sexta-feira, 25 de novembro de 2016

DESAFIOS DE APRENDIZAGEM >> Paulo Meireles Barguil


Meus neurônios, de todos os tipos e em várias regiões do cérebro, sofrem de espasmos com intensidade diversa, do axônio ao dendrito, quando escuto ou leio a expressão "dificuldades de aprendizagem".
 
Para mim, não é difícil identificar alguns motivos dessa crença, que, apesar de tantos discursos construtivista e sócio-interacionista, dentre outros, continua inabalável.
 
É-me dolorido, todavia, ver as consequências da mesma em tantos cenários, sobretudo nos escolares.
 
Ressalto, de modo especial, a tendência de nomear de dificuldade, principalmente a do outro, o fato de alguém não ter desenvolvido alguma habilidade específica.
 
Para mudar esse roteiro, é necessário admitir que se desconhece o que alguém já sabe, igualmente o quecomo essa pessoa pode aprender.
 
Essa ignorância decorre de alguns aspectos: i) a impossibilidade de efetuar uma ressonância magnética dos sentires, agires e saberes do outro, sendo a petulância um bom exemplo de quem acredita possuir tal capacidade; ii) a complexa (e, talvez, infindável!) determinação do ápice; e iii) a incapacidade de qualquer humano de determinar o trajeto, seja esse reto, curvilíneo ou com buraco de minhoca, entre pontos que ele não avista.
 
O aprendizado é fruto de experiências, ou seja, do que fazemos, sentimos e pensamos de modo distinto.
 
Se, por qualquer motivo, apenas repetimos o viver (ou o morrer!), não é possível a mudança.
 
Quão intrigante é a dor: pode ser motivo para permanecer ou sair!
 
A alegria, embora não seja uma boa mestra, uma vez que não nos prepara para aceitar o efêmero – muito pelo contrário! – é uma ótima companhia, pois com ela nos lambuzamos com odores, sons, texturas e sabores agradáveis do Universo.
 
Não tardará para que a vida toque uma sirene inaudível para nos avisar o término de um folguedo e o início de outro...


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