quinta-feira, 27 de agosto de 2015

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS
>> Analu Faria

Todas as vezes que um veículo de comunicação anuncia coisas alarmantes do tipo “A inflação deste ano... / A seca que castiga o sertão nordestino... / A taxa de desemprego na região sudeste é a maior desde...”, eu fico imaginando o fim da frase como algo do tipo “… 1938 / a Segunda Guerra Mundial / a Revolução Francesa / a crise do petróleo/ o descobrimento do Brasil / sempre”. A frase então ficaria assim, exemplificadamente: “A inflação deste ano é a maior desde 1938”. Mas as frases ditas com entonação de quem soa as trombetas do apocalipse terminam  mais ou menos desta forma: “… desde o ano passado / ... da última quinzena / ... de 2011”, como em “A taxa de desemprego deste semestre já é a maior desde 2011.” Deveria haver um comentário final a cada reportagem dessas: "Rápido: corram para os bunkers.".

Há algum tempo, um estudo polêmico de um ex-missionário americano mostrou que uma tribo brasileira, os Pirahãs, não guardavam em histórias a memória coletiva ou individual que se estendesse a mais de duas gerações. Ou seja, se você vivesse nessa tribo, a história do seu povo, ou de alguém da sua família, só era contada da geração de sua avó até a sua. E quando a próxima geração viesse, e você morresse, da de sua mãe até a de sua filha. A pesquisa tinha foco na linguagem e não analisou apenas esse traço da cultura Pirahã. Mas deu o que falar, porque os achados de Daniel Everett (esse o nome do pesquisador) pareciam preconceituosos, segundo outros cientistas. Para um monte de gente, o tom do americano sugeria que os Pirahãs eram de certa forma inferiores a outros povos. 

Confesso que não li o estudo. Mas imagino, por diversão, se os Pirahãs fizessem uma análise antropológica dos nossos hábitos, com base nas reportagens jornalísticas e em nossas reações a elas. As conclusões talvez fossem algo do tipo: “Aparentemente, os brancos não guardam em histórias a memória sequer da geração anterior. E falam muito nas adversidades recentes como se seus pais e avós nunca tivessem vivido momentos ruins. Os brancos ficam muito preocupados com essas adversidades e às vezes chamam-nas de 'desgraça' (que parece ser uma contrariedade grande). Também amaldiçoam o tempo presente com frases mágicas, que parecem ter efeitos psicológicos gravíssimos (não sabemos dizer se os brancos percebem esses efeitos). Uma das expressões mais ininteligíveis é 'Desgraça pouca é bobagem!', dita, por exemplo, quando o branco chega em casa, percebe que recebeu o troco da padaria faltando dois reais e, na sequência, bate o pé na quina da mesa. Não queremos nos gabar, mas parece que nossa língua é mais eficiente que a dos brancos.”


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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

REPETÍVEL >> Carla Dias >>


Tudo se repete... Nós nos repetimos.

Até sonho que foi sonhado há pouco cai fácil no loop da existência. Você empresta o seu sonho ao outro, contando a ele os detalhes dos quais se lembra. Se não for sonho sonhado, mas sim construído, você desfia minudências, mas algumas guardadas somente para si, até que algum biógrafo – de profissão ou janela – o desvende.

Quando você escuta alguém dizer “mas conheço alguém que passou exatamente por isso” é como se morresse o ineditismo da sua história. O jeito é sorrir e compreender a complexidade da sua experiência com a versão de um contador de histórias de vida de outra pessoa.

Não à toa as pessoas buscam por quebrar recordes, ultrapassar limites, atingir o cúmulo da superação. Aliás, “superação” é uma palavra que não me cai bem, de tanto que vem sendo usada para justificar o óbvio. Acabou perdendo o cabimento, o sentido ficou esgarçado. Superação anda coisa digna de ibope, sempre inspira compartilhamento, após ler a manchete. Raramente a pessoa quer saber do caminho que levou a tal superação, da história, o todo. É durante o caminho que descobrimos o motivo de a nossa repetição ser capturada, assim, num repente,pelo improviso.

Particularmente, os caminhos me interessam.

Mas a questão é que tudo se repete. Provavelmente, você dirá “eu te amo” ao mesmo tempo em que outras pessoas desse mundo, e logo depois, outras tantas farão o mesmo. Se a vida andar complicada, tendendo a sacanear sua existência, pode ser que outra pessoa diga “eu te amo” ao mesmo tempo em que você e para mesma pessoa.

Quem disse que a vida é fácil?

Repetição endossa certeza. Se todos dizem “eu te amo”, todos também tentam ser únicos ao fazê-lo. Nem sempre dá certo, mas quando dá certo, até canção digna de hit parade pode nascer. E filhos, claro.

Comédia romântica é repetição à exaustão. E por mais que você tente esconder, se o diretor é bom na repetição, e a trilha sonora corroborar, a comédia será de lindeza ímpar, como se fosse nova em folha.

Não é. Apenas o filme é novidade, não as armadilhas do amor e do cinema.

Tem coisa que entristece por se debruçar – folgadamente – na repetição. Guerras não mudam de tema, apenas de ano e de modelo. Violência se repete em releituras inacreditáveis. Neste momento, alguém diz tolices para justificar levantes. As mesmas tolices que serão proferidas para convencer ignorantes de que a guerra vale a pena.

Não à toa, brindo aos que sabem repetir com graça, enquanto buscam a descoberta. Aqueles que voltam ao ponto e redescobrem o assunto.

A repetição pode existir, contanto que exista também o risco de a sua consequência ser inédita. Contanto que ela nos sirva como aprendizado.

Imagem © Carlos Eduardo Drexler

carladias.com



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terça-feira, 25 de agosto de 2015

ALGUÉM INDICA? >> Clara Braga

Lembro de entrar na faculdade e começar a conviver com aquelas pessoas que você admira pelo conhecimento que elas dominam. Eram professores que, a cada palavra que você dava, tinham um livro para lhe indicar ou algo interessante que você deveria ver já que gosta disso e daquilo. Guardo até hoje listas de livros e filmes que tenho que ver. Sem contar as ementas das disciplinas, que vinham recheadas de indicações bibliográficas. Nossa, aquilo era uma delícia, ir à livraria atrás de um livro com cheirinho de novo, pronto para ficar todo marcado com anotações, não tem preço.

É claro que alguns livros são caros, principalmente os de artes, não dava para cumprir as listas de bibliografia de todas as matérias todos os semestres. Mas não tem problema, fui aos poucos montando minha humilde, porém amada, biblioteca. Biblioteca que me auxilia muito na preparação das minhas aulas. Cada novo tópico a ser tratado é uma nova pesquisa nos meus livros. Pego uma informação desse, complemento com uma informação daquele outro e por aí eu vou, lendo e me informando sempre para não ficar para trás.

Às vezes, demoro muito mais do que gostaria preparando uma aula, mas é impossível ler uma informação interessante em um livro e não seguir lendo. Quando vejo, a aula de arte rupestre já está quase chegando ao modernismo, aí não dá!

Aulas preparadas, é hora de dar aquela relaxada. Nada como um bom livro de cabeceira para embalar o sono que vai chegando. Qual livro vou ler hoje? Educação artística? Sintaxe da linguagem visual? Semana de 22? Didática da arte?

É… parece que a preocupação com a simples porém amada biblioteca foi tão grande que acabei esquecendo que nem só de estudos e trabalhos vive o homem, o ócio deve sempre ser muito bem vindo nos momentos certos. E é por isso que a crônica de hoje é quase um apelo: eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas eu estou aqui humildemente pedindo que me indiquem livros para momentos de ócio, por favor! É urgente, não consigo mais ir dormir lendo sobre a Semana de Arte Moderna e ter que levantar para fazer anotações no meio da noite. Preciso de livros que me permitam desligar, parar de pensar em trabalho e pensar que entretenimento também é cultura. 


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domingo, 23 de agosto de 2015

INIMIGO PÚBLICO Nº 1 >> Eduardo Loureiro Jr.

Sei que o leitor não aguenta mais escândalo, que vem até o Crônica do Dia desejando um refresco das notícias estarrecedoras que circulam pela grande mídia. Mas é meu dever noticiar um absurdo...

O Mar. O Mar continua lá. Entra governo, sai governo. Entra esperança, sai esperança. E o Mar continua lá, absoluto, intocável. Dele ninguém fala. Ninguém atenta para seu líquido latifúndio. Ninguém se indigna com a sua desfaçatez: faz de conta que está tudo azul, mas logo se percebe a fortuna que guarda em verdes esmeraldas.

O Mar vadia o dia inteiro e a noite inteira. É um vaivém sem fim. Puxa o que quer puxar, força o que quer forçar e ninguém fala nada. Fazemos de conta que ele não existe. Diante de nossa indiferença, ele atrai para si os mais ociosos e odiosos tipos: surfistas, pescadores (de vara e de rede), andarilhos que tramam ardilosas e crônicas ironias.

Enquanto se discute esse ou aquele projeto de lei, enquanto se emenda a constituição aqui e ali, enquanto se bate panela, enquanto se delira em impeachments, o Mar continua na sua onda, se locupletando de plataformas de petróleo e tesouros de piratas, vivendo na maior zona do pré-sal, se espumando, ressacando. Ninguém se lembra que seu principal assessor usa um tridente. A bancada evangélica mete o pau nos homossexuais e faz vista grossa para a devassidão marinha.

E o Mar só lá... se refestelando. Nem aí pra jogar o lixo no cesto. Se um arqueólogo ou um historiador de migalhas se desse ao trabalho de investigar uma beira de mar qualquer, ulularia diante do óbvio: o mar bebe muito (água, leite, refrigerante, vinho, uísque), vê muita TV (de última geração, já que os tubos pesadões ele joga todos na praia), toma banho de lua (quantos frascos de água oxigenada!) e, como se não bastasse, ainda engole gente e cospe só as sandálias havaianas. Sem fiscalização, sem denúncia, sem que nenhum apresentador de programa policial se esgoele e encha os bolsos de anunciantes.

Então estão avisado. Deixem a arraia miúda em paz. O alvo a ser visado, o inimigo número um do estado, não é outro, não é pequeno nem é de hoje. Canalizemos todo nosso ódio para quem de fato o merece: o megalomaníaco, o escandaloso, o exorbitante Mar.

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sábado, 22 de agosto de 2015

TRAIÇÕES EM TERAPIA >> Cristiana Moura


Ontem mesmo eu conversava com este colega, trocávamos experiências profissionais. Rodolfo é um terapeuta renomado por esta terra. Discutimos alguns casos. O compartir profissional com ele é sempre muito rico e só nos vemos vez em quando — há de se aproveitar. No entanto, mais do que a riqueza de experiências, o colega sempre me surpreende com sua atuação. Falo daquelas surpresas parecidas com aqueles sustos em que a gente para de respirar por alguns curtos, porém longos segundos.

É que Rodolfo, quando foi para o Sul, foi aluno do analista de Bagé. Vocês já devem ter ouvido falar. Trata-se de um amigo do Veríssimo,  terapeuta controverso mais que conhecido por aquelas bandas. Bagé é um sujeito sem papas na língua, um tanto rude e com métodos, vamos dizer, de certa forma diferenciados.

Pois meu colega contou que o que mais tem ouvido no consultório, nos últimos tempos, são histórias de traições. Pacientes que haviam sido traídos, mas principalmente, pacientes que traíram seus companheiros e companheiras.

— Ah, Cris, meu consultório anda parecendo um confessionário!

— É...

— Pois é. Ontem mesmo, o cabra olhou pra mim e se pôs a confessar sua história. Falou do quão irresistível é a mulher com quem ele está saindo. Justificou-se contando do desinteresse sexual da esposa. E eu ali, ouvindo. Até que, olhando-me de baixo para cima como uma criança que destruiu o brinquedo do irmão, ele disse: — Doutor, fala alguma coisa, vai ficar aí me olhando com essa cara de paisagem? O que eu tenho que fazer? E esperou a resposta como quem aguarda uma penitência seguida da absolvição. Pois Cris, sabe o que eu respondi?

— Nem imagino — eu disse. Mas sabia que ouviria, naquele momento, uma intervenção que só um aluno de Bagé poderia fazer.

— Cris, eu disse o seguinte: Meu filho, reze vinte Pai Nossos, dez Ave Marias, cinco Salve Rainhas, pague o dobro do valor da minha consulta e está tudo resolvido.

— Amém — pensei.



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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O BAÚ >> Paulo Meireles Barguil

Engana-se quem pensa que o baú era usado somente em viagens.
 
De fato, ele se constituía num guarda-roupa portátil.
 
Além da praticidade, outras virtudes suas eram a durabilidade e a discrição.
 
Vários modelos e tamanhos, no passado e no presente.
 
Baú da felicidade: bilhete premiado para um futuro melhor.
 
Felicidade no baú: músicas, lembranças, sentimentos...
 
Cadeado, chave, segredo, lacre: tentativas de proteger quem está fora.
 
Melhor é deixar o baú aberto: quem quiser que olhe.

Quem tiver coragem que mexa.


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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

SOBRE ENVELHECER E SER FORTE >> Mariana Scherma

Se o problema fosse só envelhecer, beleza. Uma coisa é superar o seu cabelo branco, as suas marcas de expressão, aquela ruga que só engrossa perto dos seus olhos e o seu bumbum que, por mais que você faça os agachamentos mais torturantes na academia, não é o mesmo de um tempo atrás. Com esses “problemas”, a gente se acostuma. Descobre outras qualidades e segue a vida. O autoenvelhecimento é isso. Mas e quanto a ver seus pais ficarem cada dia mais velhinhos e ter que admitir que eles não são eternos?

Essa resposta aí eu não tenho. Bem que queria. Uma coisa é aceitar o tempo passando pra você, mas para eles? Poxa, Deus e demais senhores aí da cúpula de cima. Encarar que o ser humano, em geral, tem suas fraquezas em relação aos anos que só correm é quase poético. Mas notar que seus pais enfraquecem com a idade é tenebroso, dói na alma. Essa sinceridade de agora é porque, mais uma vez, meu pai (que também faz bico de meu ídolo, meu grande amigo e meu mestre) precisa encarar mais uma cirurgia. Até hoje, meu dia mais triste foi a primeira cirurgia que ele fez. Superou. Ficou bem.

Com essa vai ser a mesma coisa. O problema é sentir a angústia dele e não poder pegá-la e jogar fora, sabe? Queria dizer para o meu pai que ele vai ser eterno — eterno, lúcido e forte. Queria deixar bem claro que ele não precisa ter medo, que já, já o medo passa. Mas como se eu também estou morrendo de medo por dentro? Disfarço. A sorte é que meu otimismo pesa mais que o medo. Queria avisar que os únicos problemas que ele vai sentir na pele são as derrotas do Corinthians, mas não dá.

Hoje só consegui dizer que ele é o homem da minha vida. Insuperável. Insubstituível. O cara. Pra mim, ele é eterno e imbatível. E ele vai ficar mais imbatível depois dessa. O mundo anda muito cruel, precisa do meu pai pra deixar a vida mais bem-humorada, mais inteligente. A crônica de hoje está curtinha porque as palavras não estão chegando fácil. Mas vai melhorar. Se nada é eterno, a angústia também não pode ser.

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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

AOS QUE PERGUNTAM >> Carla Dias >>


Vento me leva, inquietude me engoda a alma, e se às vezes tenho vontade lancinante de sumir, assim, sumida, de desejo de colocar pés em Marte — ou no Suriname — é porque me falta repertório para estrear shows particulares aos órgãos competentes.

Não sei sambar obediência cega. Desapegar do respeito — o recebido e o concedido. Às vezes, parto de mim, porque preciso de trégua. Quando volto, inteira, com direito a todos os ângulos da minha benfazeja rotina de acolher silêncios... Antes de dizer o que — respiro fundo, depois vem o dito. Daí que abraço canções e preces. Deito-me com amores vãos e me enrosco em ciladas emocionais.

Às vezes, falta-me delicadeza ao engolir sapo. Descabelo-me, então vou ao cabeleireiro. Ele reclama que quase nunca apareço, enquanto sorri ao contar dinheiros; eu pronta para enfiar meus cabelos cuidadosamente ajeitadinhos debaixo do chuveiro, assim que pisar em casa. Então, chorar fascínios.

Às vezes, falta-me traquejo.

Como naqueles minutos — quase vinte e sete — que gastei anotando informações importantíssimas, definitivamente necessárias, completamente descartáveis logo que se desliga o telefone. Não adianta ligar novamente e exigir do atendente o seu tempo de volta, fornecendo-lhe o número pra lá de correto daquele protocolo pra lá de necessário. Perdeu-se... Nem mesmo foi em Málaga.

É bom saber que protocolos não funcionam debaixo d’água. Também não funcionam quando você necessita de amparo. Protocolos são pílulas para se domar quem anseia por resposta e reparos. É uma versão do unilateral.

Para falta de amparo: espargir-se. Para o excesso de zelo: rio Amazonas.

Há tempos em que desejo destrinchar cordilheiras, assim como beber de fontes, emocionar-me de campos e desertos. Preencher-me com esperas. Em outros, basta-me o quarto de dormir... O debaixo dos cobertores... Os sonhos inventados... Os livros de cabeceira.

Não raramente, coleciono pequenas loucuras, como aquela, a mais doce e menos dócil de todas. A que me leva pela mão por esse caminho acidentado das apostas. Quanto? Dez mil carinhos, duas mil mágoas, uma centelha de amor genuíno. E a brutalidade de tantos mil desapontamentos. Essa pequena loucura que se faz autora de grandes mudanças. Um dia ela ainda me levará para Calcutá, quiçá Vila Velha.

A senhora e seu sorriso contido pendurado em lábios secos e pálidos. Ela passa a mão pelos cabelos, tenta ajeitá-los, como se houvesse maneira de torná-los menos selvagens. “Só lhe fiz uma pergunta para saber mais a seu respeito, para analisar se você está apta à vaga oferecida”.

Ela repete a pergunta da qual dependerá se sim ou se não, se eu sirvo ou não para o trabalho oferecido.

Quem é você?

Perdoe-me, mas nunca lhe disseram? Andar por aí a fazer tal pergunta é como se colocar à disposição para receber resposta que nem sempre cabe em relatórios. Respostas que podem ser muito mais longas e complexas, porque não há quem consiga respondê-la sem enveredar por todos os cantos de si.

Conto a ela porque estou aqui, ofereço-lhe informações que constam na minha ficha. Falo sobre a importância de conseguir um emprego, da funcionária dedicada que sempre fui e as experiências que acumulei, sobre as buscas que pontuam minha existência profissional. Enquanto isso, dentro de mim eu ainda discorro sobre a resposta a tal pergunta.

Quem eu sou?

Sou das que, se pudesse, iria com o vento até chegar ao Saara. No deserto, plantaria meus medos e os deixaria por lá, até se tornarem cactos. Até darem flores. Até se tornarem oásis.


Imagem © Richard Diebenkorn

carladias.com



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