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Mostrando postagens de Maio, 2015

DIÁRIO DE UM CANAL >> Sergio Geia

Não, meu querido, eu não vou falar pra você do canal que separa a ilha da Grã-Bretanha do norte da França, mais conhecido pelos franceses como La Manche, ou, pelos alemães, como Der Ärmelkanal, ou English Channel pelos ingleses, ou ainda Canal da Mancha, no bom e velho português. Isso não vai ser uma aula de história, e eu não sou o Laurentino Gomes. O que me traz aqui é algo mais interessante. Eu vou falar de uma coisa factível, muito mais comum, e muito mais presente. Se fosse você, não tiraria os olhos daqui, mesmo o assunto não sendo, digamos, palatável. Vai que isso acontece com você, hein? Mas vou de diário, fique tranquilo. Como um bom uísque, a coisa desce macio. Falemos sobre dor de dente.
Domingo, 04:23 a.m. Acordo com o dente latejando. Parece que tem alguém, em intervalos regulares, enfiando uma faca nele. Não consigo dormir. Vou até a cozinha e mando 40 gotas de Lisador pra dentro. Fico pensando que merda é essa. 10:30 a.m. Sem dormir desde então, sou recebido com genuína …

REINICIAR >> Paulo Meireles Barguil

A fila no caixa do supermercado não andava. Corpos se balançavam para descobrir, lá na frente, o motivo do engarrafamento dos carrinhos repletos de frutas e verduras. — O sistema travou. Vai ter que reiniciar — foi o que me disse o senhor que estava na minha frente. E ele continuou: — Essa tecnologia é boa, mas quando nos deixa na mão... Eu repliquei: — É verdade, mas ela tem crédito. Não houve tréplica. Resolvi, então, continuar a conversa comigo mesmo, no modo silencioso e sem vibração... Em inúmeras situações, no cotidiano, o fluxo é interrompido. Às vezes, a ocasião é singela e rapidamente o cenário anterior é retomado, com poucas ou nenhuma alteração – interna ou externa. Outras vezes, contudo, a circunstância é mais complexa e o reinício demora muito mais do que o desejado. Nesses casos, de modo geral, é necessário estabelecer uma nova configuração, em virtude da irreparabilidade da cena. Não basta, portanto, substituir o que se acredita que causou a pane, mas compreender a din…

O LEITE COMEÇOU A ESQUENTAR >> Mariana Scherma

Eu tenho um chinelo que existe desde, sei lá, 1997. É antigo, pesado e confesso que não aguentava mais usá-lo, mas ele não deteriorava jamais. Torcia para que as tiras arrebentassem, rezava para que o solado se tornasse perigosamente escorregadio, mas nada. O fato de esse chinelo ficar na casa dos meus pais e eu só usá-lo em um ou outro final de semana é o segredo da longevidade dele, de certo. Eu meio que já tinha aceitado que ele fosse eterno, apesar de todas as minhas preces. Minha implicância se deve ao fato de ter ganhado chinelos tão lindos, mas, com a minha mania de usar tudo até a última gota, me sentia meio traidora andando pra lá e pra cá com novos chinelos e os antigos, chateados. A culpa do peso deles era do fabricante, ué. E eles eram fiéis, me acompanharam da fase adolescente à adulta.
Até que um dia desses, eu entrei em férias e passaria a usá-los todo dia. Passaria. A primeira parada dos chinelos velhos foi a biblioteca da cidade. Entrei na biblioteca e tropecei feio, v…

O DIFERENTE >> Carla Dias >>

Sempre foi uma pessoa lógica e organizada com as coisas da vida. Até sentimento incômodo tem sua gavetinha certa onde ser arquivado, um espaço dentro dele que lhe garante deter os obstáculos provocados pelo arrebatamento oriundo das emoções.

Considera-se pessoa normal, com uma vida decente, que lida de forma eficaz com o pouco dinheiro que ganha. Um sobrevivente de uma realidade nada enfeitada. Gaba-se de ser capaz de enxergar o óbvio sem fantasiar a respeito dele, somente para deixá-lo mais palatável.

Uma das coisas que o incomodam profundamente é quando uma pessoa diz que acordou diferente. Ele não consegue entender isso. Diferente como? Diferente por quê? A resposta nunca o convence, ao contrário, faz com que desacredite com mais vigor tal declaração.

Não pensem que ele é rígido a tal ponto de nunca se permitir refletir sobre o que difere do seu pensamento, da sua crença. Ainda semana passada, ele foi com um dos colegas de trabalho a uma cartomante. Ele não tem amigos. Acredita qu…

AS COISAS PODEM COEXISTIR >> Clara Braga

Quando a fotografia foi descoberta, alguns disseram que a pintura iria morrer, fotografia e pintura jamais habitariam o mesmo espaço.
Quando surgiram os CD's, juravam que ninguém nunca mais iria ouvir falar no disco de vinil, no entanto, ele não poderia estar mais na moda!
Quando surgiram os aparelhos de mp3, foi a vez do CD morrer! Diminuiu a venda? Claro, isso ninguém pode negar, mas só quem viveu a fase de ouro do CD sabe a delícia que é sentar na frente do som e acompanhar as músicas lendo as letras no encarte! O CD daquela banda que você ama, ainda merece ser comprado! Nada de abrir a letra na internet, ler a primeira frase, responder a mensagem no facebook, pesquisar sobre a banda no google, descobrir que eles já tocaram junto com outra banda que você nunca tinha ouvido falar, abrir um vídeo dessa nova banda no youtube, e quando você menos perceber já está comprando o CD virtual dessa nova banda que acabou de conhecer e escutando suas músicas sem ter chegado nem na metade d…

DAIQUIRIS E MOJITOS >> Sergio Geia

Perguntei como ele estava depois da bebedeira noite passada. Era um amigo não muito acostumado ao álcool. Até me surpreendi quando ele aceitou tomar umas. Em resposta, disse-me que acordou de madrugada com dor de cabeça e azia, ao que indaguei se o mal não teria sido em razão dos espetinhos que ele devorou no fim da noite. É... Pode ser...
Mas a conversa banal me arrastou para o campo das bebidas. Coisa de quem não tem o que fazer, sabe, numa noite fria de domingo. Resolvi até anotar tudo num papelzinho. Quem sabe um dia não vira crônica, hein?
Cerveja/chope: sabe que desde muito cedo aprendi a gostar. Coisa de família. Venho de uma que bebe pra diabo, e que sempre se reunia pra bater papo, rir, comer e principalmente beber, é claro. Lembro-me de uma vez, não sei quantos anos tinha, em que enchi a cara de cerveja, presunto e abacaxi. Bebi tanto que saí falando castelhano. Mas prefiro chope. Bem tirado, gelado, três dedos de espuma.
Vinho: veio depois da cerveja. Confesso que demorei pra …

UM ESTRANHO CAFÉ >> Zoraya Cesar

A cena era insólita: uma velha senhora, bem vestida de preto da cabeça aos pés, caminhava serenamente pela calçada. A hora? Três da madrugada. Onde? Por ruas onde bares e inferninhos estranhos recebiam gente esquisita. 
Ela parou frente a um portão verde, acima do qual um letreiro de neon enfraquecido pelo uso anunciava o nome da espelunca: ”Café de los Olvidados”. Ela empurrou a porta e entrou. 
No salão, homens e mulheres dos mais diversos tipos se espalhavam pelo ambiente – travestis, alcagüetes, policiais, bandidos, caçadores de recompensas, aventureiros, jogadores profissionais e outros, inclassificáveis pelos padrões comuns: espécimes soturnos, muitos de aparência sinistra, gente que há muito não via a luz do dia. No ar, um cheiro de suor, cigarro, bebida, crueldade, medo, coragem, sombras e segredos inconfessáveis – cheiro de humanidade. 
Alguns dos presentes levantaram a cabeça ou interromperam o que estavam fazendo. Analisaram a figura da velha senhora, um decalque saído diretam…

NÃO SE TORNOU UM ASTRONAUTA >> Carla Dias >>

Tinha tudo planejado. Desde muito antes de agora, devidamente planejado.

Hoje mesmo, riscou de sua lista a visita ao pai, morador na casa de seu tio, figura de humor refinado e afiado, que o fez gargalhar muitas vezes nesta vida. Só que o fez chorar ainda mais, miúdo, escondido debaixo da cama, desejando sumir do planeta, nos dias em que o humor se ausentava para que a violência se aprumasse, e o pai pudesse cobrar de sua companheira de vida - a mãe do menino debaixo da cama -, o que não cabia a ela resolver.

Beija a face flácida do pai de humor ácido, imperando com seu olhar altivo e incapaz de enxergar muito mais do que o suficiente para se guiar entre as camas de seus companheiros de viagem em quarto coletivo. O irmão mais velho o chamou de filho ordinariamente desnaturado, que onde já se viu deixar o pai viver seus últimos anos de vida em um lugar feito aquele. Lugar em que o irmão, filho de casamento prévio, de mãe zelosa e afetuosa, nunca esteve. Ele que ganhou pai postiço que o…

O MONÓLITO - final >> Albir José Inácio da Silva

(Continuação de 04 de maio de 2015)
O Professor, único intelectual presente, obteve a palavra de volta, em meio ao tumulto que ameaçava se formar. Acreditava que o obelisco fosse um artefato trazido por extraterrestres. Precisava de mais estudos para determinar a origem, a finalidade e a razão de tão estranha forma.
O Padre, quando conseguiu falar, esbravejava. Era castigo dos céus! Só ele e Deus sabiam das barbaridades que escutava no confessionário! Que se lembrassem de Sodoma e Gomorra! Era chegada a hora! O final dos tempos! O apocalipse!
A beata Santinha, abanando-se, pois começara a sentir muito calor desde essa manhã, não acreditava em castigo. Aquilo era tentação do Demônio pra fazer a gente pensar besteira. Pra levar a gente pro inferno.
O Coronel pediu silêncio de novo e quis saber que providências já tinham sido tomadas. O Prefeito informou que mandara o trator, mas as rodas giraram sozinhas e o bicho não se mexeu um dedo do lugar. As bananas de dinamite fizeram buracos em volt…

O QUE QUER QUE EU FAÇA >> Eduardo Loureiro Jr.

As pessoas ficam com raiva de mim porque eu não faço o que elas querem que eu faça. E eu as compreendo. Eu também faço a mesma coisa. Eu também fico com raiva de mim porque não faço as coisas que eu mesmo quero que eu faça.

Fico com raiva de mim porque não acordo às 5 da manhã. Eu gostaria que eu mesmo saísse de casa ainda no escuro, fosse até a praia e observasse o nascer do sol. Eu tenho raiva de acordar muito depois de o sol ter nascido e de não ter coragem nem de sair da rede. Tenho raiva de ficar me espreguiçando. Tenho raiva daquele pensamento quase diário: "Mais um dia? Que saco!"

Tenho raiva de mim porque não medito ainda de manhã, antes de qualquer trabalho ou contato social. Sei que é bom para mim, sei que me trará um dia mais positivo, mas não faço. Prefiro ligar logo o computador ou o celular.

Tenho raiva por não cozinhar algo mais saudável para almoçar. É sempre o mesmo macarrão com molho de tomate, creme de leite, atum, orégano e alcaparras. Eu poderia aprender…

ATÉ QUANDO? >> Sergio Geia

No meio de arbustos, flores e capins da simpática pracinha, eis que me surge à visão nada mais nada menos que ele. A ficha caiu quando me deparei com a sua silhueta: poxa, faz tempo, hein? Tudo bem que ele está diferente depois do banho de loja: não tem mais aquele logotipo azul da Telesp, nem a cor alaranjada dos tempos em que a Banda de Ipanema era apenas um bloquinho liderado pelo pessoal de “O Pasquim”, mas na essência é ele: a mesma orelha bojuda, a mesma cintura, a mesma perna esguia, o mesmo folião de sempre. Só que muito menos requisitado, isso sim, pela moçada pós-moderna chegada num celularzinho.

Nem sei ainda como ele não se abraçou às remingtons, vinis, leiteiros, limpadores de chaminés, e tudo o mais que foi comido pela modernidade, pra tomar a Sapucaí num demodê desfile de escola de samba de fazer inveja às Tijucas, Portelas e Salgueiros da vida. Aliás, no quesito vinil, tenho uma coleção aqui em casa e, diferente de muita gente, não me desfaço dela por nada. Ainda acho…

20 MINUTOS >> Paulo Meireles Barguil


A depender da situação, 20 minutos podem ser muito ou pouco tempo. Se o que você está fazendo é legal, 20 minutos são uma brisa: suave e fugaz. Quando você começa a desfrutar o evento, ele acaba. Se, todavia, a atividade não lhe é prazerosa, 20 minutos são um tornado: violento e demorado. Você tenta de tudo para apressar o fenômeno, mas ele parece que irá durar para sempre.
Em 20 minutos, dá para dançar com alguém (ou sozinho mesmo!), tomar banho de piscina ou de cachoeira, ouvir algumas músicas preferidas, tomar sorvete com 3 bolas e cobertura, conversar com quem se gosta, andar de bicicleta, ler algumas páginas de um livro, passear na beira do mar, assistir trechos de um filme...

Cada pessoa tem um relógio, que funciona de acordo com lembranças – inclusive, e principalmente, as esquecidas! – e sonhos.

Nessa perspectiva, uma pessoa é um portal, que liga, sem cessar, o passado ao futuro.
Desconfio que, na verdade, nem existe passado e futuro, mas um eterno presente...
O que você f…

UMA BELA VISTA DA CIDADE >> Carla Dias >>

Uma bela vista da cidade anda cada vez mais rara. Para ele, vista é importante, que nunca entendeu essa de olhar pela janela e assistir à vida do outro, sem autorização do próprio.

Enquanto viaja por vinte andares, até chegar ao do trabalho, é obrigado a saber da vida alheia de várias formas: o ascensorista atualizando as secretárias sobre as gafes dos patrões, as secretárias desvelando intimidades em conversas pelo telefone, os silenciosos que são ótimos em demonstrar, fisicamente, se a mensagem que receberam trazia boa ou má notícia.

Ele, particularmente, sente-se exaurido pela competência tecnológica em ampliar as formas de as pessoas estabelecerem uma conexão entre si, quase sempre fragilizada ou iludida. Porque ele não entende o ascensorista mandar mensagem de voz para a secretária cinco segundos depois de ela sair do elevador, somente para dizer que esqueceu um detalhe importante sobre o Sr. Advogado que deu o maior fora em pleno fórum. O ascensorista esqueceu nada, ele tem cer…

NÃO É MESMO? >> Clara Braga

Na era do politicamente correto, existe muito mais onde não estamos observando direito ou estamos observando demais coisas que não existem? Em época de pau de selfies, não é estranho termos que trabalhar tanto a auto estima e a auto imagem das pessoas? No período em que a lei do silêncio se torna cada vez mais rígida, não é irônico que as pessoas gritem tanto umas com as outras? Ser pontual é chegar 10 minutos atrasado. O melhor parceiro é aquele confiável, mas ninguém confia na própria sombra. Admiramos quem sabe reconhecer seus próprios erros, e quando encontramos alguém assim, culpamos logo ele por tudo! Projetamos um futuro melhor, vivemos uma eterna nostalgia com nosso passado, e enquanto isso o presente vai só passando. Ser feliz virou segunda prioridade, o que vale mesmo é ganhar dinheiro. Crianças nascem por descuido o tempo todo, mas tudo bem, a função de educar é da escola mesmo! Está se sentindo fraco? Virose! Não sorriu quando passou por você, é grosso! Sorriu para você, …

UM TIRO NO ESCURO >> Whisner Fraga

- Quem atirou em quem? – provoco minha mãe.

- Uai, foi você que atirou no seu irmão. – ela responde, convicta.

Isso aconteceu nos anos 1980, bem no começo. Naquela época era tudo meio inconsequente. Meu pai havia nos presenteado com uma espingarda de pressão. Com que cargas d’água alguém teria a brilhante ideia de dar uma arma para duas crianças? Pois é, isso era normal. Como era normal também passearmos pela cidade em um Fusca, todos sem cinto de segurança e felizes como nunca. Tínhamos a impressão de que tudo era meio permitido, mas lógico, dentro de parâmetros mais ou menos razoáveis, que levavam em conta o respeito ao próximo e o amor incondicional à família.

Mas vejam bem: ninguém ia ao Ministério Público denunciar uma marca de chocolates que fabricava um produto para infantes que nada mais era do que um cigarro comestível. E ainda por cima a caixinha da mercadoria ostentava um moleque negro com um dos cilindros entre os dedos, numa pose de fumante.

Era tudo meio maluco. Eu acomp…

ALGUMAS LEMBRANÇAS MAIS >> Sergio Geia

A junção da panturrilha com a parte posterior da coxa, o olhar fixo num ponto qualquer, o equilíbrio perfeito sem qualquer espécie de apoio, o movimento suave de inspiração e expiração. O ásana facilmente poderia me levar às lembranças dos bons tempos em que a yoga representava uma dimensão importante da minha vida. Mas me distraí um pouco no vento, no céu carrancudo, na chuva que se formava, e a imagem saudosa que me tomou foi outra.
Estávamos no Bar da Ponte, tomando cerveja, comendo peixe. O mesmo vento, o mesmo céu carrancudo, a mesma chuva. Meu pai, meu tio, alguns amigos. Era um domingo de manhã. O Bar da Ponte fica às margens do Paraíba, em Tremembé. O peixe era uma traíra espetacular. Lembro-me que à tarde tinha jogo do Taubaté. Naquele tempo tudo era muito diferente.
Na verdade, eu tinha uma visão diferente das coisas: a visão de uma criança. Talvez o mundo captado pelas minhas lentes não fosse o mundo real. Era um mundo bonito, simples, que tinha como coisa mais importante ti…

O MARIDÃO, A QUARENTONA E O ROCK STAR >> Zoraya Cesar

Quando ela fez 40 anos, olhou para sua vida e nada viu de promissor. Durante a madrugada de seu aniversário trancou-se no banheiro e convidou o Espelho para uma conversa dura, mas inescapável.  
Um espelho, como vocês sabem, é dotado de certas peculiaridades, entre elas, a de conviver intimamente com a Verdade. Que foi, portanto, na qualidade de amiga inseparável, chamada a participar da conversa. O Espelho mostrou à Quarentona um corpo ainda bonito e desejável, mas um rosto de olhos baços e desesperançados. A Verdade disse-lhe que entrara na fase dos ‘enta’ – quarenta, cinqüenta, sessenta... a fronteira final – e que metade de sua vida já passara, como pretendia viver a outra? 
A Quarentona levou um choque, nunca olhara para o futuro daquele jeito: era o resto de sua vida! Passara os últimos 20 anos de sua existência em um casamento vazio, por comodismo, com um homem que não amava e que nunca a valorizara.  Ao contrário, sempre dava um jeito sutil de fazê-la sentir-se medíocre, infe…

LUZ ACESA OU APAGADA? >> Carla Dias >>

As séries mais realistas – principalmente sobre serial killers e psicopatas em geral - são as que mais me assustam. Apesar de serem ficção, essas séries apontam para os monstros que existem por aí, disfarçados de cidadãos exemplares, figuras de bondade incontestável. Em alguns casos, a ficção alardeia a possível realidade.

Pessoalmente, eu morro de medo de livros, filmes e séries sobrenaturais. Mas nem pensem que o gênero me desagrada. Porém, não aprecio o sobrenatural abordado no escancaro do humor rasgado ou do provocar o medo por meio de cenas clichês, mas que sempre dão certo. Para me botar medo, é preciso que a história seja muito bem contada, com interpretação das boas, e havendo clichês (quase impossível evitá-los!), que eles sejam apresentados de uma forma bem convincente.

Hoje eu falo sobre a minha percepção a respeito de duas séries com elementos sobrenaturais, diretamente ligadas à literatura, que me apetecem e me botam medo também.

PENNY DREADFUL


Criada por John Logan - ro…

MELHOR PARAR POR AQUI >> Clara Braga

Entrei em uma rede social e vi as pessoas revoltadas com alguma coisa relaciona à Gisele Bundchen, não consegui entender direito o que era, a última notícia que eu consegui acompanhar tinha sido a da sua aposentadoria, mas algo me diz que não era com isso que as pessoas estavam indignadas.
Outro dia entrei de novo e desta vez as pessoas estavam muito indignadas com a Kate Middleton, que apareceu de salto, maquiada, linda e maravilhosa no meio da rua só 6h depois de dar a luz. De fato, no meio da rua com um recém nascido Kate? Pesado… Mas daí para ter tempo de criar uma teoria da conspiração dizendo que ela nunca esteve nem grávida, que usava barriga falsa, que aquela criança não havia nascido de fato aquele dia, resumindo, que é tudo mentira, aí já ficou difícil acompanhar!
Já outro dia entrei novamente e me deparei com mais revoltas, reclamações, indignações e etc. Algumas muito justas, como as mobilizações em apoio ao massacre dos professores e a denuncia do racismo sofrido por uma…