quinta-feira, 8 de setembro de 2016

RAZÃO E SENSIBILIDADE>>Analu Faria

O que nos torna humanos não é a capacidade de raciocinar. Isso, bem grosseiramente, um robô sabe fazer. Esse ajuste fino que nos coloca como seres que criam obras de arte, programam em HTML, aprendem uma nova língua, têm empatia, se compadecem etc., é a capacidade de ser razoável.

O lado ótimo desse imbróglio político todo é que ele está nos mostrando quem são os humanos. Se você cedeu às paixões da sua ideologia - de direita ou de esquerda - e se esqueceu que é preciso ser RAZOÁVEL, meus parabéns -  mesmo com tanta gente te ensinando a ter empatia, a falar outra língua, a programar, a criar, a se compadecer, você conseguiu a proeza de se igualar a um primata qualquer que não os da nossa espécie. Ou a um robô. É um trabalho e tanto!

Eu até entendo que a uma reação deva corresponder uma reação. O problema é que esse costuma ser o argumento dos mal intencionados, para justificar um monte de merda. Tem gente de esquerda e de direita muito bem intencionada, que acaba se lascando porque aqueles mal intencionados adoram pegar carona no discurso de quem quer ser humano. Sobra gente retrógrada, maldosa mesmo, malandra, babaca etc. se fazendo de razoável, de equilibrada etc. para ganhar capital político.

Vem nego de direita me dizer que ser artista no Brasil é muito difícil porque a situação em que o PT nos deixou é desastrosa. Vem outro nego de direita me dizer que no Brasil ser artista é fácil por conta das "boquinhas" da lei Rouanet. Direitistas malucos, decidam-se.   Igualmente aos malucos de esquerda: não dá para exaltar um país que faz presos políticos e tem censura (Venezuela, Cuba...) e meter o pau nos desmandos policiais (preocupantes, diga-se) nos recentes protestos.

Cuidado com o efeito "caixa de eco", colega. Cuidado para não achar, como Narciso, que é feio aquilo que não é espelho. Lembre-se que, no fim das contas, o mundo não é seu playground e que só é livre aquele que passou da fase de precisar ver-se no outro para se sentir seguro. 


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