domingo, 3 de abril de 2011

HOMEM-AVENTURA >> Eduardo Loureiro Jr.

Não sou homem de dar o bis — nem no sexo, que dirá em coisas banais como crônicas e canções. Mas eis que terminada a crônica dos dissabores, descubro que é o aniversário do Arthur — assim com H, coisa de antigas realezas.

Arthur nasceu quando eu tinha catorze anos e meio. Enquanto ele mamava, eu me aventurava pelas ruas de Fortaleza, gozando da liberdade recém-adquirida de andar de ônibus e assistir a filmes censurados. Um tempo maravilhoso aquele de caminhar pelas ruas do centro da cidade de mãos dadas com minha juventude. Tempo também maravilhoso deve ter sido para Arthur, se alimentando na fonte bonita e gargalhante de sua mãe.

Arthur não tem idade para ser meu colega, filho ou aluno. Nasceu para ser só um primo de terceiro grau. Mas foi se chegando pelo amor hereditário que sentimos por algumas pessoas: amor por tio Cícero e tia Ângela, que se transformou em amor por sua filha Hebinha, que virou amor por seu filho: Arthur.

Embora seja também gente — de carne e osso, sorriso bonito, abraço gostoso e olhos animados —, Arthur é principalmente uma lenda. Filho nascido da mãe Hebinha, filho ainda mais nascido da Mãe Natureza. Dizem alguns que, nesse momento, vive pela Amazônia entre índios e bichos e crianças que se penduram em seu pescoço feito lindos macaquinhos. Contam que já atravessou o Brasil de bicicleta, plantando e colhendo amigos em dias ensopados e noites estreladas. Juram que não descansará nunca e que não morrerá como qualquer um de nós: virará índio, bicho, criança, árvore, poeira, estrela.

Pelas aventuras que a gente vê e ouve, dá para imaginar as aventuras que ele vive não no espaço aberto deste planeta, mas no universo em expansão de seu coração. Seus sonhos, com certeza, são vias-lácteas nas quais ele mama, mudo e encantado. As imagens dos seus desejos pulam, saltitantes, os buracos negros de seus medos. Explodem supernovas em cada batida de seu peito.

Bem-aventurado Arthur, cheio de histórias para contar. Talvez um dia ele conte a história de um menino, ou menina, nascido da mulher que ele amou, e que terá também, hereditariamente, o meu amor.

Homem-aventura, neste aniversário, te desejo bons adversários. Mais que um trocadilho, menos que uma maldição. Afinal, se não fosse pelos adversários, que seria das tuas aventuras?

Vá vivendo, vá se aventurando, vá pelejando... e venha nos contando.

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Um comentário:

Debora Bottcher disse...

Parabéns para o Arthur, Eduardo... Que continue assim, aventureiro e feliz, desenhando a vida e suas crônicas... :) Beijo e boa semana.