quinta-feira, 25 de julho de 2013

ACABA, INVERNO, ACABA! >> Mariana Scherma

Se eu fosse o Super-Homem, meu inimigo mortal seria o frio. Se alguém estivesse precisando da minha ajuda, sei lá, na Antártida, estaria bem ferrado porque só de pensar no lugar, meus superpoderes congelariam. Eu não gosto de odiar qualquer coisa porque odiar é muito negativo, mas o frio, ah, o frio eu odeio, sim. Sou nascida no interior de São Paulo e tenho pais que amavam mais que tudo viajar pra lugares frios. Quando pequena, eu os acompanhava (quem disse que criança tem livre-arbítrio?) e me lembro de uma vez que eles me acordaram às cinco da manhã pra caminhar e sentir o friozinho do inverno da Serra Gaúcha. Acho que foi nesse passeio que virei arqui-inimiga do inverno (mas segui amando meus pais, só pra deixar claro).

Os apaixonados pelo inverno dizem que a estação deixa as pessoas mais elegantes e cheirosas. Pra mim isso é o maior blábláblá. Acho que elegância independe de casaco, dá pra ser bem elegante de saia e regata. E sobre ser mais cheirosa no inverno? Contesto também! O verão empurra a gente pro chuveiro, duas, três vezes até. Agora, o inverno, especialmente nos dias de massa de ar polar... Um minuto de silêncio em agradecimento ao banheiro sempre quentinho da academia. Ok, voltei. Hoje mesmo, eu me olhei no espelho e chorei de rir com essa coisa da elegância do frio. Pantufas de sapo, calça de moletom cinza, blusa de moletom azul-turquesa e luvas azuis não compõem um visual fino, né?

Eu sou dessas que já sofre quando a previsão diz que uma frente fria está pra chegar. Ela pode ainda estar lá na Argentina, congelando os hermanos, e eu já tirei um edredom extra do guarda-roupa pra esperá-la... Fora isso, adoro ignorar o frio, dentro do possível, é claro.  Nessa época, todo mundo se rende às comidas gordas da estação. Eu faço questão de continuar com minhas porções de saladas e frutas. O capuccino transbordando de chantilly vira a bebida oficial, menos minha: que sigo tomando água (e uma dose a mais de café porque não sou de ferro). Minha vitória mais unânime no inverno é a ida à academia religiosamente no mesmo horário. Poderia ir mais tarde ou faltar, mas não me rendo à preguiça. Vou às sete da matina e volta cantando we are the champions, my friend. A friaca não me vence. Dá um orgulho danado, que eu e mais uns cinco alunos que resistem à estação compartilhamos no olhar entre um respiro mais profundo e outro da aula de RPM.

Enquanto, todo mundo sonha em ver neve ou viaja para o Sul pra vê-la, eu sonho em poder migrar de região e passar esses dias trabalhando em alguma praia do Ceará, de chinelo Havaianas, short e a parte de cima do biquíni, na elegância gostosa que o solzão nos dá. A vida é muito curta pra ficar perdendo tempo em colocar casaco em cima de casaco e, ao chegar em casa, trocá-los por blusa de pijama em cima de blusa do pijama. Por essas e outras, que o calor esteja de novo com a gente bem logo. A sorte é que, quando o inverno começa, já começa também a acabar. Que bom!

P.S.: meus pais hoje em dia também detestam o frio e jamais viajariam pro Sul outra vez nessa época. Aquela caminhada na Serra Gaúcha deve ter sido terrível pra eles também...


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2 comentários:

Jamerson disse...

adorei esse texto, assim como adorei o blog. parabéns.

Iolita disse...

Concordo em gênero, número e grau. Moro em Floripa quer maldade maior que ter 42 praias sem poder entrar nelas? Excelente e verdadeiro texto.