terça-feira, 30 de outubro de 2007

DIÁLOGO SOBRE A PAIXÃO -- Paula Pimenta

Ela: Estou saindo com esse cara e preciso de umas dicas.

Eu: Isso depende. Você quer curtir ou namorar?

Ela: Estou querendo só curtir, não devo me apaixonar por ele. Mas, na verdade, era isso que eu queria.

Eu: Se você já não está apaixonada, não vai ficar. A paixão chega primeiro. E não quer nem saber se você deve ou não.

Ela: Hein?!

Eu: Ela chega antes. E não pede licença.

Ela:
Antes de quê?

Eu:
Antes do primeiro beijo.

Ela: Como assim?????? Ah, não.

Eu: Você não sabia? Achei que isso fosse de conhecimento universal.

Ela: Faltei essa aula. Explique, por favor.

Eu: A paixão chega primeiro. Ela pega a gente na primeira conversa com a outra pessoa. Às vezes, até antes disso, no primeiro olhar. O que vem depois é o gostar, o amar, o achar a companhia boa, o tesão, essas coisas. Paixão de verdade acontece antes disso tudo.

Ela: Será que eu nunca me apaixonei, então? E será que eu nunca vou me apaixonar?

Eu: Eu não estou querendo dizer que um relacionamento não seja bom sem a paixão, porque de todo modo ela passa depois de um tempo. Mas aquela paixão desvairada, que deixa a gente sem fome, sem conseguir dormir à noite, sem pensar em mais nada... essa vem antes.

Ela: Estou precisando é de uma dessas. Onde eu acho? Vende no Carrefour?

Eu: Basta alguém falar alguma coisa que encaixe no que você quer escutar, ou que tenha algum detalhe que coincida com o que você anseia, e pronto. A paixão te pega, te amarra e te deixa sem ação. Depois é depois. Ela pode evoluir e se juntar ao amor, e com isso durar; ou pode não dar em nada, e evaporar. Ainda tem aqueles casos que não dão certo e duram muito, mas isso já é um sentimento derivado, é a paixão-platônica. Mas o mais importante é que a paixão só aparece quando a gente não está esperando.

Ela: Então eu não vou me apaixonar nunca. Estou sempre esperando!

Eu: Mas, às vezes, ela pode aparecer do lado oposto ao que você está olhando... não se preocupe, quando você menos esperar, vai estar apaixonada. É só não ocupar o espaço tentando se apaixonar pelas pessoas erradas. Paixão não se fabrica. Ela acontece.

Ela: Você é especialista no assunto?

Eu: Acredito que não... na verdade, acho que a paixão deve aparecer de uma forma diferente para cada pessoa. Mas, com certeza, sou “expert” em estar apaixonada. Acho que não tem nada melhor do que ficar inspirada, suspirando e vendo o mundo cor-de-rosa. E eu vivo assim…

Ela: Por falar em inspiração, bem que você podia escrever sobre o assunto.

Eu: Boa idéia. Vou fazer uma crônica em sua homenagem.

Ela: Quando?

Eu: Na verdade já está pronta. Você escreveu junto comigo...


(Participação especial: Elisa Pimenta)


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Um comentário:

Gegena disse...

Minha surpresa foi no final quando vi a participação especial.
Nem poderia imaginar!......a