DISCRETO GALEIO >> Sergio Geia

 


Ah, palavras! Tão belas, doces palavras. 
 
Uma palavrinha solta, que deita preguiçosa no coração do texto, eu nunca a vi. Mas como é capaz de deixar a manhã mais dourada, as árvores sorridentes de sol, vejam só. 
 
Já havia findado a minha caminhada matinal; já havia tomado o meu café preto, com queijo e pão; já havia me entregado a uma boa e suave meditação. 
 
Estava sentado no sofá, largado, ouvindo clássicos que escorregavam pela caixa de som, sendo comido pela preguiça matinal de um sábado pandêmico. De repente, ela me aparece aos olhos: 
 
“ (...) um discreto galeio”
 
Ah, que delícia de galeio é esse, pensei comigo. 
 
Fui ao dicionário, que Ousana, íntima dele, já chamava de “pai dos burros”, isso lá atrás: 
 
Galeio: 1. Ato ou efeito de galear; 2. Movimento rápido e repentino do corpo para um lado ou para trás; requebro. 
 
Sim, claro, o galeio ressurgiu tímido, mas belo lá do fundo, das danças dançadas e quadrilhas brincadas. 
 
E os sinônimos balançar, impulsionar o balanço, desequilibrar. 
 
Um até diz que é gíria Sanjoanense (São João da Boa Vista). 
 
E foi assim, num sábado a morrer suave e rosáceo, que um galeio repentino da vida tentou arrancar de minh’alma a tristeza doída por dias tão estranhos.

Comentários

Sandra Modesto disse…
Linda crônica. Encantadora.
sergio geia disse…
Sandra, querida, obrigado!
Zoraya Cesar disse…
Sergio Geia!!! Que crônica abusada de boa! Lírica, melancólica, linda, suave, cheia de entrelinhas poéticas, 'entardecente'...
sergio geia disse…
Obrigadíssimo, Zô!

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