segunda-feira, 24 de setembro de 2007

INVESTIR EM CULTURA >> Maurício Cintrão

Os políticos começam a despertar para as vantagens da cultura como instrumento de marketing. É uma descoberta que tem vantagens e desvantagens para todos os envolvidos. Do prefeito populista ao artesão de oportunidade, muitos podem ser os enganadores a movimentar recursos públicos e a boa fé da população. Mesmo assim, defendo o desenvolvimento de projetos e políticas que programem investimentos em cultura.

Apesar dos riscos, o interesse em injetar recursos em atividades culturais representa um mundo de oportunidades para quem não as tem. O universo cultural gera empregos, gera renda, gera auto-estima e gera novos horizontes para pessoas que estão à margem dos caminhos que constroem o futuro.

Se há dinheiro, há atravessadores, eu sei. Mas não vamos matar a todas as iniciativas só porque os parasitas vivem de aproveitar do esforço alheio. Busquemos controlar a intermediação de empresas de marketing e profissionais liberais. Apesar de algumas sanguessugas ocuparem a área, há empresas e pessoas sérias. De qualquer forma, vale a pena dirigir o interesse público para o setor. Porque Cultura é inclusão.

Ao permitir a criação de espaços e recursos para o surgimento de atividades culturais e formação de produtores culturais, abre-se o espaços para a descoberta e talentos e a criação de novas competências. Com isso, produz-se novos agentes geradores de renda e novas possibilidades de sobrevivência digna.

É fundamental despertar a consciência de quem cria ou pode criar. O surgimento de um novo artista revela um novo universo de possibilidades. É vantagem para quem se descobre, é coquista para quem vai descobrir. Vitoriosos saímos todos, porque Cultura é patrimônio coletivo.

Estamos chegando a uma nova época de debates políticos municipais. As eleições para prefeito vêm aí e esta é a hora de cobrar os políticos que ainda não despertaram para o assunto. Políticas públicas coerentes de inventivo à produção cultural devem e precisam constar das plataformas dos candidatos em 2008. Para que Cultura não permaneça como mais um monopólio dos ricos. Para que a Cultura conquiste as periferias.


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