sexta-feira, 1 de maio de 2015

O QUE ACONTECE QUANDO VOCÊ OUVE UM NÃO? >> Paulo Meireles Barguil

 
 
A partir de um sim e milhões de nãos, nascemos.
 
A vida é sempre isso: várias possibilidades, apenas uma escolha.
 
O medo de errar.
 
O medo de acertar.
 
Para que tanto medo, se a natureza, com sua força incomensurável, sempre nos mostra o melhor caminho?
 
O único trajeto que realmente importa é aquele que nos conduz à morada interna, onde nada há para ser procurado.
 
O amor incondicional só pode ser encontrado dentro de nós.
 
Nossos pais nos deram o seu melhor.
 
É verdade: o que eles nos ofereceram foi menos do que gostaríamos.
 
Trazemos, sabendo ou não, as feridas desses acontecimentos.
 
Trazemos, também, habilidades e virtudes.
 
Nenhum ser humano, além de si mesmo, pode nos dar o amor incondicional.
 
Enquanto não compreendermos e aceitarmos isso, vagaremos cada vez mais assustados, mergulhados em relacionamentos e atividades que têm a missão de nos entorpecer...
 
Agora, a amo, pois a outra pessoa me preenche, ou seja, me dá o que eu quero no momento em que desejo.
 
Daqui a pouco, a odeio, pois a outra pessoa me rejeita, ou seja, não me dá o que eu quero no momento em que desejo.
 
O não da outra pessoa cutuca todas as feridas – medos, culpas, vergonhas, tristezas, mentiras, raivas – que carregamos.
 
É mais fácil acreditar que terminar uma relação ou mudar de emprego vai resolver o nosso mal estar, embora, por vezes, isso seja o melhor a fazer.
 
— Livre!!! — bradamos, cheios de confiança, quando acreditamos que a solução foi encontrada.
 
Será?
 
De gangorra em gangorra, aprenderemos a conviver com o céu e o inferno que em nós habita, identificando e tratando as feridas do passado, ao mesmo tempo em que celebrando as belezas do presente.
 
Entenderemos, também, que a outra pessoa está na mesma aventura.
 
Cabe a nós, em cada momento, avaliarmos, sem julgarmos, que pessoas e situações podem ser acolhidas ou evitadas.
 
A responsabilidade da escolha que fazemos é sempre nossa.
 
Não é culpando, conscientemente ou não,  a outra pessoa, do passado ou do presente, que se encontra o nosso equilíbrio.
 
Esse mister é infinito...
 
[Crônica, repleta de gratidão, dedicada a José Pedro e Emília, que deram o seu melhor para que eu encontrasse o divino em que habita em mim]


Partilhar

Nenhum comentário: