sábado, 9 de abril de 2011

INDIGNAÇÃO [Debora Böttcher]

Na semana passada, eu escrevi sobre pessimismo. E sobre o que escrevo hoje depois da tragédia de quinta-feira, no Rio de Janeiro? Nada me vem à mente... Meu coração acelera quando penso nas famílias que perderam suas crianças pelas mãos de alguém tão frio, sem qualquer compaixão - como alguém é capaz de olhar para os olhos de uma criança e atirar contra ela? E repetir isso incontáveis vezes?!

Confesso que nem li ou assisti a todas as informações dos noticiários - é tudo muito terrível e doloroso demais -, mas o que vi e ouvi foi pra lá de suficiente para estarrecer meus sentimentos.

E como especialistas justificam tal barbárie? Pelas brechas da loucura? Afinal, como explicar algo assim? Você consegue? E como é possível que alguém planeje e cometa uma atrocidade desse porte, sem que ninguém ao seu redor se dê conta?

Alguém vai dizer que a 'ocorrência' não é tão rara, quando a gente olha para os casos no mundo - os portais de notícia de hoje anunciam que um homem cometeu algo semelhante num shopping na Holanda. Em São Paulo, há alguns anos, vivenciamos um tiroteio numa sala de cinema e também numa cidade no interior do estado. Alguém pode dizer que são casos isolados no país. Então tá. E mais uma meia dúzia de 'casos isolados', a gente se acostuma com algo que é sem precedentes. É assim mesmo que acontece: o ser humano parece perder a capacidade de se indignar quando algo vira estatística. Vê tudo pela TV e passa a achar notícia banal, miragem, muito longe da sua realidade. Será mesmo?

Minha avózinha nem mencionaria o fim dos tempos ante tanta crueldade. Eu consigo vê-la sentadinha num canto qualquer da casa, impotente para dizer qualquer coisa...

Eu também me sinto impotente... E sem querer incomodar a enorme dor das famílias desses tão queridos inocentes, registro minha raiva, minha profunda indignação, meu horror. E dizer que, NÃO, EU NUNCA ME ACOSTUMO. E você?

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4 comentários:

Bruna Okubo disse...

Realmente é muito triste e impossível se conformar com tudo isso. A sensação de impotência faz-se absurda perante tal situação.

Resumidamente falando:
http://moradadosduendes.blogspot.com/2011/04/apenas-um-minuto.html

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Debora, tive que escrever uma crônica para lhe responder. :)

Anônimo disse...

Pois é, Debora, a gente vai perdendo, como já disse alguém (um poeta?) a capacidade de se indignar. E acaba se acostumando. Só quando a coisa é nosso quintal, é que se sobressalta; mas daí pode ser tarde demais. Abraço.
Pedro

rivani disse...

E muitos absurdos iram acontecer,a minha querida vovo tem razão: È fim dos tempos!