terça-feira, 19 de abril de 2011

LIBERDADE PARA PLAYSTATION >> Clara Braga

Liberdade, para mim, é dividida em fases, assim como um jogo de videogame. E nós vamos passando das fases mais fáceis para as mais difíceis até chegarmos no chefão.

As fases mais fáceis são as que passamos quando pequenos, como aprender a falar, andar etc. Quando crescemos, os desafios crescem também. Continuamos eternamente aprendendo a falar e andar, e começamos a encarar chefões como achar empregos bem remunerados e sair de casa para morar sozinhos.

Todo mundo passa por essas fases em algum momento, alguns com mais facilidade que outros, mas no final todo mundo ama o gosto gratificante da vitória.

Quando eu tinha meus 10, 11 anos de idade, eu e minhas amigas tínhamos um jeito simples de nos sentirmos livres. Nós íamos ao shopping sem nossos pais (em uma época em que não existia celular para eles ligarem perguntando se estava tudo bem), e íamos assistir filmes para maiores de 16 anos, já que nessa época também não conferiam idade na carteirinha na porta do cinema. E lá ficávamos nós, assistindo a filmes que nos deixavam sem dormir por uma semana, mas nos sentindo grandes e livres.

Foi nessa época que filmes como Eu sei o que vocês fizeram no verão passado e Pânico 1, 2 e 3 entraram na minha vida. E exatamente por esses filmes terem marcado uma época da minha vida eu não poderia deixar de assistir a mais nova estreia do primeiro filme de uma nova trilogia de Pânico, Pânico 4.

Verdade seja dita, é difícil dizer hoje em dia que Pânico dá medo depois de tantos filmes que já o satirizaram. E uma década depois, os crimes que acontecem na vida real, no nosso dia a dia já estão piores que os crimes do filme. Sem contar que é cômico, após três filmes, todos os assassinos terem matado metade do elenco, terem morrido, mas nunca terem conseguido matar quem eles realmente queriam. Por essas e outras, o diretor não teve escolha, teve que vestir a camisa e assumir que teria que trocar o terror pela tragicomédia.

Em muitos momentos, o filme é engraçado, satiriza o próprio Pânico e todos os outros filmes de terror que têm continuações inacabadas. Mas não dá pra dizer que não assusta, já que eu e mais uma das pessoas que foram comigo preferimos dormir com o telefone desligado, pra evitar uma ligação do Ghostface. E o outro esqueceu que tinha deixado a luz da cozinha de casa acesa e achou por um momento que alguém tinha entrado na casa dele.

No mais, a única coisa que realmente surpreende é a revelação de quem são os assassinos. Mas eu achei muito curioso a hora em que um deles vai explicar o motivo das matanças e diz que fez o que fez porque queria fama, queria ter um filme sobre ele. Bem parecido com uma das coisas que o já famoso Wellington Menezes disse em uma das justificativas do massacre de Realengo. No final das contas, será que é a arte que imita a vida ou a vida imita a arte?

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2 comentários:

por Rapha C.M. disse...

Acho que a mente absorve o que mais se parece com sua essência....
Um BÇ!

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Ah, Clara, você me enganou. Pensei que ia falar de videogame e acabou falando de filme de terror. :(