quarta-feira, 19 de setembro de 2007

MINHA AMIGA ANNY >> Carla Dias >>

Eu ainda morava em Santo André, portanto foi antes de 1995, quando eu dava aulas de bateria em um conservatório aqui em São Paulo. Eu já trabalhava no Instituto de Bateria, mas somente até meio-dia (hoje trabalho até às 20h!). Então, aproveitava as tardes para fazer a vez de professora de bateria.

Foi nesse conservatório que me dei conta de como estudar saxofone pode atormentar os vizinhos. Não que eu estudasse este instrumento, mas a minha sala ficava pertinho da de sax e quando aluno da professora faltava e ela decidia estudar era um Deus nos acuda! Ficava difícil até mesmo conversar com o meu aluno. Mas isso não é reclamação (cada instrumentista com a sua cruz), e sim meu jeito de dizer que a bateria não é o único instrumento que, naturalmente, fala bem alto... Vocês já ouviram uma gaita-de-fole na hora do aquecimento do gaiteiro? Pois é...

Foi neste conservatório que conheci a Anny Jacopetti. Ela era muito novinha na época (tenho dificuldade em lembrar a idade das pessoas), uma aluna muito aplicada. Era bacana dar aula pra ela. Há alunos de todos os tipos... Os que querem um hobby para sair um pouco da rotina; os que se empolgam com a idéia de aprender a tocar um instrumento, mas se decepcionam com o trabalho que dá, então desistem; os curiosos; os talentosos; os esforçados e etc e tal. Há também os artistas por natureza. A Anny nasceu assim: com a natureza nas artes. Artista... E um pouco arteira, também.

Ficamos amigas de cara. Além de apreciarmos o mesmo instrumento, a bateria, também dividíamos a curiosidade pelo que está no além de tudo e de todos: das idéias, da arte em si, do que diz a pessoa, do que essa pessoa faz... Dos planetas, das lendas, do espírito, das divindades...

Essa minha amiga de sorriso sincero, costumava me presentear com desenhos de sua autoria. Nesses desenhos, sempre havia muitas estrelas e luas, e pessoas com formas que me levavam a pensar que refletiam sobre algo realmente importante. Sobre sentimentos e a forma como ela percebia a vida. Alguns deles, também vinham com textos e poemas.

Foi a Anny, essa pequena “bruxa”, quem me apresentou ao universo das Runas. Tenho até hoje as cartas que ela me deu. Ainda as uso. Estudo as Runas em busca de um conhecimento sobre mim mesma, e esse tempo às voltas com tal oráculo me permitiu compreender que o ser humano se vale de diversas engrenagens para chegar a esse conhecimento que, quando não chamado de dom e destaque de algum movimento espiritual, é reconhecido naquele olhar mais profundo, da percepção sobre o que o outro sente, e o que nós mesmos sentimos. E não há nada mais do que o desejo de compreender o outro. De se aprofundar sobre tudo o que faz parte dele. Enfim, aprendi que a vida se faz vida em diversas linguagens.

A Anny não se tornou exclusivamente baterista, pois como já disse, artista ela nasceu. Mudou-se para a Austrália e o e-mail é nosso meio de comunicação. Hoje ela uniu sua habilidade para desenhar ao seu olhar sobre a fotografia, e às ferramentas que a tecnologia oferece, permitindo que sua arte se manifeste em imagens e palavras... E o faz tão bem, com um apreço pelo dentro das pessoas e uma riqueza emocional boa demais de se contemplar.



E você, enquanto lia esta crônica, conheceu um pouco do universo da Anny, pois essas imagens são de autoria dessa pessoa com o olhar e o coração no lugar certo.






E se quiser saber mais sobre os feitos dessa minha amiga artista de um tudo:
http://www.orwherever.com.

Foto: Allicea Vayro



www.carladias.com

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Um comentário:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Hoje ouvi alguém falando que, para que exista paz no mundo, é preciso que as pessoas se encontrem. Foi bom sentir a paz do seu encontro com a Anny, e do meu encontro com ela por meio de sua prosa.