domingo, 5 de dezembro de 2010

DEPOIS DO SONHO >> Eduardo Loureiro Jr.

Falavam de como é estranho acordar sorrindo de um pesadelo...

E eu me perguntava que melhor forma haveria de se acordar de um pesadelo senão aquela  — sorrindo — porque ele já havia acabado.

Absurdo maior é acordar — triste — de um belo sonho como quem chega de uma longa viagem ainda com pensamentos, cheiros, gostos e poeira de um lugar distante do qual se foi velozmente retirado por um alarme estridente ou por um afiado raio de sol.

Há quem diga que toda a história da humanidade se repete — mais rapidamente e em menor escala — na vida de cada pessoa. Pois a expulsão do paraíso se repete em mim quando acordo de um sonho bom. Sou Adão e Eva diante de um querubim e de uma espada flamejante que me impedem de retornar ao Éden.

Tempo de dar as costas, lavrar a terra, suar o corpo — sonhador acordado a trabalhar os dias.

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6 comentários:

Marisa Nascimento disse...

Eduardo, me responde: Como você consegue, num texto consideravelmente curto, colocar tanta poesia?
Beijos

Fernanda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marilza disse...

Eduardo, bom sonhar não? De preferência com coisas boas.
Bjs

Fernanda disse...

coisa boa acordar de um sonho com tanta lucidez assim!

bjs

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Grato, minhas amigas. Vocês foram muito generosas com minha ressaca de sonho. :) Beijos,

fernanda disse...

Te entendo. Meus sonhos são bons até demais, eles riem na cara da realidade. Pesadelo eu quase não tenho. Ainda bem, pois os poucos que eu tive tinham algo de premonitório...já os sonhos...