quarta-feira, 10 de julho de 2013

UMA HISTÓRIA DE AMOR PARA VALER A PENA
>> Carla Dias >>


Ok, eu sei que o nosso país está em polvorosa, que há outros em guerra. Também sei que ainda morrem pessoas de fome no mundo, que alguns políticos poderiam muito bem ser definidos, sem erro, como verdadeiros psicopatas, que terminar o mês com alguns reais no bolso é um tipo de milagre. E que na família de todos há aquele que mata os outros de preocupação, que na escola há o colega que cutuca a alma já dolente do seu colega. E que, de colega em colega, engorda-se as estatísticas relacionadas ao bullying.

Eu sei... Sei que o mundo gira, entontece alguns, embrutece outros, amarga a tantos.


Só que então vem um poeta, ou um porteiro de prédio apaixonado, e fala de amor como se não houvesse outro sentimento que valesse a pena sentir, ainda que, amar também implique em sofrer, de vez em quando. Sofrer faz parte de sentir o que for, assim como ser feliz. Trata-se do conteúdo diverso de um importante livro: o da vida.


Portanto, confesso, alego, assumo, assino embaixo da declaração de que eu sei... A vida nem sempre é fácil, sapatos apertam os pés, prédios desabam, pessoas ferem pessoas, às vezes com requintes de crueldade. E acontece de o “tá tudo certo” dar bem errado, e nos acharmos uma grande porcaria sentada na beira do lugar nenhum, desejando o fim do mundo.

Eu sei...


Porque conheço o sorriso dos que amo, reconheço o amor quando abraço – sempre apertado e demorado – os meus afetos, aceito as gentilezas que me oferecem com o coração tamborilando agradecimento. A felicidade é essa coisinha miúda, e que quase sempre chega em partes, como episódios de série de televisão, mantendo-nos ansiosos pelas próximas cenas. Fazendo com que imaginemos um roteiro para elas, tamanho desejo de conhecer desfechos.


Viver é complicado sim, mesmo quando desejamos, quando nos dedicamos a levar a vida à mercê das simplicidades.  Mas o que pode ser mais simples que um olhar? E como pode ser poderoso esse olhar, o prefácio de uma série de acontecimentos nem sempre palatáveis, ainda que descambem em final feliz que é começo.


Só que sempre haverá um poeta, um astronauta, um porteiro de prédio, uma top model, um dono de boteco, uma garçonete, uma empresária, um astrônomo, um gari, uma dona de casa, uma advogada, um policial, uma juíza, uma bióloga marinha, um escritor, uma pessoa que se apaixonará pela outra, e por ideais, e por escolhas. E esse amor valerá a pena. Valerá uma história.


Poema Presentes, do Livro das Confissões.





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