quarta-feira, 29 de maio de 2013

O TOM >> Carla Dias >>


A vida é assim...




Quando menos esperamos, faz com que esbarremos em uma situação, ou encontremos pessoas que, ainda que estejamos no nosso momento mais egocêntrico, diminuto no quesito gentileza, despertam-nos para um cenário inexplorado por nós, mas que certamente carece da atenção, até mesmo, ou talvez principalmente, dos distraídos de plantão.

Hoje eu teria vários assuntos para alimentar esta crônica: corre-corre danado no trabalho, problemas para me comunicar com os atendentes de clientes do plano de saúde, desejo gritante por cappuccino e pão de queijo, os episódios finais de temporada das minhas séries preferidas, receber a notícia de que talvez a Dave Matthews Band se apresente no Brasil, em dezembro.

Acontece que, ontem à noite, às voltas com a minha insônia de estimação, e passeando pela internet, li um post de um amigo de um amigo, de quem conheço um pouco do trabalho como compositor e cantor. O post, por si só, já me comoveu e me fez pensar em poesia. Porque eu tenho dessa... Vou poetizando tudo que me toca a alma. Mas então, ainda tinha o vídeo, e ao assisti-lo, adotei, afetivamente, o Tom. Permiti-me envolver, dessa vez sem distrações, pela jornada do menino e daqueles que o amam.De todos os Toms e de todos aqueles que os amam.

Porque brincar de esconde-esconde é coisa pra pessoa de coragem. Sabe como? Não, é quando... Sabe quando? Quando a brincadeira é a delícia do dia, do nosso dia de infância. Ou quando adultos, e nos divertimos ao vermos as nossas crianças se esbaldarem na brincadeira, misturando o prazer que sentimos ao vê-las felizes às lembranças de nós mesmos sendo felizes há tantos anos que parecem décadas. Mas e quando a brincadeira brinca de esconde-esconde, de jeito que a criança não consegue agarrá-la? Então, o quando do adulto se sintoniza novamente ao quando da criança, e a brincadeira volta, mas desta vez como uma conquista, uma alegria daquelas.

Tom é um menino autista de três anos. No post sobre o qual falei, seu pai contava sobre a grande alegria de, por dois dias consecutivos, brincar de esconde-esconde com ele. E de como era gratificante conectar-se ao filho, e apreciar suas gargalhadas, os olhos nos olhos. O simples que é de imensa importância.

O vídeo traz um olhar muito especial sobre como somente com o diagnóstico e a intervenção precoces essas crianças podem evoluir e ter um futuro. Além do alerta, do aprendizado do qual qualquer um pode usufruir ao assistir ao vídeo, há essa bela declaração de amor ao Tom, e a celebração de todos os semitons que permeiam a sua existência.

Então, a minha crônica foi tomada pelo desejo de que o Tom e seu pai brinquem mais vezes de esconde-esconde, que possam trocar olhares como se fosse uma longa conversa, e que gargalhem juntos, feito uma canção. Das preferidas, claro.




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