sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O CRONISTO >> Paulo Meireles Barguil


Tendo em vista os acalorados debates sobre gênero, talvez tenha chegada (ou passada) a hora de ser abolida a configuração atual de substantivos e adjetivos de dois gêneros.

Nem meu ofício, nem meu lazer estão relacionados às letras, sejam elas consoantes ou vogais.
 
Considerando, todavia, que tanto meu ofício, como meu lazer são vislumbrar o que ainda não se materializou, apresento minha proposta.

Doravante, as palavras terminadas em a serão femininas.

De agora em diante, os vocábulos concluídos em o serão masculinos.
 
Proponho a criação de léxicos terminados em e ou i, caso esses já existam, para contemplar as pessoas que não se identificam com esses dois gêneros, bem como também aquelas que se identificam com os dois e, ainda, quando o gênero é desconhecido, em virtude da situação, podendo, portanto, se referir a cada um.

O artigo precedente destas palavras será o i, pois a e o estão impedidos.

Quanto ao e, ele já é muito ocupado.

Acho mais prudente guardar o u para outra oportunidade...

Após essas sucintas explicações, vou ao que interessa!

A palavra cronista, por exemplo, será utilizada apenas quando a pessoa for mulher.

No caso de homem, o vocábulo adequado será cronisto.

Nas demais situações, conforme exposto, croniste é a forma pertinente.

"Eduardo está procurando umi croniste que deseje escrever para o site".

E no caso de plural?

Simples: é só acrescentar o s.

"Eduardo está procurando cronistes que desejem escrever para o site".

Sinto-me, agora, em paz com minha consciência: a ideia foi lançada.

Não me perguntem o destino e a velocidade da mesma!

As suas (quase) infinitas implicações, tampouco, não me pertencem: são centelhas legítimas do Universo.

As formas masculinas e femininas já consagradas permanecem como estão.

Os demais casos serão resolvidos peles profissionais linguistes, que escreverão mais algumas regras e esclarecerão as circunstâncias omissas.
 
Estou tranquilo: o que seria da Língua Portuguesa se não existissem as exceções?

Já basta uma Matemática no mundo...


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