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DE MALAS PRONTAS >> Clara Braga


Esse final de semana eu estava sentada no sofá da sala, olhando pela janela, quando avistei uma luz no céu. Não poderia ser de um avião, pois estava muito baixa, além disso, se locomovia de forma engraçada, sem rumo certo, coisas que, a meu ver, um avião jamais deveria fazer.

Na hora me lembrei do meu colega que diz que todos os dias, quando deita para dormir, reza e pede para que vidas inteligentes levem ele daqui. Será que a luz sem rumo eram essas vidas que estavam chegando para resgatar pessoas que, como ele, às vezes se sentem vindo de outro planeta?

Bom, infelizmente a luz não levou ninguém, até porque não devia ser nada mais do que um desses brinquedos super tecnológicos de hoje em dia, tipo um avião de controle remoto que pode ser controlado a grandes distâncias e alcançam grandes alturas... vai saber, eu não duvido de nada desses brinquedos que estão surgindo.

Sei que após o episódio do meu disco voador que deveria ser um brinquedo, fui assistir televisão. E lá estava o jornal, mais uma vez noticiando as tragédias, o homem que matou uma menina por causa de uma pizza, a perseguição que colocou a vida de muitos em risco, tantas pessoas mortas em poucos dias, tantos roubos desnecessários, tanta falta de consideração com o próximo, tanto egoísmo, que eu também comecei a me sentir vinda de um outro planeta, não é possível que a cada dia que passa estamos nos acostumando com essa violência toda... Lembro dos 5 meses que passei na Austrália, percebi que assistir jornal podia ser um evento legal. No tempo que passei lá, lembro de ter visto apenas uma notícia que falava de algo ruim, que foi o dia que uma mãe deixou o carrinho de bebê escorregar no metrô e o bebê caiu nos trilhos, na hora que o trem passou. Porém, ele caiu exatamente em um local onde o trem passaria por cima dele sem nem encostar nele, fazendo com que a única história triste que eu ouvi naqueles 5 meses tivesse um final mais do que feliz, ninguém ficou ferido.

Contar isso parece até mentira para quem está acostumado com os jornais que assistimos todos os dias. Mas a verdade é que não deveríamos estar acostumados a esse tipo de coisa, não deveríamos ter que nos sentir agradecidos quando somos roubados e não nos matam. Sei que posso estar sendo muito idealista, mas mesmo sem acreditar que vidas inteligentes possam me levar para um lugar mais normal do que aqui, venho pensando em deixar sempre uma pequena malinha pronta, só com as coisas essenciais, para garantir que se esses seres passarem por aqui, eu estarei prontinha para seguir com eles!

Comentários

Élida Regina disse…
Nossa Clara, partilho contigo esse sentimento... Está difícil viver aqui! Parabéns pela crônica!
aninhaa amorim disse…
nossa muito obriga me ajudou a fazer meu dever de casa vlw mossa
aninhaa amorim disse…
nossa muito obrigada me ajudou a fazer meu dever de casa vlw mossa U.u

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