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Mostrando postagens de Fevereiro, 2017

DO CONTRA >> Clara Braga

Ah, o carnaval! Nem acabou e eu já sinto saudades.
Não vou dizer que quem não gosta de samba bom sujeito não é, pois eu mesma posso acabar sendo ruim da cabeça ou doente do pé. 
Já fui do time dos que odeiam carnaval e apresentam argumentos fortíssimos contra esse evento, mas deviam todos ser bem furados, afinal, não consigo lembrar de um. E no fundo, de que adianta ser contra algo que vai acontecer anualmente queira você ou não?
Nunca fui a um desfile na avenida, não curto me fantasiar, não frequento bloquinhos de rua, não tenho uma escola de samba do coração e tudo isso foi essencial para eu entender que se eu não gosto dos eventos carnavalescos posso apenas não participar deles!
Sim, tudo isso parece muito óbvio, mas acreditem, não é. Para tudo que existe no mundo tem um grupo para ser contra, principalmente quando é algo que não vai fazer a menor diferença na vida deles. Exemplos? Bom, ser contra a casamento gay sabendo que você não vai ser forçado a casar com alguém do mesmo sex…

HAVIA UMA LISTA >> Sergio Geia

Havia tempos esperava receber uma pequena soma em dinheiro. Vou explicar. Outrora, quando eu ainda era um menino (pois sabe que me lembro de uma vez, um sábado de manhã, antes de fazer uma prova de datilografia para um concurso, mandei ver alguns copos de cerveja com amigos, de modo a relaxar os dedos? Pois é... coisa de menino), celebrei com a Prefeitura de Taubaté dois contratos de trabalho: um, regido pela CLT;outro, regido por estatuto próprio, dos servidores públicos. Ao término do primeiro contrato, como é de direito, levantei de FGTS a infame quantia de alguns míseros cruzeiros, e que hoje deve corresponder a uns R$ 950,00, ou R$800,00, isso lá pelo ano de 1991. Alguns anos atrás, veio a notícia de que o sindicato que defende os interesses dos servidores ajuizara com êxito uma ação contra a Caixa Econômica, defendendo a tese de que a correção do nosso pobre dinheirinho deu-se de forma irregular, com a aplicação de um índice menor em relação ao índice que deveria ser aplicado; as…

A NINFA - 2a e última parte >> Zoraya Cesar

A Ninfa - 1a parte- Após enganar a família, ele tomou posse do sítio do avô, a quem detestava, o único a perceber que ele, o neto, era um salafrário da pior qualidade. Sua intenção era destruir tudo o que o avô mais prezava e depois vender o resto. Ia começar derrubando as árvores. Só não o fizera ainda por causa dos pesadelos.
Pesadelos. Ele, que dificilmente sonhava, agora os tinha a noite inteira.
Eram multicoloridos, variados, e muito, muito realistas. Em todos aparecia uma mulher de cor lavanda e traços indefinidos. Em um dos sonhos, ela aparecia chorando, vertendo lágrimas azuis, agarrada aos joelhos dele, que derrubava uma árvore. No instante seguinte, viu-se afogado no meio do lago, as canas do brejo prendendo-o ao fundo. Acordou totalmente ensopado, o lençol pingando, água saindo pelo nariz. De outra feita, sonhou que a mulher lhe pedia algo, as mãos estendidas e súplices, enquanto ele marcava à faca as árvores que cortaria. De repente, seus pés afundaram no chão, e ele foi ent…

CARMA>Analu Faria

Todas as rodas da vida foram entrelaçadas com todos os possíveis momentos que o tempo dá. Por isso todas as combinações possíveis existem, todas as possibilidades estão abertas. Eu e você somos um ponto nas infinitas retas, nas infinitas curvas das incontáveis combinações possíveis. 
Somos embaraço natural na teia da existência. "Se você maltratar seu irmão, virá como irmão dele novamente, em outra encarnação." No emaranhado das vidas que se seguem a outras vidas, ninguém pode dizer isso. "Aqui se faz, aqui se paga" é coisa de cristão hipócrita. Ninguém sabe a hora nem a forma do retorno.  "Sabemos que o carma existe, só não sabemos como ele funciona.", dizia o mestre budista.
Ah, mas que dilema quando aquele que te fez sofrer está agora em sofrimento! Aflito nas mesmas condições que arquitetou - sim, intencionalmente - aquela dor que te atormentou! Que sentimentos estranhos e contraditórios se confrontam na cabeça, no coração, no fígado! O anjo no meu o…

ESPERA >> Carla Dias >>

À mesa do bar de sempre, cercado pelos amigos de uma vida, foi espezinhado por falar de amor com deleite petulante. Quem quer saber de floreios diante de tanta miséria? Das casas e das almas? Quem quer palavras das quais nem mesmo entendem sentido para acarinhar comprometimento?

Quem ganhou a partida de futebol de ontem?

Nem mesmo ele entende o que lhe acontece. Esse aperto, esse apreço, esse desespero em forma de felicidade arrependida. Não sabia que era possível gostar de jeito desse, com taquicardia. Engoliu um calmante, pensando que o comprimido aliviaria sua angustia. Dormiu algumas horas e acordou ainda mais atormentado. Entendeu nada e maldisse a bula do remédio. Jurou aos santos de seu apego que daria a volta por cima. Duas horas depois, chorou miúdo de saudade, a lua minguando a perder de vista.

Depois de uma eternidade de trabalho árduo, sentou-se à mesa do bar da esquina, cercado por seus biógrafos de infância. Pediu que viessem garrafas de seu veneno de preferência. Enven…

AI, MEU CORAÇÃO! - V >> Albir José Inácio da Silva

Continuação de 6 de fevereiro:
(Tentando trabalhar, Bóssi sentiu crescer a angústia pela falta de notícias. Sua mente divagou pelos antecedentes não muito recomendáveis do pupilo e pelos acontecimentos dos últimos dias.)
Foi assim que Bóssi encontrou Neném há vinte anos, desprezado e ameaçado por toda Tarietá, sem estudo, sem trabalho, sem perspectivas. Mas Bóssi sempre tinha perspectivas para todos.
Neném tinha dezessete anos quando entrou para o time do Tarietense, em mais uma tentativa da mãe zelosa comprar para o filho alguma direção na vida. Bóssi costumava assistir os treinos do clube. Aquele garoto não jogava grande coisa, mas era aguerrido, catimbeiro e disponível. Passava o dia no clube em conspirações e intrigas. Bóssi viu potencial.
De início pediu alguns favores, tarefas simples que o moleque cumpriu com diligência. Neném foi se aproximando com interesse pelo clube e paixão pela camisa.
Entre os amigos da sociedade tarietense não faltaram críticas ao novo ajudante, nada s…

COMPAIXÃO >> Paulo Meireles Barguil

"Apesar de tudo, Jesus dizia: 'Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo!'” Lucas 23, 34 Depois de várias chicotadas físicas e emocionais, Cristo, embora fragilizado, permaneceu firme. Em meio à máxima dor, Ele continuou a nos ensinar. Somente a Luz consegue ver, através do corpo, singelo véu, a alma. O vício de julgar o outro expressa, cristalinamente, o quão cindido está o censor, embora ignore tal fato. É por esse motivo que Jesus, sem cessar, orvalha sobre nós gotas de compaixão. Somente quem acolhe a si pode abraçar o outro, ao invés de afastá-lo. A mão, antes tão célere para apontar e destruir, agora, apressa-se para aconchegar e cuidar. A língua, outrora demasiada áspera, converte-se em ondas sedosas. A origem e o destino de todos nós é o mesmo: AMOR. Que privilégio é mergulhar, enfim, nesse oceano.

SAIA DO PEDESTAL >> Mariana Scherma

Pôr a mão na massa é vida. Não literalmente a mão na massa porque não sou muito cozinheira, mas viver as experiências ativamente, participando delas, tira você da condição de espectador dos seus dias. Sem contar que isso é ser gente como a gente (amo essa expressão). Você ganha em experiência, em know-how e em respeito.
Sim, respeito. Porque uma coisa é você ser aquele chefe que só manda, manda, manda mais um pouco e, na sequência, cobra agilidade. Outra coisa é você fazer junto (ou já ter feito) e saber exatamente como isso leva tempo e quais as dificuldades que cada tarefa demanda. Minha mãe sempre teve comércio e o que escuto dela é: “não dá pra deixar na mão só dos funcionários”. Ela trabalha mais que todo mundo na sua loja, é a única que não tira férias e explica incansavelmente tudo pra todos. Meu exemplo.
Para trabalhar, optei por algo que não fosse meu. Não sei até quando isso vai durar, mas, enfim, caí numa função de referência. Diferente da minha mãe, confio na equipe, que sem…

VAZIEZ >> Carla Dias >>

Acreditava que morreria cedo.

Mãe, pai, tia e tios e outros tantos parentes e chegados da família viviam a brigar com ela, toda vez em que a menina, franzina de experiências, verbalizava, escolada de certeza, que ela morreria cedo.

Sabendo do tempo o limite, desde que aprendeu como, começou a escrever cartas para quando os irmãos fossem adultos e nascessem os sobrinhos. Também escreveu cartas aos pais, a maioria tentando convencê-los de que já podiam deixar o luto desanuviar e voltarem a sorrir, assim, com alegria presente.

O que mais a incomodava eram as relíquias. Não sabia a quem deixar sua coleção de pedras em formato de coração. No dia em que a professora mostrou a ela a imagem de um coração verdadeiro, o músculo, a menina abriu o maior berreiro. Onde já se viu mudar uma certeza dessa forma? Desde sempre, coração era o do pingente de seu colar, dos livros que ela adorava, dos desenhos que enfeitavam os bilhetes que sua mãe escrevia para ela ler, enquanto tomava café da manhã.

A …

BEM VINDOS AO FIM, DE NOVO >> Clara Braga

O mundo vai acabar de novo! Você ainda não está sabendo? Pois trate de se preparar, pois temos apenas até o dia 16 para vivermos felizes, depois o mundo acaba!
Aparentemente os cálculos foram feitos por um cientista respeitado, e ele afirma que no próximo dia 16 um meteorito irá colidir com a Terra e acabará com o planeta de uma vez por todas.
Várias foram as vezes que ficamos apreensivos com esse papo de fim do mundo, essa não seria a primeira vez que alguém define o dia que o mundo irá de fato acabar, mas como nas outras vezes a previsão não vingou, talvez seja melhor não mudar muito a rotina.
Continue passando repelente, a situação da febre amarela anda grave mesmo e se o mundo não acabar você não vai querer aproveitar os próximos dias doente, não é mesmo? Principalmente porque se o mundo não acabar significa que teremos carnaval! 
Também não se anime a se arriscar muito, não fique sozinho na rua em lugares escuros, os sequestros relâmpagos estão cada vez mais violentos, principal…

CERVEJA QUENTE >> André Ferrer

Antes do Carnaval, a Quarta-feira de Cinzas. O boi da realidade é quem puxa o carro alegórico em 2017. Em nome da tradição, o brasileiro insiste. Procura esquecer. Nem pensa que a festa, talvez, não chegue a ser plena. Fareja o fracasso na maioria dos quesitos, mas não deixa de se fantasiar.
É fevereiro e essa gente bronzeada só faz dissimular a ansiedade. Todo mundo atingido naquilo que tem de mais valoroso. Nem mesmo as tardes prolongadas na orla excederão, este ano, ao festejo momesco. Em 2017, o Horário Brasileiro de Verão termina antes do Carnaval e, como tudo indica, é também quando termina o prazo para qualquer adiamento. Apesar de tudo, sustenta-se a tese de que nada suplanta a alegria. Nem mesmo a impossibilidade de adiar um pouco mais o início do ano.
Entre dois carnavais, construiu-se a civilização brasileira. Uma espécie de pele social que, de maneira precária, envolve um arcabouço constituído tão somente pelos dois instintos básicos do ser humano: alimentação e sexo. Feito …

ENTÃO CHEGOU A TECNOLOGIA... >> Sergio Geia

Pode ser um saudosismo bobo, mas tenho saudades do tempo em que se ouvia o futebol pelo rádio. Às vezes, era apenas chiado; às vezes, o chiado se misturava com a narração; às vezes, a estação sumia; sem mais nem menos, voltava, e o jogo parecia tão disputado, mas tão emocionante, repleto de lances espetaculares, que tudo que queríamos no dia seguinte era assistir aos melhores momentos na televisão. Lembro-me de um Palmeiras e Santos; no gol do Santos havia um uruguaio chamado Rodolfo Rodrigues, um goleiro extraordinário; o Palmeiras tinha um centroavante chamado Reinaldo Xavier, que havia jogado no Taubaté, e que hoje, pelo que sei, vive por aqui. O Santos ganhava, e faltando poucos minutos para o fim da partida, Reinaldo fez um gol espetacular, por cobertura, em cima do quase perfeito Rodolfo Rodrigues. Um gol maravilhoso, que se tornava maior na voz comovente do narrador José Silvério. A torcida gritava: “Rei! Rei! Rei! Reinaldo é o nosso Rei! Rei! Rei! Rei! Reinaldo é o nosso Rei!, …

A NINFA - Parte I >> Zoraya Cesar

Entrou no sítio sentindo-se como Júlio Cesar na Gália. Imponente, arrogante, vitorioso. Mesmo não tendo, é certo, a grandeza do nobre imperador. Nada tinha, aliás, de honrado.
Ao contrário do avô – homem íntegro ao extremo. Avô esse que nunca o suportara, antevendo e pressentindo a natureza malévola do moleque doce e quieto que todos achavam tão engraçadinho. Após a morte do avô, o neto, fiel à sua natureza, conseguiu, por falcatruas inomináveis, passar a família para trás e herdar-lhe o bem mais precioso. 
O sítio. 
Que valia muito dinheiro, sem dúvida. Ninguém, porém, pensaria em desfazer-se daquele lugar sagrado, distante do mundo, do qual o avô cuidara com as próprias mãos, um sítio que estava na família há gerações. 
E ele? Pretendia vendê-lo? Talvez, depois. Naquele momento, só queria sentir em suas veias, qual lava incandescente, o fervor da vingança, destruindo pelas próprias mãos tudo o que o avô construíra e o resto da família amava. 
Vocês, que são pessoas boas, talvez estranhem…

UMA PAUSA DE MIL COMPASSOS>>Analu Faria

Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito
Não diga nada
sobre meus defeitos
Eu não me lembro mais
quem me deixou assim
Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos


(Paulinho da Viola)
Onde sentar? No sofá? Macio demais, como a cama. Não dá, tem que ser disciplina, tem que ser um projeto de vida, não dá pra ser macio. Além do mais, vou me sentir relaxada demais, vou querer deitar, vou acabar dormindo. Quantas respirações profundas? Três, quatro? Quatro. Agora posso respirar normalmente? Ok, respirando normalmente. Como é mesmo? Rotulagem mental:  estou respirando, estou respirando estou respirando estou respirando estou respirando. Tá bom, chega, assim eu vou dormir ou ficar louca. Eu paguei a conta de luz? Paguei. Paguei? Ai, foi ontem. É, paguei. Opa, voltando. Prestando atenção na respiração. Ai, será que está certo? Tem que estar certo. É só respirar e prestar atenção. Inalando, exalando. Ok, é isso. Tá funcionando. Tá funcionando? Deve estar, e agora? Olhe para o silênc…

INCRÉDULO >> Carla Dias >>

Em pleno momento caótico, tudo virado ao avesso, uma eterna ressaca de maledicências, eles chegam e tomam o recinto. Como podem se manter indiferentes às ocorrências baseadas no fatídico?

É difícil de engoli-los, eles e suas reverberantes frases feitas, uma mistura de literatura dispensável, música alienável, cinema descartável, comida de micro-ondas, bebida direto de embalagem longa vida.

Quando dão de recitar sentimentos, em monólogos encenados à luz de velas, é como se cravassem um punhal no peito da realidade. Como podem desfilar por aí desse jeito, menosprezando a fatalidade, a miséria que assola o mundo?

Anda tudo tão feio, de feiura que nem campanha de marketing consegue disfarçar. Anda tudo tão peso, dor, desespero, violência. A alma da gente se encharca de tragédias e impotência. Tudo tão berro, soco no estômago, solidão.

E eles caminham por aí, distraídos em ruas abarrotadas de injustiças, preocupados com pormenores, alienados por um egocentrismo amplificado. Curvam-se a um…

UM SEM QUERER QUASE QUERENDO >> Clara Braga

Foi sem querer!
Foi sem querer que eu fui naquele show aquele dia e acabei te encontrando.
Foi sem querer que eu deixei o rádio ligado em uma estação que não costumo ouvir e acabei conhecendo aquela banda que hoje sou fã.
Foi sem querer que eu troquei de bolsa sem nem olhar o que tinha dentro dela e, por sorte, meu guarda chuva estava lá! Me protegeu de um belo pé d’água.
Foi sem querer que eu esqueci a chave do carro no quarto e tive que voltar para pegar exatamente na hora que o elevador chegou. Perdi uns minutos, mas quando voltei o elevador tinha parado! Imagina se eu fico presa dentro dele? Ia ter um treco.
Foi sem querer que eu disse pro universo que não queria conhecer ninguém tão cedo, uma semana antes de você aparecer. Pra minha sorte o universo me ignorou. Aliás, já percebi que o universo sabe muito melhor do que eu o que deve ser feito.
Enfim, tanta coisa boa já me aconteceu como consequência de situações que por mim nunca nem teriam acontecido, que eu venho aprendendo aos…

AI, MEU CORAÇÃO! - IV >> Albir José Inácio da Silva

Continuação de 23/01/17:
(Bem recebido na delegacia, Bóssi repetiu a história do assassinato em depoimento formal. Saiu satisfeito com o próprio desempenho e com o desenrolar dos acontecimentos dentro do previsto. Nem sombra ainda de preocupação).
Bóssi voltou para o clube, o que não lhe faltava era trabalho até as eleições. E por onde andaria Neném, que não deu notícias até agora? Não estava no clube nem telefonou.
Para Bóssi, Neném era sim de confiança, no sentido de não o trair, mas isso não significava ausência de problemas. Era preciso mantê-lo por perto, sob vigilância. Bóssi tentava se tranquilizar - não havia mais o que dar errado. Mas cadê o Neném?                                                                          NENÉM
O apelido de Neném quase dá conta de sua definição, se considerarmos os seus quase trinta anos. Não porque pareça um bebê doce e sorridente, mas por suas atitudes a um tempo cruéis e infantis.
Sua mãe sempre o chamou assim, enquanto lhe passava a mão na…

GRATIDÃO >> Paulo Meireles Barguil

 Agradecer, ensinam os sábios, é o caminho para ser feliz.

Ou melhor, é a própria plenitude.

Celebrar o que se tem, o que se é.

Olhar para o presente e nele mergulhar, dissipando-se no Cosmos.

Quanto ao futuro, ele é apenas um talvez com várias possibilidades.

Em qualquer uma delas, o que importa é que você seja um bálsamo de luz!

QUANDO NÃO SE É BEM-VINDO >> Mariana Scherma

A gente só visita a casa de quem nos chama, não é? E é bom visitar, levar um pouco de amor, um bolo quentinho, um abraço. Na volta, a gente vem sempre cheio de lembranças. Preguiça de sair de casa sempre há, mas escapar uns dias da nossa bolha pessoal faz bem. Claro que tem as visitas que fazem a gente querer colocar a vassoura atrás da porta (isso funciona?), mas shit happens, ué.
Viajar é exatamente a mesma coisa. O planejamento, a pesquisa de locais pra conhecer, de pratos para experimentar... Qualquer viagem é sair um pouco da bolha da sua vida e voltar transformado em algum sentido. Nem precisa ser uma viagem a Paris. Ir para uma cidade aí do nosso próprio estado já está valendo. Claro que a gente volta com a sensação melhor ainda quando os nativos nos recepcionam com amizade e educação.
Sim, agora vou falar de Donald Trump. Pessoalmente, minha regra de viagem é: conhecer países que aceitem nossa entrada sem visto, sem ter que pagar pra ser bem-vinda. Por isso, nunca fui aos Estado…

BLUE JAY >> Carla Dias >>

Cinema me agrada. Com o tempo, percebi que por mais eclética que eu seja na hora de conferir filmes, acabo me envolvendo mais com aqueles em que a história conduz os personagens. Menos locações, mais diálogos, roteiros bem escritos, tramas bem amarradas.

Recentemente, assisti a um filme com um ator que aprecio muito, Mark Duplass. Não vou tentar explicar o motivo de gostar tanto dele, porque não saberia mesmo como fazê-lo. Eu gosto. É gosto.

Lançado em 2016, Blue Jay, com direção de Alexandre Lehmann, traz Mark Duplass, e Sarah Paulson em uma trama sobre ex-namorados que se encontram por acaso, mais de vinte anos – e muitas histórias vividas – depois.


O fato de o filme ser em preto e branco me agrada profundamente. Durante o filme, percebe-se o quanto esse detalhe é valioso, pois ele dá mais destaque ao roteiro. Para mim, quando a história mergulha na essência das pessoas, a melancolia se torna uma ferramenta valiosa.

Porém, a melancolia do filme, aguçada pelo preto e branco das imag…