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TRANSPARÊNCIAS >> Carla Dias >>

Quanto do mundo cabe em você?
Das vigorosas verdades às vedetes-mentiras. Do submundo da pele reverberante, arrepiando-se pela sinfonia de entusiasmos atrevidos, apesar da indiferença de quem a açula. Do desânimo inspirado pelas tardes vazias, que, de repente, é preenchido pela ousadia da ansiedade.
Quer algo mais rebelde do que sentimento a contradizer o esperado? 
Quanto de vida há em você?
Ao descartar as camuflagens, despir-se da diplomacia e andar pela rua da amargura, pés nus dispostos a amaciá-la, até que reste nada da desventura que ela fomenta. Até que a maciez da tristeza teimosa se hospede no seu dentro, como se nele ela tivesse sido parida.
Quanto de liberdade você acolhe?
Apesar das correntes que você arrasta - há uma biografia! - e das frágeis esperanças a pajearem insinuantes invencionices criadas para adornar desapontamentos. Dos olhares desviados, que eram esperanças criando espaço para acontecimento, mas você nem se deu conta. Acredita que eles são insultos da reali…
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MINDSET >> Clara Braga

Outro dia, por indicação de uma amiga, fui assistir a uns vídeos de uma coach financeira. Entre informações que não entendi e dicas interessantes, fiz uma descoberta preocupante: não sou milionária por culpa minha! Mais especificamente, a culpa é de um tal de mindset (uma das informações que não entendi direito) que eu não programei para milionária, o meu ainda deve estar no modo “financeiramente ignorante”.
Esses vídeos me levaram a outros (como tudo na internet), e fui descobrindo informações ainda mais preocupantes. Tudo na vida parece ser culpa desse tal de mindset que está mal programado, por exemplo, meus medos são um mindset mal programado. Se eu subo em um lugar alto e fico com as pernas tremendo, é porque eu não falei pra esse mindset deixar de ser frouxo, entendeu?
E se você acha que parou por ai, eu te digo que você está muito enganado, se você souber programar seu mindset bem bonitinho, vai começar a co-criar as coisas. Levei um tempo para entender o que é co-criar, mas a…

SABE OU NÃO SABE? >> Albir José Inácio da Silva

Sabe o Dito - Benedito de batismo, Bindito pra mãe e maldito para os demais - que deve ser a sétima geração desde que chegaram ali. E sabe de maneira muito mal sabida porque ninguém gosta de contar e as histórias misturam os ascendentes.
Sabe o Dito que nasceu livre, mas os primeiros tinham sido cativos até serem alcançados pela bondade da princesa. Há cento e trinta anos carregam essa liberdade e Dito sabe que tem de ajudar a carregá-la porque já nasceu com ela.
Sabe que vieram de muitos lugares depois da liberdade e traziam fome, trouxas, filhos e barrigas. E outros vinham de guerras, crimes, perseguições e ameaças. Fugiam de grilagens, dívidas, maridos, polícias e amores proibidos.
Sabe que foi assim que chegaram naquela pirambeira que ninguém queria, cheia de pedras, espinhos e favas. E continuaram chegando porque cabia todo mundo e todo mundo estava no mesmo barco. E ergueram galhos, caixotes e panos que desafiavam o vento. Carregaram água de barro e ferrugem que nem pra sede ch…

MUDANÇAS E PANELAS >> Mariana Scherma

Foto: Pinterest
Mudar de cidade, de emprego e, consequentemente, de vida não é das tarefas mais simples. Vamos começar pelo fato de chegar em uma casa que não é sua, que você não decorou e não encheu com suas coisas. As panelas são totalmente desconhecidas, o fogão é estranho, a geladeira também, assim como o sofá.Morar com móveis de outros dá a impressão de que a vida não é exatamente sua.
Mas também liberta de algumas coisas. A faxina que, antes era minuciosa, é feita de forma tranquila, sem muito exagero, porque nada é muito seu. Se estiver agradável, já está ótimo! Você está livre do apego com as antigas coisas, a questão é que isso deve ser lembrado constantemente. Cozinhar em panelas estranhas é uma aventura, assim como ter que usar marcas de ingredientes nunca antes vista.
Os hábitos é o que mais pegam. A rotina acaba entrando no eixo, mas alguns prazeres ficam meio adormecidos porque você está se adaptando. Escrever, por exemplo. Eu adorava escrever minhas bobagens (e sumi a…

SOBRE MEU NOVO FLERTE E A COMUNICAÇÃO VIRTUAL ou EU ODEIO O WATSZAPP >> Cristiana Moura

Era sexta-feira à noite, uma ansiedade gostosa daquelas que fazem cócegas no estômago. Um primeiro encontro já já. Não importa o tempo vivido tampouco nossas idades. Primeiro encontro é sempre primeiro encontro, com direito a todas as sensações conferidas como exclusivas dos adolescentes. Vestido preto, colar africano em cores vibrantes concedendo um ar estiloso ao visual quase básico. Sapato amarelo mostarda para equilibrar as cores. Eu estava quase pronta. 
Mas voltemos um pouco no tempo. Minutos antes de começar a me arrumar eu contava sobre o novo flerte e o encontro de futuro próximo à Inez. Ela está em um congresso sendo feliz em Brasília e minha contação se deu via áudios de watszapp. Eu disse que já o conhecia há algum tempo, que nos reencontramos na padaria aqui perto de casa dia desses, que ele é culto, conversa sobre arte, literatura coisa e tal, e que havia me convidado para tomar um vinho o que aconteceria naquela noite.
Quando dei-me conta, Deus do céu, eu havia enviado…

SORTE NO JOGO, NEM TANTO NO AMOR- 2a parte – Uma aventura do Detetive sem nome >> Zoraya Cesar

Link para a 1ª parte: Vivendo desse jogo e sobrevivendo às suas armadilhas há muitos anos, ainda me disponho a correr riscos. Sempre por uma mulher, claro. Como sei que a vida é curta, e, ao que parece, Sabrina também, não perdemos tempo e, naquela mesma noite em que nos encontramos no bar – e em muitas, depois -, fomos para a cama. Eu continuava a investigar de onde provinha o vazamento de informações na empresa de meu contratante. E vou repetir até que não restem dúvidas: espionagem industrial, na vida real, é muito mais suja do que mostram os filmes.

Depois de algumas semanas, concluí que o vazamento não vinha dos empregados, mas, sim, de alguém bem próximo ao meu contratante (ele não acreditou. Nunca acreditam. Entendo. Também sou sentimental). Eu tinha de solucionar logo o caso, tenho um histórico impecável a zelar. Mais uma quebra de sigilo e os acionistas fugiriam da empresa. Não vou cansá-los com os detalhes das minhas investigações, voltemos ao meu envolvimento com Sabrina, mu…

CRUZAMENTO >> Carla Dias >>

Neste cruzamento repousam muitas histórias frequentadoras de boletins de ocorrência. Histórias de desde antes dele. São décadas de acumulação de tragédias. 
Os transeuntes nem prestam mais atenção às vítimas geradas neste cruzamento, o que dirá daqueles que deveriam dar fim ao problema. Há pessoas que seguem, como se nada tivesse acontecido, depois de presenciarem uma dessas tragédias: cena de horror e sonoplastia das indecorosas. Como alguém pode ficar indiferente ao som de um corpo atingido por um carro? Show da realidade que não interessa a quem deveria interessar.
Um frio na espinha o levou a evitar este cruzamento durante toda a vida. Mas hoje, decidiu cortar caminho, apressado que estava para voltar para casa, antes que começasse o futebol. 
Alguém para ao lado dele, respira fundo, enquanto o motorista do carro grita por socorro. Ele balança a cabeça e diz: sinto muito, e parte como se nada tivesse acontecido. Ele sempre achou estranha a maneira como as pessoas agem ao se acost…