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Mostrando postagens de Fevereiro, 2015

RODOLFO E A CRISE DOS 40 - PARTE I >> Zoraya Cesar

Quem faz 40 anos não quer perder tempo. Comecemos, portanto, nossa história, entrando direto no assunto: ao completar 40 anos, Rodolfo olhou pra sua vida e achou-a a coisa mais sem graça do mundo.
Seu emprego era bom, mas o trabalho era chato; sua rotina resumia-se à casa, trabalho, encontro com os amigos, namorar a mesma mulher há anos. Antoninha, a noiva, era desprovida de qualquer dos atributos que encantam o imaginário masculino: não tinha bunda, não tinha peito e ainda por cima usava óculos. Era engraçada, fiel e inteligente, mas quem se importa?
Trocar de trabalho e fazer esportes radicais, nem pensar. Rodolfo direcionara toda sua vida para a pacatez e agora estava indócil; queria aventuras para contar aos amigos (aventuras sexuais, sejamos claros). Era sempre o ouvinte passivo, nunca tinha nada de seu para contar, e ele queria tanto, ó, tanto mesmo, mudar essa situação, ser admirado, ter suas histórias passando de roda em roda, todos dizendo “E o Rodolfo, hein? Cabra da peste,…

MINHA VIDA NÃO DARIA UM LIVRO >> Carla Dias >>

Desde que a necessidade de escrever se tornou literatura na minha vida, perdi as contas de quantas pessoas já me disseram que suas vidas dariam um livro. Na maioria das vezes, daria mesmo, porque a vida é geniosa, traquina e tem seus momentos de bipolar.

Muitas histórias contadas depois da introdução “minha vida daria um livro” me convenceram de que algumas delas teriam de ser divididas em três, até quatro volumes. São tantos enredos inusitados, e às vezes, mesmo daqueles que me parecem ter vidas tranquilas, saltam pontos de virada inacreditáveis, que parecem acurada ficção.

Para mim, a vida do outro é relevante, não apenas porque a vida em si tem valor, mas porque a história construída ou imposta a ele pode ser surpreendente. Em momento em que parece que a maioria de nós deseja somente contar suas histórias, escutá-las é uma forma muito interessante de espiar a própria existência. Escutar o outro se tornou raro, mas se a vida dele der um livro, e se esse livro acabar na prateleira d…

CADÊ?? >> Clara Braga

Cadê o José Wilker? Cadê o Roberto Bolaños? Essas foram as perguntas que eu mais vi depois do último oscar que não homenageou os dois no momento in memorian.
José Wilker e o Chaves foram umas das perdas desse último ano que parece ter levado até gente demais! Por aqui, ambos foram super homenageados, bem como mereciam, de fato, mas foram esquecidos no famoso clipe do oscar. Alguns se ofenderam muito com o esquecimento, acusam seja lá quem for o responsável de várias coisas inclusive preconceito contra os latino americanos, mas no geral, a maioria acaba concluindo ter sido apenas desleixo e má vontade.
Seja lá o que tenha sido, entendo todas as reclamações e frustrações. Concordo com os questionamentos e acho a grande maioria bem coerente. Mas infelizmente, acredito que todas as pessoas que ficaram chateadas vão ter que se conter com suposições rasas como: eles não eram pessoas importantes para o cinema ou eles não eram conhecidos nos EUA. E digo suposições pois realmente não acho que…

VADE RETRO II >> Albir José Inácio da Silva

(Continuação)
- Este menino precisa é de rapariga! Fica agarrado em saias de tias e padres, - nada contra o senhor, viu, seu padre! - enquanto os outros moleques estão lá, no bem-bom, desfrutando a safadagem.
Para desespero de Padre Antônio, Tia Tonha - solteirona, carola, mas prática - apoiou o irmão:
- Que Genésio guie o menino, então, até onde ele possa aperfeiçoar seus dotes de varão!
Todos concordavam que Genildo era bom menino. Estudioso, trabalhador, não acompanhava os outros garotos pelas arruaças nos finais de semana. Ficava dentro de casa ajudando nos afazeres e participando das rezas, o que aumentava seu conceito com o padre e as mulheres da fazenda. Mas o pai, que já percebera olhares e risinhos dos outros, andava nervoso.
Padre Antônio esbravejou:
- Esse mundo está perdido mesmo. Agora é a própria família que empurra o filho na direção do pecado. O garoto participa das missas, das novenas, das quermesses, e não há por aqui melhor paroquiano. E os adultos, que deveriam se…

AÇÚCAR!!! >> Sergio Geia

Antigamente eles vinham num pote bojudo, a granel, quantidade farta, a gente se lambuzava. Depois segregaram os cristaizinhos em miúdos sachês de cinco gramas. Aliás, tudo virou sachê. Viu, não? Mostarda, ketchup, maionese, açúcar. Até inventaram o abridor de sachê. Coisa fina: você chegava ao estabelecimento e se deparava com o abridor melecado até os tubos. Mas os sachezinhos estavam lá, fartamente distribuídos, à espera dos doçólatras de plantão.
Não sei se em todo lugar tá assim, mas aqui em Taubaté, meus amigos, de uns tempos pra cá, venho notando, meio desconfiado, a ausência desse inestimável contribuinte da beleza da vida. Quando peço meu expresso, pão com manteiga, suco de laranja, ele aparece minguado, solitário, na bandeja de uma das mocinhas. Como sempre preciso de mais, a demora faz esfriar o meu café.
No começo, relevei. Porém a situação, que reparei generalizada nas padarias da região, de uns tempos pra cá passou a me incomodar. Então, antes de qualquer providência mais …

A HUMANIDADE É CAFÉ COM LEITE >> Paulo Meireles Barguil


Que sina a do Homem: vive num mundo que lhe foge à compreensão!

Nem o átomo — do grego átomos: que não pode ser cortado, indivisível — que se acreditou durante milênios ser a menor parte da matéria ele consegue decifrar, pois está há mais de um século envolvido nessa aventura.
A cada resposta formulada, surgem outras perguntas...

A natureza é mais feroz do que a Hidra de Lerna, que substituía cada cabeça cortada por duas!

Se nem o micro — cujo tamanho lhe é desprezível — a Humanidade consegue desvendar, o que dirá do macro — cuja extensão ela sequer logra imaginar?

E a si mesmo? Quem ousaria dizer conhecer?

Solucionar as infinitas charadas é divertido.

Melhor mesmo é contemplar e deliciar-se com as inebriantes belezas — internas e externas, pequenas e grandes.

Estou desconfiando de que a Humanidade é café com leite nessa brincadeira com a natureza...

SOBRE LIVRE >> Mariana Scherma

Alguns livros nos levam para outra dimensão, pra qualquer outro lugar no mundo que conhecemos ou de outro mundo que adoraríamos conhecer e deixam a gente meio longe da realidade. E isso tem seu valor. Ôh se tem. Com Livre, de Cheryl Strayed, não foi bem assim... Ele me levou pra dentro de mim mesma, fiquei mais atenta à minha realidade, mais grata às pessoas da minha família e tive certeza de que problemas não se curam com milagres, mas com um passo de cada vez.
Eu comprei o livro e comecei a lê-lo ferozmente, queria terminar antes de ver o filme nas telonas. Quando vi o trailer com a atriz Reese Whitherspoon, sabia que se tratava dessas histórias que mexem fundo com a nossa concepção de mundo. Spoilers à parte, a história fala da experiência de Cheryl, que ao perder a mãe, perde o sentido da vida e começa a se prejudicar de várias formas, incluindo o fim de um casamento aparentemente feliz e o uso de heroína.
No fundo do poço, ela decide, sem nenhuma experiência em trilhas e pouca vivê…

A QUARTA-FEIRA >> Carla Dias >>

Sem pressa, ele vai arrastando a vassoura pelo chão, sem qualquer intenção de empurrar as cinzas para debaixo do tapete dessa quarta-feira.

Em um canto, jaz sua fantasia, testemunha colorida e brilhante da alegria regurgitada em feriado prolongado e samba-enredo.

Escreveu samba-enredo, certa vez, e acertou no alvo. Decretou-se que não havia nessa terra alguém capaz de compor samba-enredo mais bonito, de cadencia ideal para a história contada. Eventualmente, o decreto se apoderou da verdade, que ninguém mais emplacou tal milagre, nem mesmo ele, que assim como alguns rock stars, foi compositor de um único sucesso. Depois disso, sua vida foi tomada por interrogações e interrogatórios.

Vagarosamente, ele vai alisando o chão com a vassoura, sem qualquer intenção de empurrar os confetes para debaixo do tapete dessa quarta-feira.

Sob seus pés, as chinelas que herdou do filho mais velho, em uma inversão de doações que ele não consegue entender. Nenhum pai deveria viver algo assim, tal incapa…

OS FILHOS DA MAROLINHA >> André Ferrer

Depois do carro, J. B. (19 anos) acha o smartphone um item indispensável para que a balada de sexta-feira seja ótima. Este ano, entretanto, viu-se diante de uma escolha difícil. Agora, ele precisa decidir entre abastecer o carro e comprar créditos para o celular.
Ao lado das roupas, S. V. (17 anos) adora tecnologia; tablets e celulares cheios de funções. Já teve cinco aparelhos telefônicos em sua vida e, para ele, tanto a presença nas redes sociais quanto a boa aparência são fatores decisivos no seu “trabalho”. S. V. iniciou a carreira de Mc em 2013. Este ano, entretanto, seus pais não param de repetir que ele precisa arrumar um emprego. Agora, o rapaz passa horas na rua porque o ambiente familiar, de fato, incomoda.
A "famosinha" M. T. (12 anos) possui mais de 2.000 seguidores numa rede social e nunca repetiu o “visu” nas fotos da sua fanpage. Este ano, ela ainda não foi às compras com a mãe porque as prestações da moto estão atrasadas. A mãe dela usa a moto para vender produ…

AQUELES CARNAVAIS >> Whisner Fraga

Até os bailes de carnaval eram uma certa novidade para mim, mais afeito às matinês do Ituiutaba Clube. Ou nem isso, já que não me adaptara aos passos complexos do samba. A meu favor, é bom esclarecer que o ritmo me agrada demais e o problema é, como já adiantei, o requebrar, o saltitar e as combinações geralmente intrincadas de passos e saracoteios. De maneira que, de um modo geral, eu ia às noites de folia para observar as moças gingando os corpos num desespero de véspera de fim-de-mundo. Então, eu me encostava no parapeito do mezanino e ficava enraizado por ali a madrugada inteira. Ia embora a pé lá pelas cinco ou seis da manhã, pensando no sem-sentido que fora a noite.

Daí que encontrei um amigo por lá. E ele levava uma garrafa intocada de Ballantine’s 12 anos. Em certo momento, de tanto secar o uísque, ele me oferece um gole. O bálsamo impregnou minhas narinas como nenhum outro cheiro até aquele dia. Eu não sabia que era possível me envolver tão profundamente com um perfume assim …

NÃO É UM CONTO DE FADAS >> Zoraya Cesar

Marcolina queria casar. 
Também queria trocar de nome, mas os cartórios não aceitavam a tese do constrangimento causado pela junção dos nomes paternos, Marcos e Amaralina. 
Se não dava para trocar o nome, pelo menos trocasse de estado civil, pois que Deus a livrasse de ficar pra escanteio, como a madrinha, Tia Vespúcia. 
Solteirona convicta, amarga e terrível, possuidora de um buço escuro e espesso, Tia Vespúcia era a mais velha da família, e rica, muito rica. Batizou, pois, a menina, vaticinando que Marcolina, assim como ela, seria infensa à lábia dos homens, esses tentadores do demônio. E praga de madrinha, vocês sabem...
Marcolina não tinha a mínima intenção de morrer invicta ou solteirona e tentava fugir de seu destino como o Diabo da Cruz. Namorava a torto e a direito, mais a torto que a direito, pois só arranjava traste. 
O primeiro namorado era tão sovina, que sempre dividia o prato e a cerveja - mas não a conta, que ficava para ela pagar. Pouco tempo depois, Marcolina soube q…

RUMINAÇÃO SOBRE O QUE TODOS SABEM
>> Carla Dias >>

Que o mundo anda menor do que nunca, já sabemos. Os links ao vivo nos telejornais, quando lá é dia e aqui é noite. Quando lá neva e aqui é aquele sol na moleira. Anda menor ao visitarmos os amigos em Paris do centro da nossa sala de estar. E se antes não conhecíamos a família toda, porque muitos são de outras cidades, agora é possível.

Não somente na comunicação a tecnologia tem nos oferecido mais do que imaginaríamos há um par de décadas. Em todos os setores ela faz a sua mágica. A medicina tem se beneficiado muito das ferramentas tecnológicas. Em todos os setores, ela faz diferença na construção de um negócio vindouro.

A grande questão é que por trás da tecnologia estão as pessoas. No caso delas, as perguntas parecem mais simples quando se busca o entendimento com sua essência. Na tecnologia, o conhecimento conduz ao resultado. Na humanidade, mergulha-se em um mar de complexidades.

As questões sobre o ser humano soam simples, mas não o são. Lembro-me de um amigo que chegava a um gru…

MARCELA, CUIDADO!! >> Clara Braga

“Atenção, hipocondríacos: Google lança busca simplificada sobre doenças.” Essa é a chamada da matéria de um jornal que eu estava lendo hoje. Na falta de uma exclamação ou de três pontinhos ao final da frase, não entendi se a notícia era boa ou ruim, mas pelo visto vou ter um tempo para refletir sobre, já que a notícia só vale para os EUA, ainda não chegou no google brasil.
Confesso que a chamada me intrigou, o que seria uma busca simplificada sobre doenças? Laudos médicos via google? Você coloca os sintomas e ele te diz o que você tem. Ou então o contrário, você pesquisa o que acha que tem, o google te da os sintomas e você chega a conclusão se é isso mesmo ou não? Pelo que eu li está mais para a segunda opção, e ainda assim não consigo ter uma opinião sobre se isso é interessante ou não.
Me lembro do caso de uma amiga, que um dia veio falar comigo super preocupada pois sua filha de dois anos tinha tomado um iogurte que estava vencido há dois dias. Achando que o fato dela estar quase…

VADE RETRO I >> Albir José Inácio da Silva

Era uma reunião comum na sala grande da fazenda, família numerosa, fazendeiro bravo, filhas virgens protegidas por winchesters e um único filho, obviamente destinado a desfrutar das filhas dos vizinhos que desavisadamente diminuíssem a vigilância.
Seu Rufino repetia, no seu jeito calmo, batendo os dedos na mesa pra marcar as pausas:
- Nesta família, o que não for mulher, é macho. Ou então defunto!
Podia ser uma reunião tranqüila, mas o tema desafinava: Genildo, o filho adolescente, sabe-se lá por quê, não vinha cumprindo com o que dele era esperado pelo pai, pela família e até pelas filhas dos desavisados.
O menino cresceu em meio às assombrações e aos sustos que lhe podiam inculcar. Mas no momento certo foi desacreditando de Papai Noel e demais bobagens da infância. Só ficou um: o medo da danação eterna por causa dos pecados da carne. Não conseguia se livrar dos maus pensamentos nem das mãos pecaminosas. Sofria com as admoestações do Padre Antônio e se aferrava ao bom comportamento…

O VELHO E O SULTÃO >> Sergio Geia

Todos os dias eu o vejo. Velho, cabeça baixa, magro como um doente, a cara tomada de barba. Carrega uma bolsa na mão, às vezes no ombro. Não sei o que tem nela. Talvez alimentos. Blusa. Bugigangas. Uma vez vi que sacou uma garrafa d’água. Bebeu. Depois jogou a água na boca do vira-lata.
Tem o costume de sentar-se no banco e pôr seu companheiro no colo. Fica ali. Acarinhando. Olhando o nada. Desconectado de tudo. Das pessoas que passam. Dos carros. Do mundo que pulsa. Mas outro dia vi que não era bem assim. O gorjeio de um bem-te-vi. Logo vi. O bem-te-vi. Ele procurava. Olhava as copas, os galhos, punha a mão na orelha para apurar o som. Depois sorria e voltava para o seu mundo.
Às vezes, andando mesmo, ele colocava a bolsa no ombro e nos braços, o cão. O bicho pesado, bem-alimentado, um carregar com dificuldades. Não sei por que aquilo. A coleira estava lá, enrolada no pescoço. Mas não. Ele pegava o cachorro, tirava-o do chão, e levava-o nos braços. Ia andando, às vezes acarinhando. Há…

NATUREZA VIVA >> Paulo Meireles Barguil

 Natureza viva

Valsa

Desvira

Viça

Natureza, viva...

Lira

Desfira

Lança

Natureza, viva!

Diva

Delira

Dança

[Passeio ao crepúsculo - 1889/1890. Vincent Van Gogh - 1853-1890]

[Foto de minha autoria. Janeiro/2015]

Bem-vindo a um dia de TPM

Ai-meu-Deus, como eu tô inchada. Não, é gordura mesmo, quem mandou comer tanto chocolate em um dia só. Agora, o próximo passo é ficar com a pele oleosa e com espinha. Na verdade, acho que estou sentindo uma nascer agora mesmo aqui no queixo. Já que é assim vou comer mais um bombom, está tão gostoso. Amanhã eu compenso tudo na academia e como só salada. Tudo volta ao normal.
Não, não voltei ao normal. O inchaço dobrou. Vou nadar. Não vou comer nada gordo hoje. Nadei demais, que cansaço. Como vou arrumar energia pra trabalhar? Vou no automático, vamos ver o que acontece. Aquele dia em que você não acha graça em nada, não sente o sabor de nada. Se eu tivesse direito a um dia de saco cheio no mês, seria hoje. Tiraria o dia pra ficar em casa, fazendo nada.
Ai, e esse cachorro abandonado, coitadinho. Com esse calor, deve estar morrendo de sede. Olhos marejados só de ver o cachorro. Olhos marejados por ver a situação da seca. Ódio mortal de quem gasta água sem pensar no futuro (quer dizer, pre…

QUE HAJA SEMPRE PALAVRA LEMBRADA NO SEU QUINTAL >> Carla Dias >>

Tem aquela palavra da qual se esqueceu, e o esquecimento atormenta a pessoa até a madrugada. Vez e outra, durante dias inteiros. A atormentação dá-se de maneira ilibada, que não há quem doe palavra que caiba precisamente nessa necessidade de se lembrar da esquecida.

Às vezes, a cabeça gira, apinhada de pensamentos tantos. Não há meditação ou chá calmante que sossegue esse burburinho interior. E em meio a isso tudo, aquele vazio prevalece, feito lugar certo à espera do encaixe da palavra que lhe cabe. A palavra cara-metade, que provisoriamente está de caso com o esquecimento.

Já esqueceu fogo de fogão ligado, de encontro marcado com antecedência, do ascendente e de onde descende. Até de tomar café da manhã, almoçar e jantar, de responder e-mail, pergunta e desaforo. Houve quando se esqueceu – mas desta vez de propósito – de receber ofensa travestida de elogio. Luz acesa, etiqueta na roupa, pagar visita.

Porém, nenhum esquecimento lhe confunde e destrata feito o da palavra, que ainda q…

VOU ALI E JÁ VOLTO >> Clara Braga

Esses dias estava lendo uma matéria de um desses blogueiros que tem fama de não terem muita paciência e fazem críticas e reclamações em vídeos que são postados em seus blogs. O tal blogueiro recebeu um desafio: ficar uma semana sem reclamar! Se isso já é difícil para quem tem paciência, imagina para quem não tem.
Na matéria ele relata a dificuldade e as conclusões que acabou tendo, sendo uma delas a percepção de que reclamar é algo que vira costume, e de tanto fazer, ele percebia que muitas vezes reclamava por antecipação de uma situação que nem chegava a acontecer. Acabou percebendo quanto tempo já passou reclamando de coisas que não eram necessárias e relata que acabou se sentindo meio ridículo em algumas situações.
Logo depois de ler essa matéria, continuei dando uma olhada em outras notícias e vi pessoas reclamando muito de um vídeo feito por dois norte americanos que, de maneira cômica, criticavam algumas atitudes de brasileiros quando visitam os parques de Orlando. No vídeo ele…

A CRISE DA ÁGUA E A OSTENTAÇÃO DA BURRICE >> André Ferrer

Superpopulosa, a cidade de Los Angeles cruza a maior crise hídrica da sua história. Ainda na metade do século passado, a administração pública submetia a população a frequentes racionamentos porque o abastecimento de água tornava-se, a cada ano, insuficiente. Então, o prefeito imaginou uma solução: a água poderia chegar à cidade vinda do Owens Valley. O problema era que um aqueduto só seria construído à custa de muito conflito entre políticos, agricultores e ambientalistas.
O parágrafo acima é atual ou está mais para um argumento de filme apocalíptico ambientado num futuro próximo? Embora o texto se encaixe perfeitamente nas duas classificações, trata-se de um enredo que, além de verídico, é bastante antigo.
As chamadas “Guerras da Água na Califórnia” tiveram início no final do século XIX e não terminaram em 1913 quando o tal aqueduto entre Owens Valley e Los Angeles foi inaugurado. Ainda na década de 1920, os agricultores de Owens Valley tentaram destruir o aqueduto que já exauria as …

FLASHBACK >> Whisner Fraga

Há um ditado que diz que “reviver o passado é sofrer duas vezes”. Quem criou esse clichê devia estar com uma insanável dor-de-cotovelo. Porque há várias situações em que rememorar o passado pode ser muito divertido. Nem vou falar da aprendizagem, porque a crônica não é pedagógica, mas existe esse fator aí também, que é considerado, por alguns, algo positivo. Sabemos que o tempo que já se foi pode se tornar um negócio complicado, dependendo da situação, só que não quero ser tão pessimista assim.

Toda vez que viajo para ver minha família, no Triângulo Mineiro, quando nos reunimos para o churrasco, o que mais fazemos é nos lembrar do passado. E contamos uma mesma história mais uma vez. Por “mesma história”, entendam que ela não muda com o passar dos anos e que todos a conhecem de cor. Só que o egocentrismo, a cerveja e o ambiente deixam os causos mais interessantes a cada visita. Uma dessas fábulas não pode ficar jamais de fora e sempre me agrada particularmente, de forma que vou relatá-…