terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

VOU ALI E JÁ VOLTO >> Clara Braga

Esses dias estava lendo uma matéria de um desses blogueiros que tem fama de não terem muita paciência e fazem críticas e reclamações em vídeos que são postados em seus blogs. O tal blogueiro recebeu um desafio: ficar uma semana sem reclamar! Se isso já é difícil para quem tem paciência, imagina para quem não tem.

Na matéria ele relata a dificuldade e as conclusões que acabou tendo, sendo uma delas a percepção de que reclamar é algo que vira costume, e de tanto fazer, ele percebia que muitas vezes reclamava por antecipação de uma situação que nem chegava a acontecer. Acabou percebendo quanto tempo já passou reclamando de coisas que não eram necessárias e relata que acabou se sentindo meio ridículo em algumas situações.

Logo depois de ler essa matéria, continuei dando uma olhada em outras notícias e vi pessoas reclamando muito de um vídeo feito por dois norte americanos que, de maneira cômica, criticavam algumas atitudes de brasileiros quando visitam os parques de Orlando. No vídeo eles adotam uma postura bem caricata para dizer que brasileiros furam filas, são muito barulhentos, só usam roupas chamativas e vão para os Estados Unidos sem saber falar inglês. Alguns brasileiros que estavam no parque enquanto o vídeo era produzido aparecem cantando: “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. De fato, algumas das criticas nem chegam a fazer muito sentido, mas confesso que não consegui me sentir ofendida com o vídeo, achei que tudo não passou de uma tentativa de uma brincadeira de duas pessoas que, no final, nem conseguiram ser tão engraçadas quanto pretendiam. Mas uma coisa que ainda me chama a atenção é o fato de ouvirmos tanto a tal da música do orgulho de ser brasileiro quando estamos no exterior, e ouvirmos tanto a frase: isso só acontece no brasil, se fosse nos EUA não aconteceria, quando estamos em solos brasileiros.

Enfim, segui com o meu momento de notícias e me deparei com mais pessoas reclamando e criticando os pais da pequena menina fitness que vai para a academia fazer exercícios lúdicos de coordenação motora acompanhada da mãe e do pai que, pasmem, é formado em educação física, trabalha como personal e tem plena consciência do que está fazendo. Sim, alguns vão dizer, mas o problema não é a menina ter 9 anos e gostar de academia, (o que eu concordo que é caso de pesquisa científica, pra mim não existe coisa mais monótona do que academia, mas se a menina gosta, quem sou eu para criticar?) o problema é a exposição exagerada da imagem dessa criança de apenas 9 anos que está perdendo sua infância preocupada em ganhar likes no facebook. E não estamos todos? Posso estar errada, mas tenho quase certeza que o índice de pessoas na fase adulta com depressão aumentou mais do que o índice de depressão em pessoas com menos de 10 anos de idade, seria isso apenas coincidência?

Acho que estamos todos precisando tirar uns dias para não reclamar, inclusive vi que muitos seguidores do blog adotaram essa prática. Podíamos expandir a ideia e aproveitar o silêncio das reclamações para sermos mais auto críticos, toda vez que tivermos vontade de criticar alguém, vamos fazer uma crítica para nós mesmo. Inclusive, vocês me dão licença, depois dessa crônica eu vou bem ali refletir um pouco. 



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2 comentários:

fábio Macedo disse...

Bela percepção de algo que acostumamos a fazer. O bom de ler é esse, ganhamos novas perspectivas sobre coisas que nem cogitávamos.

Eric Augusto disse...

Clara, sua crônica relata um assunto que é um dos grandes problemas da convivência em sociedade atual, onde sempre que fazemos algo independente se esta certo ou errado, sempre tem aquelas pessoas que tentam prejudicar com comentários apontando falhas, erros que muitas das vezes não existem. Por causa da crítica ter se transformado em uma rotina, infelizmente as cometemos sem amenos perceber e isso tem que ser repensado, o ideal seria como você já disse sermos mais autocríticos, fazermos uma análise de nossos atos, da maneira de agir, dos erros cometidos e realizar uma autocorreção.