sábado, 15 de setembro de 2007

NEO-CRIATIVIDADE: NOVAS FORMAS DE CRIAR [Heloísa Reis]

Acompanhando Neo, no filme Matrix podemos ter a pesada sensação de que o advento da cibernética pode estar nos engolindo. Como se estivéssemos na goela desse dragão, sentimos enorme impotência diante de um mundo cheio de novas engrenagens, novos códigos e senhas, únicas chaves para abrir caminhos.

Como encontrar essas chaves?

Em Matrix, os amigos Trinity e Morpheus vão à procura do Oráculo enquanto Neo negocia com as máquinas para enfrentar os replicantes agentes Smith – representantes do mal.

Sua jornada em busca de senhas e códigos não é fácil. Precisa pensar rápido, agir bravamente para sair das inúmeras armadilhas e situações perigosas em que se coloca. E toda a humanidade está em perigo, dependendo de sua ação e sucesso.

Qualquer semelhança com o homem atual em sua jornada pela vida não é mera coincidência.

O homem nasce no caos. Ou no vazio da mente. A absorção das idéias acontece no decorrer do processo do amadurecimento e da contaminação com o ambiente à volta. Manter-se puro como no caos? Impossível!

Dentro da máquina Neo tem que lutar e reinventar sua situação a cada passo, a cada nova etapa de sua jornada. A cada ação, um novo tempo e renovados Smiths. Mas ele está na máquina. Com a natureza e com a humanidade não há tal precisão. Há apenas um destino para todos.

Filosofando, podemos dizer que a existência do destino determina nossas vidas, mas nós a modificamos com nossas escolhas e com a forma pela qual enfrentamos os nossos “Smiths”, influenciando o curso da vida e o futuro.

Em imagem visual podemos imaginar uma estrada com muitas encruzilhadas e bifurcações: a cada escolha há uma determinação e uma mudança de caminho, e, portanto, de destino.

Como na geometria fractal de Mandelbrot, as pequenas partes, imagens complexas do todo, podem alterá-lo completamente a uma ligeira modificação. Assim, a condição de criação ou de desenvolvimento da linguagem criativa ou da capacidade adaptativa dos seres às mudanças da vida necessitam da expansão da mente para melhor captar a complexidade do mundo.

Imprescindível é ter um ponto de partida, um ponto chave, que, sendo um referencial, proporcionará em torno de si aprofundamento e busca de semelhanças e contradições. Assim o Caos especificamente tratado poderá resultar em ordenação simbólica tornando-se Cosmos, e novas formas de criar estabelecem novos rumos e novos destinos.

Mas Neo também precisa do Oráculo e da pergunta certa.

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3 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Precisa do Oráculo e da pergunta certa?! Lembrei de Parsifal e do Cálice Sagrado.

E se a mente, ao invés de captar, estiver criando a complexidade do mundo? :)

Anônimo disse...

Não existe mais tempestade e esperança mais aqui...
Compus ALTER EGO...
Quero o todos os comandos na web de quem utilizou minha música...

Anônimo disse...

Pensar é exercício breve e sutil frente à avalanche que vos abraçará. Se por acaso eu morrer ou, pior ainda, for engolido pela ansiedade coletiva do monstro, a metade do quintilhão (dez elevado a 15) de estrelas existentes no Universo em expansão caírão primeiramente sobre meus inimigos invisíveis e que não respeitaram meu sôlfejo filosófico veemente. Não existe mais tempestade e esperança mais aqui... Não julgo nada. Sou tão somente julgado quanto todos. Porém somente um terço permanecerá e certamente não contamos com vocês.
Não subjulgue o poder de Deus!