domingo, 17 de abril de 2011

ABRIO, ABRIU, ABRIL >> Eduardo Loureiro Jr.

O dia de hoje merecia um poema, e não uma crônica. Um poema que falasse das muitas coisas que se abrem em abril, como se o que despetalasse lá no norte caísse primaveril aqui no sul. Um poema que fizesse a gente entender por que o dia se abre à meianoite, que contasse que a Lua é mãe, o alvorecer é parto e o Sol é sucessor.

Um poema porque a poesia é pensamento no sentido do coração — faz sentido fazendo sentir: cheiro de suor de pai, aroma de lençol de mãe, pele pelúcia de mulher amando, gosto apimentado da palavra filha.

Poesia porque quando se tem muito a dizer — e poucas palavras — não é na frente que está a verdade: é no verso.

Não foi estalo
  de trinco de porta,
foi suspiro
  de botão de flor.
Não foi tábua,
  tranca, tramela,
foi perfume,
  pétala, pudor. 

AbriO, abriU, abriL.




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6 comentários:

Marilza disse...

Linda poesia Edu....sonora, sincera, precisa.

albir disse...

Tem razão, Edu: é no verso!

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Grato pelo sibilante elogio, Marilza. :)

Então versemos, Albir.

Marisa Nascimento disse...

Eu não sei se eu te admiro ainda mais ou se eu te abomino toda vez que leio algo seu e fico com a sensação que não entendi tudo...:)

Bjs

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Marisa, quando você fica com a sensação de que não entendeu, eu fico com a sensação de que não escrevi direito. :)

Marisa Nascimento disse...

Eduardo, lá vou eu de réplica...:)

Ao contrário, um escritor que foge do comum sempre dá ao leitor novas interpretações a cada leitura.
E não escrever direito, está aí uma coisa que nem com muito esforço você conseguiria...:)
Bjs