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SAUDADE, EDUCAÇÃO FÍSICA >> Mariana Scherma

Eu nunca fui fã de fazer educação física no colégio. Fora da escola, fazia natação, mas lá dentro eu sofria. Existiam as meninas fortonas e atléticas, que jogavam vôlei como o time da seleção. Mas também existíamos minhas amigas e eu, magrelas e que passaram a vida sem conseguir dar uma manchete, seja porque não acertávamos a bola, porque doía quando ela batia no braço ou porque fugíamos da bola no meio do jogo sem pudor de um provável bullying. A gente era sensacional!

Passava a semana pensando na desculpa para o professor: cólica (no colegial, eu menstruava quase toda semana, um caso a ser estudado, não?), dor de barriga, dor de cabeça, mal-estar, o sol está forte... Quando as desculpas ficavam manjadas demais, rezava pra chover, já que a quadra era aberta. Impressionante como São Pedro é fã de esportes ou de dar risada do meu sofrimento adolescente – não chovia jamais!

Todo aquele drama de ser escolhida por último por conta do meu dom esportivo era fichinha pra mim. Meu problema era quando o jogo começava (basquete ou vôlei normalmente). Eu era desastrada, não segurava a bola, errava a mira, eita, que desastre. Meu professor de educação física passava outras atividades (que eu até curtia), mas eram exatamente esses benditos jogos que marcaram minha memória. O meu fracasso em esportes coletivos me fez ser imbatível na corrida, na natação e na quantidade de abdominais que eu dava conta de fazer.

Hoje, quando conto minhas histórias da aula de educação física, dou risada e guardo todas elas com carinho aqui comigo. O recreio era mais gostoso depois de suar na quadra. O lanche ficava mais saboroso. A conversa com minhas amigas também não atletas fervia falando mal da falta de paciência das meninas atletas. Apesar das desculpas e da bola batendo no braço com força, a gente era feliz na educação física. A gente aprendeu que esporte é importante. Esporte não é só assistir ao futebol na televisão.


Todo mundo viu nas Olimpíadas/Paralimpíadas como é lindo se superar. Muita gente sentiu vontade de sair do sofá e suar a camisa, mas, para nosso atual governo, esporte é descartável. Uma pena que vamos liberar menos endorfinas, desaprender a trabalhar em equipe e que competir faz a gente ser melhor como um todo. Uma pena bem grande.

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