quinta-feira, 11 de outubro de 2007

FUTEBOL [Anna Christina Saeta de Aguiar]

Bandeiras, fogos de artifício, fumaça colorida, balões, euforia. Caravanas para ir a jogos em outros estádios e - dependendo do time para o qual se torce - outros países. Camisa no peito, pintura no rosto, o grito solto no ar, coração na mão a cada passe. Espetáculo de primeira grandeza, assistido também por quem, nervosamente, fica em casa na frente da televisão, torcendo as mãos a cada lance, tombando a cabeça para ver melhor o que está acontecendo no cantinho da tela. Tem coisa melhor do que futebol?

Certo, a pergunta não merece resposta. Tem muita coisa melhor do que futebol e não apenas isso, tem muita coisa mais necessária, mais útil, mais desejável do que o futebol. Não é o caso de discutir a desimportância que tem um esporte de massa frente à fome, à falta de escolas, hospitais e segurança. E, claro, futebol também não supre a necessidade primal de amor do ser humano. Mas a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão, arte e quer o direito de ter uma paixão que não se explica.

Há quem odeie o futebol por razões políticas ou mesmo filosóficas. Outros têm certa resistência em se envolver com algo, digamos, tão "popular" quanto o futebol. Existe também gente que simplesmente alega não ver graça em "vinte e dois homens correndo atrás de uma bola". Frase que, aliás, erra até na conta, porque, salvo honrosa e marcante exceção, goleiros não correm atrás da bola e pouco sabem conduzi-la com os pés. Mais acurada seria então a alegação - ainda falsa - de que são vinte correndo atrás da bola e dois esperando por ela.

Mas o futebol - e isso só quem gosta sabe - é muito mais do que correr atrás de uma bola. Primeiro porque não há bola que corra, já dizia Newton. A bola, embora fundamental para o jogo, é apenas o instrumento que, conduzido por pés, pernas e, por que não, corpos habilidosos, percorrerá o gramado conforme a vontade ou o talento de quem a conduz.

A paixão pelo futebol nada tem a ver com bolas fugidias, portanto. Tem a ver com a habilidade, com a beleza genuína de um belo drible, de uma finta bem feita. Além disso, é um jogo de estratégia. Ataque sem descuidar da defesa, defesa sem recuo excessivo, e tudo isso enquanto se tenta anular a estratégia adversária. 3-5-2, 4-4-2, 4-3-3 ou 3-6-1?

Embora algumas pessoas - poucas, creio - se interessem apenas pelos aspectos puramente estético e estratégico do futebol, para a maioria de nós a paixão pelo jogo está intimamente ligada a uma camisa. No meu caso, a paixão é por uma camisa branca com duas listras horizontais, uma vermelha e outra preta. Camisa de campeão, que combinada com calção e meias brancas compõem o uniforme mais bonito que já vi.

Torcer por um time de futebol agrega uma característica extra à identidade. Quem torce pelo meu time é dos meus, é bom, é automaticamente simpático. Teve a sabedoria de escolher - ou a sorte de herdar - a paixão pelo time mais vitorioso do Brasil. Como não seria simpática criatura de tão bom gosto? Quanto aos que torcem para os times adversários, bem. Não é que sejam antipáticos, de maneira alguma.

Algumas das pessoas que mais gosto torcem para outros times, nem por isso deixam de ser dos meus, bons, simpáticos. Mas em se tratando de futebol, padecem de mau gosto levemente incompreensível. O que, aliás, só adiciona mais graça, já que os comentários pós-jogo - sem provocações extremas, por favor - são parte integrante das vidas dos apaixonados por futebol. Ver o seu time ganhar, para muita gente, é quase tão bom quanto ver um outro perder - o que amplia consideravelmente as possibilidades de sorrisos ou gargalhadas ao final de uma rodada.

Futebol me diverte antes, durante e depois do jogo. Causa emoções, muitas, da alegria à raiva. Quando estou assistindo a um jogo, perco os pudores, grito, xingo, falo palavrão. Aplaudo, questiono, falo com os jogadores como se pudessem me ouvir, aconselho, vejo antes mesmo deles o lugar exato por onde devem passar, o caminho aberto para o gol. Rogo praga contra juízes e jogadores adversários, compreendo e aceito um passe errado dos jogadores do meu time, mas fico furiosa quando o nego larga o corpo ou perde um gol feito. E, depois de tudo isso, falo sobre futebol. Com a família, com os amigos, com o porteiro do prédio, o cabeleireiro, até com quem não conheço, dentro do elevador. Tem coisa melhor do que futebol???

Sim, claro que tem. Futebol, como tudo na vida, é bom para quem gosta. Mas dentre as coisas gostáveis que há, futebol é a melhor delas.

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3 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Chris, vamos ver se a sua crônica dá um gás novo ao nosso tricolor. :)

Anônimo disse...

Sua CRÔNICA é MUITO COMPRIDA,com todo o respeito enjoei de ler!!!!!!!!!!
Coloque mais fotos OK!!!!!!!!
Obrigado pela a sua atenção, desculpe qualquer coisa, principalmente não colocar meu nome.
Tomem PROVIDENCIAS!!!!!!!!!

Anna Christina Saeta de Aguiar disse...

Caro Anônimo

Lamento que o formato e tamanho do texto não lhe tenham agradado.

Por favor, entre em contato comigo. Gostaria de trocar idéias com você.


Anna Christina