quinta-feira, 9 de maio de 2013

PRIMOS DE PRIMEIRA >> Fernanda Pinho


Reconheço, com humildade. Afinal, acontece até com os escritores de verdade, porque não haveria de passar comigo que apenas brinco de escrever? Fiquei sem ideia. Passei bons minutos olhando a tela branca e o cursor piscando e a única coisa que me ocorreu foi que eu deveria começar a anotar as coisas que eu penso. Juro pra vocês. Nas últimas duas semanas pensei em vários temas para minhas crônicas que, agora, simplesmente me escapuliram.

Desisti do computador e fui para o celular conferir minhas mensagens, especialmente o chat que eu, minha irmã e alguns dos meus tantos primos estamos mantendo. Como eles me matam de rir o dia inteiro, porque são espirituosos, criativos e cheios de sacadas terríveis (no bom sentido) achei que seria bom recorrer a eles. E assim começou a nascer minha primeira crônica interativa.



Lucinha foi a primeira a se manifestar: “Eu posso ser o tema”. Claro que pode, Lu. Aliás, não é de hoje que te devo uma crônica. Tenho tanto para fala sobre você. Poderia ser sobre seu desprendimento com as coisas materiais, seu ombro amigo, a beleza que você está irradiando nessa nova fase da sua vida. Poderia ser sobre seus filhos. Dudu, meu melhor amigo. Bê, meu afilhado. Poderia ser sobre o fato de você ter sido o cupido do meu casamento. Ou sobre tantas outras coisas mais que nós compartilhamos. Olha, se eu fosse te recompensar por tudo em crônica, passaria o resto da vida escrevendo.

Daí veio o Fernandinho e sugeriu que eu falasse sobre o amor. Amor mesmo. Eu sei. É o seu tema preferido do momento. E, devo confessar, que isso me deixa levemente assustada. Até ontem você era o Neno que falava que queria “coate blanco” (chocolate branco). E agora, chamar você de Fernandinho é apenas força do hábito. Você já me ultrapassou em uns dez centímetros e “meio que está namorando”. Sério, que mundo é esse onde as pessoas nascidas na segunda metade da década de 90 já estão “meio que namorando”? Eu sei, o mundo em que eu estou ficando velha.

Eu ficando velha e a Marina ficando magra. Porque, claro, levando em conta que ela estava suando numa esteira na hora que eu mandei a mensagem, emagrecimento foi o que veio imediatamente à sua cabeça. Aliás, é um assunto que tem pautado muitas de nossas conversas. Dieta, academia e sopas com misturas duvidosas estão sendo consideradas por nós, que já fomos uma família magra. Mas depois de tanta coisa pra comemorar, tanta festa, tanto churrasco era natural que ficássemos um pouquinho mas rechonchudos.  Sabe, Marina, não temos gorduras localizadas. Temos resquícios de momentos felizes. Mas se emagrecer vai te deixar mais feliz, estamos com você para o que der e vier.

Estamos com você e estamos com o Gu. Que não respondeu à minha enquete mas nem precisa.  O Gu é meu primo-gêmeo. Nascemos no mesmo dia, 25 de setembro (e, a partir de agora, fica combinado uma nova versão oficial de que nascemos no mesmo ano também, ok?). Por isso, ele nem precisa me falar muito sobre como ele se sente. Eu sei. Somos iguais. Versão masculina e feminina. A diferença é que eu estou um pouco adiantada. Eu já vivi esse capítulo que você está vivendo agora. Mas eu te garanto, essa pode não ser a melhor parte do livro, mas tem páginas incríveis por aí. Acredite em mim. Eu sei que você acredita.

A gente acredita muito um no outro e isso é muito legal. É muito legal ter uma família como a minha. E eu agradeço todos os dias. A Deus por me dar a honra de viver essa vida com vocês. E à tecnologia, por permitir que estejamos perto, mesmo agora eu estando fisicamente e temporariamente distante. Então eu quis falar sobre isso. Sobre como estamos de tantos modos conectados. Como é incrível chorar de rir como se vocês estivessem do meu lado.

Eu decidi que queria escrever sobre isso. A Kaká leu meu pensamento e deu a sugestão. Eu e a Kaká sempre temos pensamentos parecidos. Somos mais ou menos da mesma idade e herdamos a sequência mais tinhosa do DNA Pinho. Minha lembrança mais remota da nossa relação é de quando eu tinha quatro anos e ela cinco. E eu a invejava por isso porque achava que ter cinco anos era a coisa mais legal que podia acontecer na vida de uma pessoa.

E com essa lembrança tenho tantas outras guardadas. Como o dia em que eu, Paula, Marina e Karina ensaiamos exaustivamente Os Três Porquinhos, para encenar para outros primos e a Marina desistiu de última hora de fazer apresentação. Como o Fernandinho com, sei lá, um ano de idade oferecendo “cafezinho quentinho” para todos que chegavam na sua casa. Ou o dia em que eu quase fiz o Gu desmaiar obrigando-o a cheirar amônia. Ou ainda o dia em que eu cortei o cabelo da Lucinha, para desespero da Vó, que tinha feito promessa para Nossa Senhora de não cortar o cabelo da menina. E a Vó, e todas as lembranças que compartilhamos dela.

Definitivamente, é um absurdo ter uma família como essa e se achar sem assunto para escrever, ter primos como os que eu tenho e não se sentir inspirada a cada minuto. Dizem que os primos são nossos primeiros amigos. Acho que é por isso que escolhi tão bem os amigos que fiz depois, porque logo de cara já ganhei amigos top de linha.  

E tenho certeza que a Paula (que é minha irmã e por isso não entrou nessa crônica, mas já mereceu e merece outras só pra ela) assina em baixo em tudo o que eu estou dizendo e no que vou dizer agora: amo meus primos, os que estão no chat, na crônica e os tantos outros que não estão aí, mas estão no coração. Graças a Deus são muitos. Muitos e bons. 


Partilhar

Um comentário:

Lucia Carolina disse...

Linda Nands!!! Fiquei emocionada!!!