sábado, 2 de abril de 2011

PESSIMISMO COTIDIANO [Debora Bottcher]

Nos últimos tempos, as notícias dão conta apenas de tragédias: tsunamis, terremotos, enchentes, deslizamentos de terra, assaltos, assassinatos, sequestros, falências, suicídios, corrupção, guerras, doenças, destruição ambiental, separações - a lista é interminável e o mundo parece um território de desolação em seus quatro cantos.

Atualmente, morando numa pequena cidade nos arredores da capital, em dias em que tenho que ir a São Paulo (hoje, por exemplo), sinto um curioso desconforto, quase um medo.

Beira como uma constante sensação de sobressalto, como se algo estivesse à espreita, pronto pra acontecer ao menor descuido. E a ilusão maior é pensar que, estando atentos, poderemos evitar o eventual mal...

A verdade é que não estamos seguros em nenhum lugar - no máximo em casa, às vezes nem nela! - e isso incomoda um pouco. A liberdade de ir e vir anda totalmente cerceada - nem mesmo nos shoppings, em outras eras considerados intocáveis, as pessoas conseguem se sentir tranquilas atualmente. E quando você ouve no noticiário que um rapaz que estava casualmente lendo um livro numa livraria é alvo de um louco que o ataca sem razão com um taco de beisebol, fica impossível relaxar.

Minha avó diria que esses são sinais do fim dos tempos. Eu, uma pessimista nata, acho mesmo é que o mundo todo se desgovernou, perdeu o eixo, se desorientou. E que, me perdoem, isso tudo que se escancara, ainda não é o pior - assistiremos coisas ainda mais terríveis.

A nova (e bonita) propaganda da Coca Cola, que anda circulando na TV, mostra alguns exemplos de otimismo, e termina dizendo que 'os bons ainda são maioria'. Acho muito válida (e necessária) essa exaltação ao bem, e tento me convencer de que a mensagem não é só fundo de 'comercial margarina', mas meu coração continua batendo fora de compasso toda vez que me pego lendo, ouvindo ou assistindo sobre os acontecimentos cotidianos. E quando a gente ouve alguém comentar que, nos dias de hoje, é até compreensível alguém se suicidar, pensa que há mesmo algo muito errado com tudo...

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3 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Por isso, Debora, tenho racionado meu tempo diante de emissores de notícias: para não matar minha esperança de (des)ilusão. Porque também há muita coisa boa acontecendo no mundo, coisa que não é notícia. Como cantava Léo Jaime, "os melhores momentos do mundo não são manchetes no jornal". Muito bonito o comercial. Ficaria perfeito se trocasse a coca-cola por um copo de suco. :)

Louro Neves disse...

Ando dizendo atualmente aos meus pares que não assisto mais aos programas policiais; e quanto aos telejornais, só assisto a eles do meio para o fim. Mas percebo que quando estou a dizer justamente isso, alguém logo se põe a concordar comigo dizendo que jornal só tem mesmo é violência e faz questão de citar um exemplo. É um porre!
Débora, é bom saber que você pensa assim. Esse mundo parece que está na UTI, mai ver que é mesmo o fim.

albir disse...

Verdade, Debora. E se o suicídio é compreensível, que se dirá do pessimismo?