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TRADUZINDO AO PÉ DA LETRA >> Clara Braga

Quando eu era adolescente adorava comprar revistas. Ir à banca da quadra era um evento, ficava um tempão olhando quais revistas tinham matéria sobre minhas bandas prediletas, escolhia umas duas, comprava um picolé e ia para casa ler. No dia seguinte levava as revistas para a escola, minhas amigas faziam a mesma coisa, e a gente sentava juntas para ver as revistas umas das outras.

Além das matérias sobre as bandas, algumas revistas tinham uma parte que eu adorava: tradução de músicas. Achava o máximo poder finalmente entender o que aquele artista estava querendo dizer naquela música. Lembro de um dia passar um bom tempo no quarto tentando encaixar a tradução da letra de Torn da Natalie Imbruglia na melodia da música, quem sabe eu não poderia virar uma grande cantora de traduções musicais?

Pena que eu não levei minha ideia a sério, pois as pessoas que também pensaram nas traduções como um nicho na música dos anos 90 acabaram se dando bem. E quando o assunto é traduções dos anos 90, não tem como não citar Sandy e Jr., que se acabaram nas traduções.

I’ll be There do Jackson 5 virou Com você. I Will Always Love You, trilha de o Guarda Costas, virou Como eu Te Amo. What a Feeling, flashdance, virou Como um Flash. The Time Of My Life do Dirty Dancing virou Sonho Real. A trilha do filme Grease ganhou duas traduções: Hopelessly Devoted to You, que virou É Cedo Pra Amar Assim, e You Are The One That I Want que virou Tô Ligado Em Você.

E não para por aí, poderia passar o dia todo falando de outras traduções como a trilha sonora quase inteira de Os Embalos de Sábado a Noite e, claro, as traduções das músicas da Celine Dion como My Heart Will Go On que virou Em cada Sonho e a clássica Immortality que virou Imortal e ficou mais conhecida pela famosa frase “o que é imortal não morre no final” e só não foi mais sacaneada porque nos anos 90 não existiam os memes.

Nesses últimos dias Sandy e Jr. voltaram a ser assunto frequente, já que estão fazendo essa turnê comemorativa, e muita gente acabou lembrando da inesquecível frase “o que é imortal não morre no final”, mas com certeza os irmãos não esperavam que anos depois ainda teriam pessoas que nada aprenderam sobre o cuidado que se deve ter com as traduções e diriam que além de ser imortal e de não morrer no final, ainda seguimos Juntos e Shallow Now.

Comentários

branco disse…
very good. great, amazing. lol muito here!
Zoraya Cesar disse…
haha, mto bom Clara! Me diverti e ainda despertou memórias afetivas mto queridas, o das bancas de jornal e das traduçoes. Tinha um programa de rádio em que o Alberto Brizola traduzia junto com a música ao fundo, ficava tão solene, eu amava. Valeu! Vamos todos traduzir juntos e shallow now.