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SANGRIA >> Whisner Fraga

A casa é só um esqueleto carunchoso e os vários ramos se intrometem naquela erosão de abandono maciço.

As paredes parecem ressentidas com o descuido, as bocas erodidas e seus dentes afiados de tijolos.

Os homens disputam as vértebras da casa e todos reivindicam uma justiça de três mil faces.

Nada devia ter dono.

Nem o chão, nem a bauxita, nem as esculturas, nem os aviões, nem a vaidade.

Ninguém devia ter dono.

Nem os cachorros, nem os gatos, nem os bois, nem os peixes ornamentais, nem os empregados.

Quantas brigas maturadas naqueles quartos.

Quantos sacrifícios, quantas perdas, quantos gozos naquele cubo?

Já não se atentam.

O que importa é o que pagam por hora e o resto é desperdício e consumo.

Não são ramos, são caules.

Os vãos são alicerces.

Os homens circulam pela calçada e desprezam a beleza arruinada.

Não percebem que a vida rasga os tijolos em busca de ar?

Quem sabe as árvores ofereçam frutos que estanquem a noite.
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SEM SARCASMO >> Carla Dias >>

Eu não conheço o Sr. Geraldo. Ele é apenas um nome em uma matéria de telejornal que destaca a negligência e uma boa dose de sarcasmo, em momentos em que ninguém deveria ter de lidar com ele.
Ok, não é “apenas”. Afinal, Sr. Geraldo é uma pessoa, certo?
Certo.
Nas minhas férias, tenho o péssimo hábito de deixar a televisão ligada em canais de jornalismo, enquanto cuido da vida e até escrevo meus textos. Durante todo o ano, eu lido com as notícias de grande destaque, que tem a ver com todos nós. Perdem-se, então, da minha percepção, essas pequenas histórias. Pequenas não por serem desimportantes, mas por não ganharem espaço para o grito necessário.
Durante as férias, foram várias as histórias sobre atendimento, não apenas no setor da saúde, mas na geral mesmo. Claro que as notícias chegavam com o sensacionalismo escancarado. Em alguns casos, sinceramente eu o achei deveras necessário.
Temos a tendência de nos distanciarmos dos problemas que não são nossos. Às vezes, nem é por descaso, m…

PAUSA >> Clara Braga

Pausa.
Suspensão de uma ação.
Interrupção momentânea.
Intervalo.
Na música a pausa é a ausência de som.
Silêncio.
Todos precisamos de pausa.
Hoje saio de férias. 
Ócio criativo.
Pausa para renovar energias e voltar com muitas histórias para contar.
Nos vemos em fevereiro, hoje preciso ver o mar!

ALVO >> Paulo Meireles Barguil

Cada pessoa é, ao mesmo tempo, atirador e alvo. Iludidos com a crença da separação, acreditamos ser apenas o outro atingido pelo que externamos, mediante ações e/ou palavras, sejam elas agradáveis ou não.

Partilhamos – sabendo ou não, querendo ou não – o campo, que acolhe díspares energias. É impossível não receber aquilo que – sabendo ou não, querendo ou não – propagamos. Somos atingidos até pelo que – sabendo ou não, querendo ou não – calamos! Às vezes, a flecha cai no chão... Outras vezes, ela acerta, parcialmente, o objetivo. Raras vezes, ela encontra o centro do alvo! Nosso corpo é o arco que dispara a seta. Após ser projetada, é quase impossível detê-la.
Para diminuir os arremessos desagradáveis lançados por nós e pelos outros, é necessário admitir que a motivação para tal permanece no sujeito...
O chamado erro, fracasso é inevitável: sem ele, o indivíduo não desenvolve suas habilidades, nem encontra o tesouro ignorado. Isso não significa que precisamos ficar imóveis à ação do …

QUE O NOVO NÃO SEJA VELHO DEMAIS >> Clara Braga

Primeiro de Janeiro de dois mil e dezenove. Escrever uma crônica nesse dia é um verdadeiro desafio para mim.
Gostaria de estar aqui cheia de dizeres positivos, de esperança, desejando todos os clichês como paz e prosperidade. Mas, embora respeite opiniões políticas divergentes, não estou recebendo este ano de braços tão abertos!
Justamente por isso, decidi hoje respeitar esse ar dominical, pacato que o dia primeiro tem para refletir sobre o ano que passou e o que está por vir, tanto questões pessoais quanto políticas.
Muita coisa me passou pela cabeça, muito sentimento de gratidão, muito desejo de mudança e muitos questionamentos sobre os possíveis rumos que a vida pode levar.
Entre as varias coisas que pensei, gostaria de deixar um questionamento ou uma reflexão: em um estado laico, acima de tudo e todos não deveria estar apenas os cidadãos?!

FÉRIAS >> Sergio Geia

O cronista está de férias.
Data venia (como dizem os advogados), ele pede a sua compreensão diante da falta de crônica.
Seu retorno está agendado para 19/01/2019.
Com novidades.
O Crônica volta em janeiro com cara nova e novos cronistas.
Aguardem!
Lindo 2019 para você!

ENTÃO É NATAL >> Clara Braga

Esse ano não vi propaganda alguma sobre o show de fim de ano do Roberto Carlos. Não sei que dia foi, não sei quem foram os ilustres convidados, não sei qual foi o repertório, se teve o momento das rosas, enfim, não sei nem se teve show.
Não ouvi a música da Simone uma vez se quer. Seja na rua, em lojas enquanto fazia compras de natal, no mercado, rádio, em lugar algum a ouvi perguntar o que eu fiz. E falando em música, também não ouvi aquela famosa da Mariah Carey que toca tanto que ela não precisa trabalhar o resto do ano só com os direitos autorais dessa música.
Não assisti nenhum filme natalino, aliás, nem sei se na globo passou Esqueceram de mim ou Um herói de brinquedo. Talvez tenha até passado os dois, um na Sessão da tarde e o outro na Temperatura máxima. Dois clássicos, não podem ficar de fora.
Teria uma confraternização com as amigas, mas como ninguém conseguiu conciliar agendas, deixamos para depois e eu não participei de nenhuma confraternização.
Não vi o desfile dos carro…