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Mostrando postagens de Setembro, 2020

SE ELE SOUBESSE COMO... >> Carla Dias >>

  Pensa em como seria se fosse alguém capaz de mudar sozinho aquilo que demanda um amontoamento daqueles de pessoas. Talvez não houvesse tanto cansaço, daqueles que atrasam tudo. De, então, protelar o sair da cama e encarar realidade. De protelar demais da conta e o dia passar. Bem provável que visitaria quintais. Extinção de quintais é subtítulo para especulação imobiliária. Ele desdenha, com um esgar dissonante e um respirar profundo, digno de final triste de filme ruim. Se ainda não se deu conta, sou eu, a narradora intrometida.  É que montam playground e instalam grama sintética, “perfeita para fazer decoração durar mais”. E ele olha e não enxerga a beleza dessa duração. Não entende isso de concretar o que já estava ali, disponível, útil, necessário e vivo. Cuidar dá trabalho. Quem ainda não entendeu isso? E este é o tipo de laboração que compensa em deslumbramento. Ninguém vive sem quintais. Se falta no seu lugar, corra para a casa de alguém que o tenha, onde o sol o alcance, ele

BENZENDO A INVEJA >> Clara Braga

 Quem não conhece um invejoso que atire a primeira pedra. Os invejosos estão por toda parte, e todos acabamos tendo que conviver com um ou outro. De membros da nossa família até um colega distante do trabalho, não adianta, ninguém está livre dos olhos de um invejoso. Verdade seja dita, no fundo todos nós já sentimos uma pontinha de inveja em algum momento, mas não passou de algo momentâneo e não prejudicial, que é a chamada inveja branca. Além do invejoso branco tem também o invejoso descarado, que é aquele que quando você comenta que vai fazer uma viagem ou algo do tipo ele fala logo: nossa, que inveja! Mas também não passa disso, algo não prejudicial. Aí tem o invejoso falso amigo, que é aquele que finge que está super feliz por alguma conquista sua, mas no fundo ele está se mordendo por dentro. E se alguma coisa dá errado no meio do caminho, ele vai ser o primeiro a dizer que sente muito, mas no fundo estará feliz. Nesse último tipo as coisas já começam a ficar mais complicadas, mas

mundo perfeito >>> branco

  no meu mundo perfeito não existem unicórnios duendes e fadas magias mágicos e trapezistas suicidas são dispensáveis não me importo se não houver lâmpadas econômicas barbeadores e olhares cor de violeta no meu mundo perfeito alguém está sentada na cadeira de balanço existem coisas impossíveis - no meu mundo perfeito -  o velho sentado lendo seu livro a  senhora cozinhando a carne a menina loira está sorrindo o garoto de cabelos longos observando e lá longe - na roça -  o outro velho está roçando e a outra senhora prepara o doce de abóbora para a quermesse o meu mundo perfeito não está nos pretéritos verbais a parede é conveniente neste meu mundo perfeito a rainha não tem motivos para tristeza e a princesa cresce enquanto continua criança a dama da noite se abre deixando tudo com cheiro de ontem a lua brilha as estrelas também o violão cala os amigos rodeando cada um com uma coisa para fazer os que se foram voltaram e permanecerão juntos com os que sempre estiveram o menino vê seu pai

LEMBRANÇAS NUM SÁBADO DE SOL >> Sergio Geia

  Hoje é sábado. São onze e quinze da manhã. De minha mesa enxergo as árvores do Ekobé douradas de sol. Balançam estapeadas pelo vento. Esse vento que dá as caras, que no instante seguinte desaparece para reaparecer depois. Agora, por exemplo. Ele sumiu. Vejo as árvores imóveis. O dia é claro, muito claro, mais quente que outros, não há nuvens no céu. Dá vontade de sair, de tomar cerveja no bar, fazer um churrasco e convidar a galera. De repente, uma lembrança foi puxando a outra.    Eu acabara de sair da escola. Estudava no Anchieta. Meu caminho regular era voltar pela Pedro Costa, cruzar a Santa Teresinha, até a minha avó, na Professor Moreira, onde ficava esperando meu pai que vinha me buscar.    De vez em quando eu parava na Santa Teresinha. Ali atrás da igreja tinha um vagão de trem verde claro. Pedia ao dono do vagão um copo de garapa. Debaixo de uma árvore, eu ficava a beber o caldo vendo o movimento. A vida marchava numa lentidão suave, a única preocupação que tinha um menino

TENHO, MAS ESTÁ FALTANDO >> Paulo Meireles Barguil

A cliente entra na loja e indaga: – Você tem arroz? – Tenho, mas está faltando – responde o vendedor apaticamente. O filho sonda a mãe: – Você tem dinheiro? – Tenho, mas está faltando – fala a imperturbável genitora. A professora questiona o pupilo: – Você tem vontade de estudar? – Tenho, mas está faltando – replica o discente impassivelmente. O técnico sonda a atleta: – Você tem determinação? – Tenho, mas está faltando – enuncia a indiferente esportista. A criança sonda a natureza: – Você tem esperança? – Tenho, mas está faltando – murmura o sofrido meio ambiente. O repórter interroga o pintor: – Você tem inspiração? – Tenho, mas está faltando – diz o artista laconicamente. O escritor lhe pergunta: – Você tem amor?

DESPERTENCER >> Carla Dias >>

 Parto do princípio de que não pertenço. Ao não pertencer, abro mão do currículo que temos de carregar, diariamente, como prova crucial de quem somos e onde podemos chegar. Mas não me iludo, sei que se trata de um ínfimo instante o experimentar desse desapego. Que provarei de goles dele, durante a vida, e que há um duro trabalho a ser feito para despertencer de vez. Despertencer de quem seria, fosse o avesso de quem sou. Das branduras falseadas, que nada mais fazem do que perfumar a dor ferina dos desfechos. Esse desapego pelo certo, calculado, pelos calendários e feriados, pelas portas de entrada que são travadas, depois que nos engolem. As janelas voltadas ao horizonte, que enxergamos feito quadro, quando deveríamos pertencer à pintura. Os temporais domesticados. Muitas vezes, vestimo-nos com amarras, como se elas fossem redes capazes de nos livrar dos tombos, segurando-nos a poucos centímetros do chão. E então, passamos a viver assim, centímetros de distância nos separando da experi

UMA CARTA PARA O THEO >> Clara Braga

Há 3 anos, o dia 22 de setembro caía em uma sexta-feira! Era um dia quente que anunciava a chegada da primavera! E assim, você decidiu que era hora de nascer! Lembro de cada detalhe, de cada minuto e do quão difícil foram as 16 horas de trabalho de parto. As pessoas dizem que com o tempo você esquece, eu não acredito nisso, eu acho que com o tempo você entende! Entende que vale à pena segurar no colo, colocar pra dormir, ver o primeiro sorriso, ouvir o primeiro “mamãe”, ver os primeiros passos, enfim, uma infinidade de coisas te fazem entender que toda aquela dor tinha um porquê de ser. Não sou de romantizar a maternidade, acho injusto com as mulheres que só se fale da maternidade como algo mágico e necessário para que a mulher seja “realizada”. Mas acho no mínimo justo com você, meu filho, que você saiba o quão amado você é! Obrigada por todos os ensinamentos, eu amo a família que nos tornamos com a sua chegada! Desculpe os momentos de impaciência e incerteza, mas sei que estamos todo

A FAXINA >> Albir José Inácio da Silva

  - Por que o senhor demora tanto nesse piano? – perguntou a Condessa que por pouco não viu o teclado. Para disfarçar, Jovino ficou passando o pano na tampa que acabou de fechar.   - Já tô acabando, madame! – respondeu quando ela se afastou, mas não completou o suspiro de alívio porque o verniz da tampa tinha ficado no pano.   Até poucos minutos atrás tudo ia bem. Chegou a ligar pra namorada na hora do almoço:     - A patroa me chama de senhor - nunca ninguém me chamou de senhor - e desejou melhoras pra você. Quero fazer isso pelo resto da minha vida.   Valdeia ficou feliz pelo namorado. Ele era trabalhador, mas não dava sorte.   Jovino veio porque a coisa estava ruim lá em Minas. Não conseguia estudar, não arranjava emprego e se sentia culpado. Primeiro ele achou que era desinteligência, depois concluiu que era preguiçoso.     Alguns amigos já estavam na faculdade e ele fazendo biscates. Resolveu vir pro Rio de Janeiro. A idéia era mudar de vida: trabalhar de dia e

VOU TE CONTAR >> Sandra Modesto

Eu não vou te contar sobre o agora. Estou farta de tantas notícias tristes. Prefiro o passado cravado em mim.    Desde menina eu inventava histórias. Antes de ser alfabetizada lá estava eu. Meio arredia, criando meus mundos particulares. Quando eu fui pra escola no final dos anos sessenta, existia uma cartilha. Horrorosa por sinal. Era um alfabeto sem eira nem beira. Fui reprovada. Eu não conseguia...    Que merda de cartilha era aquela? Bom, no ano seguinte, consegui avançar pra o livro (livrinho) com algumas bizarrices, mas tudo bem. No atravessar do tempo, quarta série do ensino Primário, a professora levava uma gravura para aguçar nossa imaginação. A ilustração como referência na escrita.    Quando a professora Juventina (minha professora maravilhosa), perguntava:    — Quem já terminou?    — Eu!    As professoras de Português sempre gostaram dos meus textos. E isso foi no ensino Primário, no Médio e na graduação em Letras.    Uma vez, na sétima série, a professora pediu que levás

MELINDA. A MENINA. A MORTE CINZA. 2A E ÚLTIMA PARTE >> Zoraya Cesar

Melinda morrera. Para alguns, uma morte inesperada. Para outros, no entanto, mais do que esperada. Planejada. A Menina se aproximou do corpo, lenta e cautelosa; o cachorro gemia baixo, rente às suas pernas. O silêncio seria absoluto, não fosse o leve balouçar da cortina sob uma brisa de sussurro. E o burburinho dos mortos, das almas perdidas, dos insones astrais. Cheirou    corpo, desconfiada. A nota de saída era mel, mas parecia de mel estragado. E a nota de fundo, que deveria ser de rododendro, tinha um odor acre, inidentificável. Passou o dedo na pele ainda – estranhamente – úmida e provou delicadamente, com a ponta da língua. Sabia a fel, não a doce. Não havia dúvidas, algo dera errado, muito errado. O rosto contorcido da amiga revelava que ela sentira dor. A Menina ficou nervosa. Não era esse o plano. Melinda deveria morrer em paz, dormindo, sem sentir nada. Foi o combinado. Sentou-se, tremendo.    Melinda sempre fora boa pra ela e sua Família. Cedia mantimentos, preparava doces e

POR OUTRO CAMINHO >>> Nádia Coldebella

Terça-feira, dezessete de março de 2020, dezenove horas e dez minutos. Dez minutos a mais no meu trabalho, dez minutos a menos com minha família. Milhares de minutos a menos da minha vida, que me foram roubados, como quase todos os dias, nos últimos anos. Levantei-me impaciente da cadeira e pus-me atrás dela. Empurrei-a para frente. Meus olhos pousaram sobre a papelada espalhada na mesa. Não era uma bagunça. Naquela ordem caótica, eu já havia elegido as urgências para a próxima semana. Fiquei parada, em pé, atrás da cadeira por alguns segundos. Meu pensamento estava confuso. Precisava organizá-lo para conferir mentalmente os itens que deveria levar para casa. Mas apenas virei a cabeça para direita e para esquerda, e tentei me convencer de que realmente examinava todos os objetos daquele cenário. A verdade era que aquele movimento servia apenas para alívio momentâneo da minha consciência que só me pedia para ir embora logo. Peguei a minha bolsa e a coloquei sobre o ombro. Não me preocup

CARA HUMANIDADE, >> Carla Dias >>

Hoje eu não consegui ignorar suas mazelas. Por algum tempo, eu consegui me entreter com uma e outra esperança alimentada por frases feitas, desejos legítimos, mas débeis, completamente dispensáveis. Contudo, hoje caí na cilada do tráfego limitado a quartos, salas e cozinhas e me deparei com um telejornal. Justo eu, que os venho evitando com certo talento. Ignorar nunca foi um ofício que me caiu bem, ao menos não ignorar o outro, o que acontece a ele. E ao vê-la assim, minha cara humanidade, jogada nos braços da brevidade, ela a se alimentar das importâncias que seriam suas, você não tivesse escolhido se fazer de desentendida, peguei-me em uma desolação de profundidade que nunca visitei antes.  Se você não sair desse transe, acabaremos por assistir a uma quantidade exorbitante de comerciais sobre projetos de ajuda humanitária. Fantástico, não? Eu comemoraria a disposição de muitos em atender à necessidade de outros, não soubesse que muitas delas você mesma criou. Nós criamos. Porque não

APROVEITANDO TODAS AS OPORTUNIDADES >> Clara Braga

No prédio à frente estava tendo uma obra. Uma não, algumas! O que torna qualquer ambiente um pouco mais barulhento que o normal. Lá pelas tantas, entre serras, martelos e furadeiras, em alguma das obras o pedreiro começou a bater em algo que fazia um barulho mais agudo, bem metálico! Ele batia de forma repetitiva e até ritmada, eu diria. Então, alguém da vizinhança ouviu e não entendeu exatamente do que se tratava. Pensando bem, acho até que entendeu muito bem, mas não quis perder a oportunidade.  Sem pensar duas vezes, a pessoa que não sabemos exatamente quem é, pegou uma colher e uma panela e começou a bater na janela. Em pouco tempo, outros vizinhos começaram a fazer o mesmo. Depois de um bom tempo daquele panelaço que se misturava com barulhos de obra, todos parecem ter combinado o momento do fim, inclusive o pedreiro. Mas antes que voltassem aos seus afazeres, uma das vizinhas gritou: obrigada vizinhança, até amanhã! A obra seguiu, mas sem o tal barulho que parecia de panela. Talv

uma tarde quente de verão >>> branco

  olho a praça que está vazia vazia de gentes vazia de animais não é sábado ou domingo não existem motivos para homens mulheres crianças  ou cachorros de raça estarem na praça  nesta tarde quente de verão olho as árvores estáticas não sopra a menor brisa bancos de madeira o bebedouro a fonte seca os pássaros - ausentes - a exceção é o vira-lata estirado em sono profundo - exceções - o cão e eu na praça nesta tarde quente de verão olho as casas  que circundam a praça janelas trancadas portas trancadas - silêncio nas casas -  ao fundo da praça a igreja a pintura nova não esconde o tempo sei que as senhoras estão lá dentro com seus rosários rezam o terço e pedem intercessão sinto pena estão órfãs nesta tarde quente de verão olho para a torre da igreja e nela o sino - também recém-pintado -  lembro-me dos sons repiques alegres avisando da quermesse ansiosos a chamar para a missa rotineiro nas horas infalíveis e familiares ouvidos muitas vezes em outras tardes quentes de verão olho novament

RUA TENENTE >> Fred Fogaça

As cadeiras dos vizinhos na calçada observam o reboliço no fim da rua. Com o escuro, ele baixa meia porta, o que já é um sinal do fim do dia, os produtos de exposição ainda pendurados do lado de fora e ele vai tirando, devagar e guardando tudo, observa. Todos aqueles pares de olhos frios medindo a fofoca que vindo boca à boca, vão se consternando num afeto que é quase uma empatia. O filho da vizinha foi sequestrado. O pai também não tava preso? Ele recolhe, pouco a pouco, o que colocou fora pra viver o dia e vai se recolhendo inevitável, um pouco mais lento talvez que ontem, mas imperturbavel. Não era um carro vermelho? Você viu um carro vermelho? Um Corsa dessa cor não passou aqui a pouco? Ele nota, ali, meio as exaltações, pronto pra se findar do dia, à meia porta pra esquecer o mundo, que ninguém chamou a polícia. Os postes vão acendendo e os vizinhos mantém seus lugares solenes pelo correr da calçada, ainda tem cerveja aqui e ali que corre alterando uns cigarros e as ve

A TARDE >> Sergio Geia

Leio João Anzanello Carrascoza.  Em suas narrativas há camadas, densidade, lirismo. Observa coisas miúdas do humano e traduz de forma sublime e colorida. De repente alguém falou Leia Carrascoza, você vai gostar . Estou aqui, banhando-me nas páginas de “Aquela água toda”.  São delicadezas o que ele escreve. O texto é tão refinado, mas tão refinado, que parece simples. Não se enganem. Por trás dessa aparente simplicidade há sofisticação. A iniciação de dois jovens nas coisas do coração, o sábado suave da família, o fim de semana especial que o pai proporciona aos seus, a mudança para a casa nova, a tia que resolve tudo manejando as palavras, o menino bom de basquete que arremessa contra o destino. Leio, e sinto uma coisa suave que me faz bem.  Vou à varanda. Na memória as histórias de Carrascoza. Foi quando a vi. Na verdade, ela estava lá o tempo todo. Agora se esvai com tons de dourado, lilás e azul.  Na verdade não há o que dizer; apenas olhar, olhar como quem re

B R O BRO >> Paulo Meireles Barguil

Mais uma vez, chegamos no último quadrimestre do ano. Em cada região, esse período tem suas características. No Nordeste, uma delas é o acréscimo da temperatura e a consequente perda de vegetação. Paradoxalmente, acontecem, também, a floração e a colheita de vários frutos. A natureza é fascinante: o mesmo fenômeno proporciona acontecimentos antagônicos. O primeiro desafio é identificá-los, lá fora e aqui dentro. O segundo é aceitar que eles são temporários, o que pode ser motivo de alívio ou de desalento. O terceiro é agradecê-los, independentemente do seu sabor, por estarmos vivenciando-os. O quarto é, caso necessário, pedir e encontrar apoio para continuar a travessia. Setembro pode ser amarelo , verde , azul ...

UM ABRAÇO OU UMA CANÇÃO? >> Carla Dias >>

Não sabe dizer que dia é hoje, que já se vão alguns em que ele não sai de casa, não abre as janelas, não acende as luzes, não sai da cama, fala com ninguém. Sabe que é noite por conta dos sons que lhe chegam do lá fora, um silêncio rompido pela conversa animada de jovens que passam pela sua janela sem saberem que dentro dessa casa vive - como costuma dizer seu melhor amigo, quando lhe é permitido fazer visita - um homem esquisito, mas de esquisitices simpáticas. A mãe o visita uma vez ao mês, que mora em cidade distante. Traz sempre o bolo preferido dele quando criança, sem compreender que o ele adulto se tornou intolerante ao doce. Para ela, adoçar a boca do filho é como abraçá-lo, que entre as esquisitices dele está a incapacidade de demonstrar afeto fisicamente. Nele tudo é à distância, mesmo quando inspira intimidade. Não sabe se é segunda, terça ou quarta, mas está certo de que não pode ser quinta, já que esse é o dia em que aquele melhor amigo aparece para um breve bate-papo e pa