sábado, 4 de dezembro de 2010

PEQUENA SANDY [Debora Bottcher]

Na última quinta-feira, 02 de Dezembro, tivemos que sacrificar uma de nossas cachorras - temos (tínhamos) três: duas Bassets, Sandy e Brinny, e uma Labrador, Maya.

A nossa Sandy, que sempre foi especial e querida, merecia que seus últimos momentos fossem conduzidos por uma pessoa profissional, sensível e carinhosa, e 'nossa' veterinária, Dra. Valéria, foi muito mais que isso. Desde o primeiro momento em que a vi em contato com os nossos animais, soube que nossas ‘meninas’ finalmente estariam em mãos que poderiam ser as nossas, mas a dimensão exata disso conhecemos nessa situação extrema.

Nós pensávamos estar mais preparados, mas no fundo sabemos que a hora final é sempre inesperada e mais dolorosa do que se imagina. Ter alguém tão delicado como ela por perto, foi um alento – embora não exista consolo.

Quem não tem (ou não gosta) de cachorros, não sabe como isso é complicado. Fica um vazio, uma angústia, uma dor. E, para alguém como eu, que não tem uma posição definida sobre eutanásia, a prática do procedimento amplificou meu sentimento de perda. Não me sinto culpada, uma vez que tentamos de tudo para salvá-la, e só nos decidimos quando realmente não havia mais nada que pudesse ser feito para melhorar os dias de um animal tão adorado. Mesmo assim, incomoda...

Agora estamos assim, nos sentindo meio órfãos. As duas outras cachorras não compreendem bem o que aconteceu, mas algumas coisas chamam a atenção: elas procuram a Sandy pela casa, em especial nos lugares onde ela ficava com mais frequência nos últimos meses, quando já não se locomovia muito. Também a caminha dela, que antes era disputada a latidos ferozes, por hora mantém-se vazia: nenhuma das duas se atreve a ocupá-la. Deve haver algum tipo de sinal, quem sabe um indecifrável luto canino a cultuar...

Nos próximos dias, estaremos nos mudando e acho que isso amenizará um pouco tal ausência. É que, ainda agora, ao chegar em casa, por uma fração de segundo, peguei-me caminhando direto para o 'lugar dela' - é que ela ficava separada das outras quando saíamos e, na volta, era prioridade ver como ela estava antes de ir ao encontro das outras. A gente demora um pouco pra se acostumar e a mudança pode ajudar...

Sandy agora é uma estrela brilhante em nossos corações e mentes. Sua trajetória conosco foi de muita alegria - ela sempre foi um encanto. Depois de meses amargando uma sobrevida difícil, que esteja descansando tranquila e em paz - muito acima da nossa imensa saudade...

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7 comentários:

Fernanda disse...

Debora,

Meus sentimentos a você, a dor é imensa e muito doída, sei bem o que você esta sentindo :(

Mas certamente Sandy agora caminha livremente por aí, num outro plano, seja onde for!

Ah, tenho uma labrador de nome Maya também, AMO!

Beijos

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Querida Debora, até eu, que não tenho nem gosto de cachorros, me emocionei e passei a gostar um pouco da Sandy, porque é impossível não gostar de alguém que desperta um amor tão bonito quanto esse que você sente e (d)escreve tão bem.

Debora Bottcher disse...

Eduardo, meu amigo, cachorro é tudo de bom... Um dia, vc ainda vai amar um... :)

Fernanda, obrigada pelo carinho. Eu, que não tenho filhos, transfiro todo meu 'amor materno' pra elas. Mas pra qualquer pessoa a perda de um cachorro é muito dolorosa...
Nossa Maya também é um presente adorável, junto com a Brinny (que é filha da Sandy). Eu não viveria sem elas... :)

Beijo pros dois.

Marisa Nascimento disse...

Debora, me solidarizo à sua dor. Tenho seis peludos em casa, entre gatos e cães. Sei que um dia eles partirão. Mas tenha em mente que você fez da vida da Sandy uma vida decente, coisa que muitos animais não conquistam. Agora ela está bem e você logo ficará. Beijos

Analu Menezes disse...

Dé querida, soube da notícia pelo Raul no dia em que ela morreu pelo facebook. Sinto que nossos bichos são muito especiais e nenhum outro ocupa o lugar de um destes quando se vão. Cada um tem uma personalidade, um olhar característico, que nos faz lembrar sempre com alegria de cada um deles.
Meus passarinhos morreram comidos por um gato. Só faltavam falar, conversavam comigo de manhã, respondiam quando eu falava com eles. Foi uma tristeza só. Não concordo de passarinho ficar em gaiola, mas eles foram comprados por meu irmão. Mas enfim, tenho várias cachorras especiais que passaram pela nossa casa. Uma delas, a Lili, meu pai pintou um quadro e ela fica na parede la´de casa...lembro de cada bicho especial, quase-humano, que passou pelas nossas vidas.
Acredite, ela retornou a alma-grupo dela, ou seja, a dos cães, e com certeza quando vc dorme, descobra, vai ao encontro da sua estrelinha. bjo grande, saudades, amor!

Marilza disse...

Também entendo bem a sua dor. Eu simplesmente sou apaixonada por cachorros. Eles são tudo bem, estão sempre por perto, e nos entendem melhor q muitos humanos. Eles são, na maioria das vezes, nossos melhores amigos.
Força!

Kika disse...

Dé querida,
também nao sou muito amiga de cachorros, mas reconheço sem a menor dificuldade a sua dor - como a dor de quem perde um amor. E, vamos combinar, que toda perda de amor dói a beça.
Meu beijo carinhoso para voce, Raul e para as outras duas bichinhas, também orfãs da doce Sandy.
Ana