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Mostrando postagens de Julho, 2013

NÃO LEIA. VOCÊ NÃO VAI SE INTERESSAR POR MIM
>> Carla Dias >>

Eu era feliz e sabia, e andava à toa pela cidade, só para exercitar os pensamentos. E eles me calavam, que nunca foram de ceder a vez. Tentavam me embriagar do que eu não sabia e quase sempre conseguiam. Era ainda mais fácil em dias de garoa, quando eu caminhava à toa e atenta à líquida poesia.

Banhava-me com tentativas de ser feliz.

Só que ser feliz não é para qualquer um. É para cada um que compreende que a felicidade é uma visita, que chega ao fim de tardes de inverno, ensolaradas e lindas, de um jeito que só cabe à vida inventar.

Eu era inquieta e sabia que sabedoria não nasce quando não a queremos nascida. Experimentava o silêncio como se morasse em uma plataforma de partidas, em uma estação de trem, em lugar nenhum. Esperava as chegadas desconhecidas para reconhecer a mim no feito. Chegavam animadas com os beijos, os abraços e as boas novas. E presentes, planos e sorrisos.

Eu era e quem não seria? Feliz e sabia... Triste e sabia...

Sabia que nem sempre a felicidade seria propri…

SERÁ QUE EU OUVI DIREITO? >> Clara Braga

Nessa última semana ouvi duas coisas que me deixaram perplexa e me fizeram acreditar que não, o mundo não está completamente perdido! Fiquei tão abismada que decidi compartilhar com todos, apesar de imaginar que a maioria também ouviu e muito provavelmente também estão tão surpresos quanto eu!
A primeira delas foi em uma das missas do Papa, que é muito simpático por sinal, gostei ainda mais dele depois que ele disse que ateus que fazem o bem ao próximo também são boas pessoas e praticamente afirmou que os ateus também vão para o céu!!! Gente, isso é lindo! Viva esse Papa maravilhoso que falou algo tão importante, afinal, não importa de que religião você é ou se você não tem religião nenhuma, o que importa é que você seja uma boa pessoa e se preocupe em fazer o bem ao próximo, independente de quem seja esse próximo!
Sei que muitos religiosos podem ter odiado o que ele disse e podem estar me odiando por estar tão feliz com o que foi dito, mas uma coisa que sempre me incomodou dentro da…

ACABA, INVERNO, ACABA! >> Mariana Scherma

Se eu fosse o Super-Homem, meu inimigo mortal seria o frio. Se alguém estivesse precisando da minha ajuda, sei lá, na Antártida, estaria bem ferrado porque só de pensar no lugar, meus superpoderes congelariam. Eu não gosto de odiar qualquer coisa porque odiar é muito negativo, mas o frio, ah, o frio eu odeio, sim. Sou nascida no interior de São Paulo e tenho pais que amavam mais que tudo viajar pra lugares frios. Quando pequena, eu os acompanhava (quem disse que criança tem livre-arbítrio?) e me lembro de uma vez que eles me acordaram às cinco da manhã pra caminhar e sentir o friozinho do inverno da Serra Gaúcha. Acho que foi nesse passeio que virei arqui-inimiga do inverno (mas segui amando meus pais, só pra deixar claro).
Os apaixonados pelo inverno dizem que a estação deixa as pessoas mais elegantes e cheirosas. Pra mim isso é o maior blábláblá. Acho que elegância independe de casaco, dá pra ser bem elegante de saia e regata. E sobre ser mais cheirosa no inverno? Contesto também! O …

MANIFESTO SOBRE INQUIETAÇÕES >> Carla Dias >>

Eu não durmo sem verificar se os chinelos não estão virados. Disseram-me que, se deixá-los assim, a mãe morre. E olha que acreditei nisso e tanto que, mesmo depois de adulta, e consciente de que todas as mães estão a salvo do viramento de chinelos, continuo a desvirá-los, e não somente os meus. Não posso ver chinelos virados que vou logo salvando a vida de mães alheias.

Também não deixo prato sobre a mesa ou pia virar a noite com comida dentro. Pelo que me lembro, assim, de um jeito um tanto desbotado, se deixamos comida no prato durante a noite, um anjo vem e come tudo. E por mais que a ideia de um anjo seja sedutora – falo do fofo, asinhas branquinhas, bochechas rosadas – prefiro não correr o risco de levar susto ao perceber que tem gente em casa, além de mim.

Não leio livro de terror à noite. Apesar de gostar muito de Stephen King, só leio os livros dele enquanto é dia. Saco de Ossos me fez acordar durante um bom tempo às seis da manhã, só para ter uma horinha de leitura, antes de …

BEM VINDO, PAPA >> Clara Braga

Essa visita do Papa está dando o que falar! Quem nem liga pra essas coisas estava ligado na televisão acompanhando cada passo. Comentaram sobre a desenvoltura dele ao descer as escadas do avião (invejável mesmo, nem eu desço escadas de avião tão rapidinho), comentaram sobre as pessoas que ele cumprimentou logo ao chegar, falaram de toda a sua rota pelo Brasil, comentaram sobre as manifestações, inventaram que elas eram contra a vinda do Papa e, claro, comentaram sobre ele andando com o vidro do carro aberto!!!
Confesso que essa também me assustou. Não o fato de ele andar com o vidro aberto, mas o fato dele dispensar o uso de carros blindados por considerar isso um luxo. Uma das coisas que eu mais admirei nesse Papa foi a simplicidade, mas confesso que considero carros blindados uma questão de segurança e não de luxo. Até o Papa João Paulo II que era todo carismático e amado por todos acabou sendo alvo de tiro, é algo a se considerar não é? Do jeito que o mundo anda doido, não duvido …

O CESTO MÁGICO >> Whisner Fraga

Não sei se é uma cultura recente, mas tenho a sensação que isso não rolava muito há vinte, trinta anos. Falo da permanência, cada vez maior, dos filhos na casa dos pais. Tenho amigos de quarenta anos que ainda moram com seus genitores. Não faço julgamento de valor nenhum, pois é claro que o carinho dispensado por uma mãe não chateia ninguém. Acordar às onze da manhã com um café na mesa esperando pela gente, deixar a televisão ligada e dormir, tendo a certeza que alguém a desligará e assim por diante. Quem sou eu para desvalorizar uma atenção assim?

Mas, além de morar com os pais, dois ou três desses amigos ainda são sustentados por eles! Isso, aos quarenta e poucos anos! Vivem de mesada e têm na ponta a língua a desculpa para a falta de trabalho: querem fazer o que gostam. E, vejam só, gostam de escrever, de pintar, de tocar guitarra, de vagabundear pelas ruas da cidade, atrás de um rabo-de-saia. O que houve? Será que minha geração foi mimada demais? Agora sim, estou fazendo um juízo …

A APOSTA >> Zoraya Cesar

A coisa começou assim: estava com amigos, todos sacripantas como eu, envergados de tanto beber vodka misturada com outras substâncias legais, quando algum cretino apostou que ninguém teria coragem de dar em cima da nossa gerente e beijá-la sem levar um tapa. Uau, a conversa ficou mais animada, Claudia sempre fora nosso objeto de desejo. E, como é público e notório, homem é fogo, quanto mais inatingível, mais desejada a mulher.
Bonita, eficiente e durona, ela manipulava aquele bando de trogloditas com mão de ferro e sedução. E, como homem não presta, apostamos uma grana violenta naquele que, dentre nós, aceitasse o desafio de beijá-la e viver para contar a história. O feito heróico deveria ser filmado, claro, e mostrado durante um jantar na whiskeria mais cara da cidade, regado a scotch 12 anos. Se fracassasse ou desistisse, o derrotado iria ao jantar travestido de mulher, com direito a acompanhante macho. E pagaria a conta. 
Estúpido que sou, boquirroto e arrogante – mas macho pegado…

POR FAVOR, CUIDE >> Fernanda Pinho

Ganhei da minha amiga Samara um livro chamado “Por favor, cuide da mamãe”, da escritora coreana Kyung-Soon Shin. O livro conta a história de uma senhora, mãe de cinco filhos adultos, que se perde do marido na estação de trem de Seul e desaparece. As pouco mais de duzentas páginas narram a busca dessa família por essa mulher. A trajetória é angustiante não apenas pelo medo inerente à situação mas, principalmente, pela dor de cada personagem que precisou sofrer da ausência dessa mulher para se dar conta da presença dela. Angustia porque a gente se identifica. Muitas e muitas vezes colocamos nossas relações no modo automático e não paramos para de fato perceber o outro. Mesmo com aqueles que mais amamos. Aliás, principalmente com aqueles que mais amamos.
Numa das passagens do livro, uma das filhas conta como a relação com mãe tornou-se diferente depois que ela saiu de casa. Como foi estranho, de repente, se tornar uma visita na casa onde nasceu e foi criada. Fiquei particularmente apega…

O PLANO >> Carla Dias >>

Acordou, levantou-se, banhou-se, alimentou-se, tique-taque, cabelos penteados, roupa para inverno e verão em um mesmo dia. Ela sai de casa cedo, na bolsa todos os medicamentos do menu, e também os documentos para garantir que não sofrerá de anonimato no único momento em que exige ser reconhecida. Tem medo lancinante de morrer e jamais voltar para casa, tudo por culpa do RG largado sobre a penteadeira.

Durante o caminho, ônibus lotado, falatório indigesto, ela pede ao Deus que apague os verbos das bocas dos que só sabem usá-los no modo ofensivo. Anda enfastiada de escutar maledicências, presenciar o destrato recorrente de quem só sabe dizer sobre o outro as perversidades. E ainda que elas sejam pertinentes, certamente não são da sua conta.

Desce do ônibus, um zunido endiabrado em seus ouvidos, ecos das histórias do coletivo que, nem de longe aponta para a coletividade. Então que lhe bate a sensação de estranhamento, a consciência berra que ela mesma pode ser a peça fora do lugar nesse …

PEQUENA CRISE [Ana González]

Na vida, temos crises de todos os tipos. As esperadas e as inesperadas, os suplícios e os tsunamis. E há também as mais leves, as sutis que quando chegam nem percebemos. Caímos em uma rede invisível, abstrata e não nos damos conta disso. Como quem não sabe nadar, nos debatemos com cenho apertado e olhar murcho. O incômodo leva um tempo. Mas um dia acaba e nos salvamos do aprisionamento.


Foi assim com minha câmera fotográfica. Recentemente resolvi fazer um curso de fotografia. Nada muito sério, puro lazer. Sempre exercitei a alegria de ver imagens acontecerem, sem técnica alguma.  A proposta era aprender os recursos dessa arte. Mandei consertar a máquina Pentax que estava quebrada e guardada há muito tempo, suficiente para eu me acomodar com a Cybershot pequena, digital e prática. Sem saudades da outra.

Com professora e a turma do curso, andei por aí. Com a máquina antiga pronta para clicar, estive no Minhocão uma manhã de domingo. Outra vez, em saída noturna, pela Avenida Paulista,…

VOCÊ QUER REVANCHE DE QUÊ? >> Mariana Scherma

Eu não entendo muito de lutas, MMA, UFC e lálálá. Quer dizer, eu entendo zero dessa suposta nova paixão brasileira (e adoraria sugerir uma enquete pra ver quem gosta meeesmo disso). Não gosto nem de assistir porque é muito soco e eu sou a favor do beijo, da amizade, do carinho, das mãos dadas, enfim. A única parte das lutas que eu adoro é a pesagem, quando rola aquele olho no olho, aquele climinha fofo. Sempre fico na torcida porque, no fundo, sou uma romântica incurável... Nessa, última do Anderson Silva rolou um selinho e pra mim deveria ter terminado nisso. Os dois ganham, ué.
Mas não, quem ganhou foi o tal do Chris Weidman. O Facebook também ganhou um novo assunto, todo mundo falando que Anderson tinha sido comprado, tinha feito isso, aquilo e aquele outro. Eu, que no sábado à noite, nem lembrava que teria luta, no domingo de manhã sabia de to-dos os detalhes só por conta de uma olhadinha na timeline. Se o que o Anderson fez tá certo ou não, não sei. Eu gosto de futebol e vôlei, …

UMA HISTÓRIA DE AMOR PARA VALER A PENA
>> Carla Dias >>

Ok, eu sei que o nosso país está em polvorosa, que há outros em guerra. Também sei que ainda morrem pessoas de fome no mundo, que alguns políticos poderiam muito bem ser definidos, sem erro, como verdadeiros psicopatas, que terminar o mês com alguns reais no bolso é um tipo de milagre. E que na família de todos há aquele que mata os outros de preocupação, que na escola há o colega que cutuca a alma já dolente do seu colega. E que, de colega em colega, engorda-se as estatísticas relacionadas ao bullying.

Eu sei... Sei que o mundo gira, entontece alguns, embrutece outros, amarga a tantos.


Só que então vem um poeta, ou um porteiro de prédio apaixonado, e fala de amor como se não houvesse outro sentimento que valesse a pena sentir, ainda que, amar também implique em sofrer, de vez em quando. Sofrer faz parte de sentir o que for, assim como ser feliz. Trata-se do conteúdo diverso de um importante livro: o da vida.


Portanto, confesso, alego, assumo, assino embaixo da declaração de que eu s…

É TUDO COMPRADO!!! >> Clara Braga

Agora tudo aqui no Brasil é comprado! Desde resultado das campeãs das escolas de samba a jogo de futebol, tudo é comprado! Até pouco tempo só se falava no tal jogo do Brasil contra Espanha que foi comprado para abafar as manifestações, e o pior é que nesse ai eu acredito fielmente que foi comprado mesmo. Agora, a polícia está atrás do apostador que ganhou rios de dinheiro porque sabia que Anderson Silva perderia a luta, ou seja, foi comprada também!
Sobre a luta eu nem consigo emitir opiniões, pois não entendo absolutamente nada de luta, mas vi que os comentaristas do Sport TV ficaram arrasados com o resultado e todo mundo agora só faz criticar a atitude arrogante e desnecessária do lutador. Não há mesmo quem não se irrite com uma pessoa que só faz gracinhas e fica tirando sarro da sua cara, mas na minha opinião isso chama-se estratégia, alguns se irritam tanto que desconcentram, erram nos ataques e é aí que o arrogante ganha, como vinha ganhando há anos e todo mundo achava genial a …

CIDADÃO ROSWELL >> André Ferrer

As teorias conspiratórias jamais estiveram tão domesticadas. Em 1947, um caso como o de Roswell contava com poucos meios capazes de desmistificá-lo. Nada analítica, a grande mídia favorecia o obscurantismo e tornava tudo ainda mais selvagem do que realmente era. Não que as coisas tenham mudado muito. A mídia continua sensacionalista e gananciosa. O que mudou de lá para cá foi o modo como a notícia chega ao cidadão. Este pode domesticar a maioria das ameaças que se apresentam.
Basta imaginar o processo de domesticação e domínio a que, ao longo dos tempos, o homem tem submetido coisas e viventes ao seu redor. Para o nosso bem-estar, desenvolvemos artifícios capazes de reafirmar diariamente o nosso domínio sobre as potenciais ameaças. E a Internet, uma vez mais, veio para facilitar o trabalho. No YouTube e no Facebook - principalmente nas caixas de diálogo destinadas aos comentários -, a reiteração do domínio em relação a determinados conteúdos ameaçadores aparece na forma de ironia ou sa…

A MELHOR SOGRA DO MUNDO >> Zoraya Cesar

Encontrar um homem bom é como encontrar agulha num palheiro, diz um ditado, e quando Dedinha encontrou Josualdo, honesto, carinhoso, trabalhador e, acima de tudo, casadoiro, as amigas correram a acender velas a Santo Antonio, também queriam um assim. 
Quando tiveram certeza de que se davam muito bem nos quesitos cama, mesa e banho, resolveram se casar. E, como quem casa quer casa (meu Deus, essa é mais antiga que máquina de escrever), alugaram um quarto e sala lá mesmo no subúrbio onde moravam.
Mas – e sempre tem um “mas” -, Josualdo era filho único de D. Sulamita,  Sulinha, que enviuvara quando o menino tinha sete anos e o criara sozinha, trabalhando numa padaria de madrugada e fazendo faxina durante o dia. Ele morria de amores por essa mãe extremada. Ela morria de orgulho desse filho, contador e funcionário público. E D. Sulinha, já velhinha, mirradinha, veio do far, far west, digo, no rancho fundo, bem pra lá do fim do mundo, para o casamento. E, como não tinha onde ficar, hospedo…

19 ANOS E 1 DIA >> Carla Dias >>

Uma pessoa de dezenove anos e um dia, certamente pensa muito diferente de mim, com quarenta e dois anos, oito meses e sei lá quantos dias. Isso não é ruim, até porque, vai saber se essa pessoa, na sua amiúde idade, não pensa com mais sensatez que eu, com a minha maturidade taciturna.

Fato é que não tenho pudores, aviltamentos ou dúvidas em escutar alguém tão mais jovem que eu, tampouco mais velha. Na verdade, abraço a possibilidade de ser surpreendida pela sabedoria de uma pessoa em qualquer idade. Prova disso é a tamanha importância que dou aos comentários dos meus sobrinhos, mesmo quando estão rindo da minha cara, e de todos os senhores e senhoras que sempre me escolhem para bater-papo, enquanto esperamos o ônibus.

Sabedoria é o tipo de coisa-importância que, quando a evitamos, pula na nossa frente. E se depois de se mostrar todinha, ainda insistirmos em ignorá-la, bom, aí já é problema nosso.

Mas nem pensem que 19 anos e 1 dia é a idade de alguém. Na verdade, é a idade de um feito …

NÃO CONFIEM EM CHICO BUARQUE >> Clara Braga

Engraçado como todo início de semestre, seja ele início do ano ou não, parece ano novo! Atire a primeira pedra quem nunca começa o semestre cheio de energia, dizendo que dessa vez não vai deixar para ler os textos e fazer os trabalhos de última hora, que é para não ficar apertado no final do semestre. Igualzinho às promessas de ano novo que não duram até junho, e isso porque eu to sendo legal!
Esse semestre não foi diferente, comecei prometendo a mim mesma que eu seria o dobro mais responsável e não deixaria nada para última hora. Mas é incrível a quantidade de outras coisas mais interessantes que aparecem para serem feitas naquele tempo que estava reservado para ler o tal texto. E como o tal texto é só para a oooutra semana, porque não deixar para depois? E assim vai, fica para depois até ser o dia anterior a aula e você precisa ficar até de madrugada acordado lendo o tal texto. Ai você dorme pouco, fica cansado, mas não pode dormir cedo no dia seguinte para compensar a noite mal do…