ao entrar na praça ela foi transportada à infância no subúrbio carioca, fogueira na rua de terra e bandeirinhas que ligavam as fachadas das casas.
Esse enlevo era recebido com sorrisos pela maioria das pessoas, mas alguns olhares atravessados também podiam ser notados. Os Josés chegavam a fazer gestos na direção delas. Margô tinha saias, colares e pulseiras demais. E Déti sorria demais.
Uma brincadeira de crianças arrancou Margô dessas preocupações. Entrou na roda, girou, sapateou e saiu aplaudida. Com o coração aos pulos pelo esforço e pela emoção, perguntou:
- Déti, nós ainda va…

O MESMO ESPAÇO >> Sandra Modesto

Eu estava querendo caminhar pela cidade. "Ontem", realizei meu desejo. Numa tarde meio ensolarada. Algumas ideias com cheiro de primavera se despedindo. Mas estávamos no inverno. Não importa. Readaptar é preciso. 
Peguei um material lindo. De uma revista digital. Imprimi e encadernei. São algumas páginas com temas sobre literatura, cinema, feminismo, racismo, lutas sociais, artes visuais... Evidente que para imprimir, pedi autorização à editora. 
Caminhando pude perceber o quão maravilhoso é o olhar. Não estou falando de poder enxergar. É o sentir mesmo, sabe? 
Demorei quarenta minutos e cheguei a uma rua central, com trânsito movimentado, pessoas andando a pé, pra lá e pra cá. 
Deixei os exemplares na Biblioteca de Rua da avenida dezessete. Muitos moradores de bairros afastados aguardavam ônibus. Foram presenteados com as revistas. Sorriram, ficaram surpresos, agradeceram... 
Sentei para esperar meu ônibus. Dois senhores negros pareciam cansados; resignados talvez ao Brasi…

GRAÇAS AO PERIGO >> Cristiana Moura

Fomos colegas na faculdade de Artes Visuais. Nesta época não éramos próximos. Hoje em dia, o rapaz já homem feito, me parece um mago das linhasque, em seu gesto, ganham graça, força e forma – sua arte.

Parei-me mais tempo diante um dos seus desenhos. A imagem me absorve e me transporta. Ao centro do quadro a imagem de um redemoinho. Sendo tragada por ele uma caixa. Nesta caixa uma abertura, na qual uma mão se segura, possivelmente tentando não ser levada pelo redemoinho. Nas linhas de Diego os redemoinhos do meu próprio caminhar.
Foi bem depois que fiquei sabendo dos seus pedaços de vida. Quando era menino, morria de medo d’água. Fosse mar, fosse lagoa, fosse rio ou mangue. Era menino ainda franzino, ainda miúdo quando seu pai que era pescador o levou para um passeio. Não era qualquer passeio. O caminhar seguro de mãos dadas pelas rua dava lugar ao balanço nauseante da canoa no mangue. Entrou em pânico. Corpo quase congelado. Todas as lágrimas, daquelas que são feitas de medo, ele pôs …

O QUE CHICO BUARQUE TEM A VER COM ESSA HISTÓRIA >>Zoraya Cesar

Sempre sonhara com o dia em que Chico Buarque e ela se encontrariam, se apaixonariam e ficariam juntos para sempre, trocando beijos e juras de amor, sem se desgrudarem um minuto sequer. Ela se via dizendo para a atual namorada dele (quem quer que fosse à época) desculpe, amiga, mas perdeu, eu sou o verdadeiro amor do Chico.
Quando soube que ele se apresentaria na cidade, tratou de se preparar. Deixou de sair com as amigas, de comprar chocolates, de fazer qualquer coisa que implicasse despesas, tudo para juntar dinheiro que sobrasse para o ingresso (uma fortuna!), roupa, sapatos e perfume novos, cabeleireiro, manicure, imagine se ela ia encontrar o seu amor como quem vai a um show na praia, jamais! Também comprou calcinha e sutiã sensuais, vai que tem um incêndio, ou acontece um acidente, e ela aparece com roupa de baixo velha? Melhor morrer. Até porque ela não queria simplesmente ver o espetáculo. Ela queria falar com o Chico. Entrar no camarim, pedir autógrafo, tirar foto, tocar nele,…

REJEITADA >>> Nádia Coldebella

A casa descorada de madeira era bem velha, seca e podre. Não tinha nenhuma cerca que a separasse da rua. Não tinha nem grama - essa havia sido queimada sem dó nem piedade pelo sol do verão infernal. A terra bruta e vermelha parecia sangue seco enterrando um pouco do cascalho cor de telha do que uma vez havia sido um caminho.

O carro estava parado na frente, meio dentro do terreno, meio fora dele. O inconfundível Dodge azul metálico náutico! Maldito carro! Seu primeiro filho havia sido feito no banco de trás, quando ela era ainda moça nova, bonita e cheia de sonhos. Por causa do Doge ela foi ficando. Toda vez que brigavam e ela ia embora, sempre a pé, ele a seguia, devagarinho, sempre de carro, pedindo perdão e gritando juras de amor. E ela se derretia, entrava no carro e faziam um filho no banco de trás.

Agora ela tinha cinco filhos do mesmo homem. Mesmo assim, ele a havia deixado. Foi a vez dela de ir atrás, a pé.  Ela continuava andando a pé sob o sol, trabalhando aqui e ali para …

ATREVIDOS >> Carla Dias >>

Ele já entendeu que a vida é breve. 
Espera, então, que na sua brevidade, ela também seja intensa. Na sua brevidade, ela faça sentido. Na sua brevidade, despeje-se a justiça de retrair violência e se desembarace o embaraço contido no olhar que se surpreende com a paisagem.
Esse tal viu muitos planejarem eternidades. Amanhã: construir. Depois de amanhã: consertar essa edificação de desejos mal desejados. Porque ele acredita que, se há algo que o ser humano sabe fazer com maestria é desejar indesejados. É desejar definido, sem espaço para a dilatação desses desejos. Desejar de acordo com o desejo do outro.
Contudo, ele é um racional por escolha e dedicação.
Ontem, foi breve a manifestação a ele dirigida. Breve e única. Não uma conversa, que era o que esperava, mas uma palavra. O que uma pessoa faz com uma palavra, quando está mergulhada na urgência por diálogos? Nem houve tempo de retrucar, de devolver a inconveniência da palavra proferida, porque a continuidade dela se desdobrou em pa…

natureza 2000 >>> branco

é bonito quando as nuvens se quebram  e seus pedaços caem sobre nós em forma de chuva
é bonito quando na manhã ainda sonolenta saudamos alegremente a chegada do sol
e nos campos as folhas cobertas pelo orvalho têm seu modo todo especial de dizer bom dia
e as flores em seu ciclo perfeito bebem avidamente os raios de sol para que a sua sede de criação seja plenamente saciada
no crepúsculo a brisa suave que acaricia nossas almas é como um aviso de que a lua vai chegar e iluminar os campos e namorados se deitarão sob ela e dirão palavras gentis e apaixonadas
agora estou caminhando pelas ruas as lâmpadas dos postes clareiam precariamente meu caminho repentinamente percebo que minha sombra indiferente aos meus movimentos tira o chapeu e se inclina e desajeitadamente faz uma reverência à vida








espaço amigo
comprem os livros
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DESCALÇO NO MERCADO >> Fred Fogaça

Quando abri a porta do carro e pisei não chão, senti as pedras. Empenhado em trocar a estante da sala por algo menor e discreto, sai em busca de madeiras em triangulo. Eu tinha a medida correta, uma cor, e toda uma lista mental de ferramentas e material de apoio. Saí pra busca, resolvendo, como um dia produtivo deve ser. Levo o carro pra um reparo, do lado já compro as madeiras em duplas n’um pacote, prontas pra uma estante, e pela volta eu paro pra umas mãos francesas e parafusos. Mais tarde, já quase pronto e eu descobro que devo ter errado as madeiras: fixei na parede, na parte de baixo, uma taboa com furo. Esses furos servem pra possíveis fios da prateleira de baixo ir para de cima. Agora os fios vinham do chão e paravam no meio do caminho.  Sai de casa pelas beiras do poente com a intenção de ter uma serra copa. Nunca mais teria problemas com furos que não chegam no lugar certo. Quando cheguei no mercado logo depois, já estava sem chinelo. Que também não estava no carro, nem na loja de f…

VENHA VER O FOLHA VADIA >> Sergio Geia

Lembro como se fosse hoje. 2014, abril, tarde quente. Nervos à flor da pele, coração batendo em descompasso, um mar de ansiedade escorrendo pelos poros e uma dúvida a martelar: alguém vai aparecer? Ou vou ficar à mingua com meu Confidências, abanando-me com ele num deserto de shopping center
Nada. Vocês foram maravilhosos. De Pindamonhangaba, Caçapava, Ubatuba, São José dos Campos, Taubatexas. Formaram fila que saía da livraria e tomava o corredor do shopping. Abraços, beijos, carinhos, desejos de sucesso, e levaram para casa o Confidências, mesmo a preço salgado. Fizeram mais. Comentaram, compartilharam as postagens de divulgação, convidaram amigos, lotaram a Nobel do Via Vale, naquele 10 de abril tão especial para mim. 
E agora, pouco mais de cinco anos, a história se repete. 
folha vadia, assim mesmo, com letra minúscula, bem vadia, bem subversiva, bem ao estilo branco de ser, está uma delícia. Abusando da vaidade, digo que a edição está lindíssima. A capa é da Camila Giudice, qu…

MURIÇOCA >> Paulo Meireles Barguil

A saúde é fruto de uma equação, ainda desconhecida, com algumas variáveis, dentre as quais ressalto o ambiente, os relacionamentos, a alimentação, as atividades físicas e a dormida. Há, também, a genética, que nos afasta ou nos empurra para alguma mazela.

Para tornar mais desafiante esse mistério, consolidam-se os estudos, dentre os quais destaco a Constelação Familiar, proposta por Bert Hellinger, que revelam a influência dos ascendentes na forma como vivemos. Por mais que brademos pela liberdade, somos profundamente vinculados a quem nos antecedeu, a qual só é razoavelmente possível, de fato, para quem ousa mergulhar em águas turvas, ciente de que, após esse banho, nunca mais será o mais mesmo. Olhando para aquela invisível expressão de bem estar, sempre acreditei que uma boa noite de sono é o que mais facilmente conseguiria.
Ultimamente, nem isso!

As muriçocas (pernilongos ou mosquitos para leitores de outras localidades) com seu zumbido irritante, avisando que irão minar o meu co…

CONGESTIONAMENTO >> Whisner Fraga

desce do carro. atrás uns cinquenta carros e à frente uns oitenta.

sente-se como a moça do dauphine, do conto de cortázar.

fisga um cigarro. a brasa ilumina as rugas e o cansaço. não estaria ali se não fosse.

a madrugada chupa a fumaça que o desconforto assopra no mundo.

não quer que um desconhecido se aproxime e declame enganos.

o neon do posto exala a prática do mercado.

uma moça passa e acena da bicicleta.

volta para dentro, liga o tocacd. bob dylan.

where have you been, my blue-eyed son?

alguém buzina e ele se alvoroça.

empunha a chave e, prestes à ignição, descobre que nada mudou.

arranca o celular do bolso e decide que está preocupado, que quer falar.

se não fosse tarde.

um velho aparece ao lado da porta e bate de leve no vidro.

dylan, hã?

o quê?

bob dylan: muito bom.

se não fosse tarde.

DURAÇÃO >> Carla Dias >>

Olhos fechados por um instante que perdura o incontável do tempo, de tão avara que é a duração a ele concedida. Na curta-metragem desse cerrar de pálpebras, em tempo flexível, ele é acometido pela consciência de que não importa o incômodo.

O mundo seguirá no seu ritmo de criação e fim.
Deixa de acreditar na invencionice gerada pelo aconchego que acomoda a realidade dos enfeites, que ele cultivou por uma vida e foi contestada em um tempo que ele nem tem como definir, dada a sua efemeridade.
Não foi um piscar de olhos. Foi mais íntimo e pungente. Foi uma duração que permitiu que ele compreendesse o que sempre lhe pareceu incompreensível, só que em uma fisgada, um naco de um tempo desdobrado que jamais caberá no nosso singelo cronômetro. 
A vida seguirá na sua cadência de criação e fim.
Não há religiosidade nessa ciência. Não há ciência que endosse tal conhecimento. Veio de um reverberar quase compositor de música incidental, em tempo de duração aproximadamente nula, que espalhou nele e…