segunda-feira, 8 de outubro de 2007

SER (OU NÃO SER) REVOLUCIONÁRIO >> Maurício Cintrão


Mando e-mails para muita gente até por força do trabalho. E outro dia recebi uma resposta curiosa, que nada tinha a ver com o conteúdo da mensagem original. Um ex-colega de faculdade que hoje atua em uma redação on-line disse que eu era revolucionário. Eu repiquei espantado e brincalhão: “nossa, de revolucionário não tenho nem o regime para emagrecer”. Mas ele manteve o tom sério na réplica e eu fiquei espantado. Ele dizia que nos tempos de faculdade apostava na minha transformação em um sujeito revolucionário.

Acho que frustrei o meu colega. Os tempos mudaram tanto ao longo desses anos que já nem sei se cabe pensar em “ser revolucionário” ao sabor dos temperos daqueles tempos. Pois ele se referia a comportamentos de meados dos anos 80, quando tínhamos problemas de paladar. De lá para cá, mudaram as potencialidades dos sentidos. Muitas coisas, idéias e pessoas morreram nos transcorrer dos anos. Outros tantos compromissos, propostas, necessidades e pessoas foram colhidos pelo caminho.

Isso sem contar que, nesse período, as instituições democráticas fortaleceram-se. O Lula que ainda corria o risco de ser preso naqueles dias, hoje já não corre o risco pelos mesmos motivos. A informática substituiu o jornal mural, o mimeógrafo e o seletor de canais. As pessoas e as crenças mudaram demais. Não precisamos mais da boina vermelha e da estrelinha para nos sentir compromissados com causas, ideologias ou comportamentos. Nem precisamos demonstrar quaisquer comportamentos para agir pensando no futuro coletivo.

Estar engajado, hoje, é muito mais uma questão de consciência do que de aparência. Às vezes, os dois se confundem. Mas as posições pessoais já não são exclusivas desse ou daquele estamento social (ou grupo que se veste assim ou assado). Mudar o mundo nestes dias é muito mais uma questão de conservá-lo e protegê-lo do que qualquer revolução poderia prever naqueles tempos instáveis e de reabertura.

Tenho cinco filhos, uma enteada, três casamentos, um monte de sonhos realizados e tantos outros a perseguir. Não roubo, não mato, não aceito os desmazelos alheios, não compactuo com corrupção ou carteirada.Voto por convicção e não acho que todo político é nefando. Procuro contar histórias de um jeito interessante quando escrevo. E busco quase obsessivamente a simplicidade para viver. Será que isso já não basta?

“Vem, vamos embora, que esperar não é saber...” Aprendi e fui embora.

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5 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

O texto já estava bom, com essa imagem então... :)

Carla Dias disse...

Adorei!

Janasinha disse...

Isso basta sim...

TIO BETO disse...

PESSOAS AINDA SE VEEM COMO ESTAMPAS.
ISSO NAO E EVOLUIR.
COM CERTEZA, MANO, VC EVOLUIU!
E COMO!!!!
ABRAÇOS
BETO
PS. VC AINDA NAO ENTROU NO LINK DO PEDRAO NO ORKUT!!!!
EHEHEHEH
CORAGEM!
PS2. MEU TECLADO AINDA ESTA SEM ACENTO...

piscari disse...

É cara.
Sinto que vc está certo.
Eu afrouxei. Em 1975 participei da grande manifestação contra a ditadura na praça da Sé. Uma manifestação contra a morte do jornalista Vladimir Herzog. Então eu era um estudante de Filosofia.
Muitos do que vemos hoje no governo também protestavam e corriam, porque podiam comprar passagens de avião e se mandar desse caldeirão do inferno, chamado Brasil.
Quem não podia, corria por aqui mesmo, ou morria no DEOPS.
Hoje a gente sofre duplamente, porque não se vê mais manifestações em busca de um governo realmente democrático e pior ainda, aqueles que combatiam a ditadura e hoje estão no governo, traem aquela causa primeira, metendo a mão como àqueles a quem esses de agora combatiam...
O jeito acho que vc e eu achamos, viver na simplicidade e ignorar essa amealhação....