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A VIDA NÃO É UMA EQUAÇÃO >> Paulo Meireles Barguil



Apesar de sabermos que a vida não pode ser controlada, fazemos o possível para que ela siga por caminhos que nos sejam agradáveis.
 
Planejamos o que gostaríamos de fazer nas próximas férias, apesar de ignorarmos se estaremos vivos amanhã; aconselhamos, mesmo quando não solicitados, as pessoas a agirem de determinada forma; orientamos os filhos, a despeito de eles nos fazerem caretas internas, quando não são externas!; amarramos a planta num esteio, para ela não crescer torta.
 
As nossas intenções são as melhores possíveis, pelo menos acreditamos nisso e bradamos com estrondo, mas os resultados podem ser funestos, principalmente quando eles aparecem e não há nada para remediar.
 
Nunca saberemos, a priori, os resultados das nossas ações.

Talvez, nem a posteriori!

Ademais, é impossível determinar se elas foram as únicas responsáveis pelo ocorrido...

O mamoeiro era novo e frágil e decidi atá-lo numa escora para que ele não vergasse com a ação do vento.
 
O tempo passou, ele ficou mais forte e eu esqueci de afrouxar a corda.
 
Quando eu percebi, o seu caule estava ferido pela força do fio, o qual eu cortei, pois não era mais necessário.
 
O arbusto continuou crescendo, mas, alguns dias depois, fui surpreendido pelo que vi: a maior parte da haste dele estava no chão.
 
O que fora útil no passado provocara a sua morte!
 
Atônito, indaguei-me: Quais são os fios que me prendem? Será que ainda é possível soltar algumas correntes para viver de uma forma mais plena? Como eu aprisiono as pessoas com as quais convivo?
 
Meu impulso foi arrancar o que restara do mamoeiro e plantar outra muda, mas decidi esperar.
 
E, então, constatei que ele continuava a sua jornada.
 
Acho que encontrei um novo mestre...
 
 
[Eusébio – Ceará]

[Foto de minha autoria. 11 de maio de 2019]

Comentários

Belo texto, Paulinho!
Da primeira à última frase. :)