Pular para o conteúdo principal

AS COISAS PODEM COEXISTIR >> Clara Braga

Quando a fotografia foi descoberta, alguns disseram que a pintura iria morrer, fotografia e pintura jamais habitariam o mesmo espaço.

Quando surgiram os CD's, juravam que ninguém nunca mais iria ouvir falar no disco de vinil, no entanto, ele não poderia estar mais na moda!

Quando surgiram os aparelhos de mp3, foi a vez do CD morrer! Diminuiu a venda? Claro, isso ninguém pode negar, mas só quem viveu a fase de ouro do CD sabe a delícia que é sentar na frente do som e acompanhar as músicas lendo as letras no encarte! O CD daquela banda que você ama, ainda merece ser comprado! Nada de abrir a letra na internet, ler a primeira frase, responder a mensagem no facebook, pesquisar sobre a banda no google, descobrir que eles já tocaram junto com outra banda que você nunca tinha ouvido falar, abrir um vídeo dessa nova banda no youtube, e quando você menos perceber já está comprando o CD virtual dessa nova banda que acabou de conhecer e escutando suas músicas sem ter chegado nem na metade do CD da primeira banda.

Os ipads e kobos da vida mataram os livros, mas as livrarias que eu frequento estão sempre cheias deles! Confesso que também leio livros no ipad, não tanto quanto leio livros impressos, afinal, a forma digital só vai me ganhar 100% quando conseguir imitar a textura da folha, o cheirinho de livro novo e não der dor de cabeça depois de um bom tempo lendo. Ah, e quando não acabar a bateria na melhor parte do livro!

O netflix iria matar o cinema! Ninguém pode negar que o netflix é uma das melhores invenções de todos os tempos, além de ser uma opção maravilhosa diante dos preços exorbitantes de um ingresso, mas vai dizer que vc não vai ao cinema assistir àquele filme que está esperando estrear tem quase um ano?

Elvis morreu, o rock não!

Autorretrato virou selfie, mas a rainha do selfie ainda é a Frida, não a Kim Kardashian.

Enfim, o que tem que morrer de uma vez por todas é a nossa mania de matar tudo! As coisas podem coexistir! Aliás, as coisas coexistem! Eu não quero ter que escolher entre comprar um CD físico ou um CD virtual, eu quero comprar o virtual daquela banda que acabei de conhecer, que eu estou curiosa para ouvir um pouco mais, mas o CD físico da Joss Stone vai sempre encontrar seu lugar na minha prateleira. Quero fazer fotografias e apreciar pinturas, quero acabar uma série inteira em uma semana no netlfix e ficar abraçada com meu namorado no escurinho do cinema no fim de semana, quero folhear as páginas de um livro e ler outros textos interessantíssimos que eu achei na internet no meu ipad. Eu quero aproveitar tudo que tenho direito, sem achar ruim a evolução natural das coisas, mas sem viver eternamente com um ar saudosista, sempre em nostalgia! Alguns tempos podem coexistir!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …